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Romanceiro da Inconfidência Cecília Meireles

Lista de 20 exercícios de Literatura com gabarito sobre o tema Romanceiro da Inconfidência Cecília Meireles com questões de Vestibulares.


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01. (URCA) Sobre a obra Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, é correto afirmar:

  1. Inconfidência é um poema líriconarrativo de viés histórico que evoca em versos os personagens e o contexto da Inconfidência Mineira;
  2. É o ápice da poética de Cecília Meireles enquanto poetisa neosimbolista;
  3. É um extenso poema em que o eu poético reflete sobre uma temática sem que haja elementos narrativos;
  4. Tiradentes, o alferes que a história transformou em herói, é apresentado na obra como indivíduo ambíguo e de moral discutível, numa clara contraposição literária à imagem apresentada pelos historiadores mais conservadores;
  5. Representa grande inovação na construção dos versos, marcando-se sua obra por experimentalismo radical da linguagem e referência a fontes vivas da língua popular.

02. (Universidade de Fortaleza) Cecília Meireles recebeu uma homenagem do Goodle na sexta-feira (7/11/2014). A imagem comemora o 113º aniversário da escritora carioca. Cecília foi poetisa, pintora, professora jornalista brasileira, além de ter sido considerada uma das vozes líricas mais importantes da língua portuguesa.

Em relação às obras de Cecília Meireles, considere as afirmações abaixo:

I - Giroflê Giroflá - livro de contos quase crônicas, breves comentários e memórias da autora, sobre personagens de sua infância.

II - Romanceiro da Inconfidência – obra que tem como tema principal a Guerra de Canudos.

III - Ou Isto ou Aquilo – livro que traz poemas infantis.

IV - Espectro - primeiro livro de poesias de Cecília Meireles que traz um conjunto de sonetos simbolistas.

É verdadeiro apenas o que se afirma em:

  1. I e III.
  2. II e IV.
  3. III e IV.
  4. I, II e IV.
  5. I, III e IV.

03. (PUC-PR) Aponte o que for correto sobre o Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles.

  1. A menção, no título da obra, a “romanceiro” tem a ver com a intriga principal do enredo, o relacionamento amoroso entre os personagens Marília e Dirceu no contexto da luta dos inconfidentes em Ouro Preto, no século XVIII.
  2. Chama a atenção a regularidade métrica dos versos do texto ao longo dos dez cantos em que o Romanceiro é dividido. No livro, todas as estrofes (sempre com oito versos) têm versos decassíla bos, o que identifica a obra com a estética neoclássica à qual a autora retorna em plena modernidade.
  3. Não há, nos temas do Romanceiro, nenhum envolvimento com causas políticas e sociais. Esse é o ponto de distinção desse livro em relação a outros de Cecília Meireles, notória militante comunista, adepta de uma arte engajada.
  4. “Ai que o traiçoeiro invejoso/ Junta as ambições à astúcia/ Vede a pena como enrola/ Arabescos de volúpia, / Entre as palavras sinistras/ Desta carta de denúncia (...)”. Essa sequência narra o ato de traição de Joaquim José da Silva Xavier, o delator do movimento inconfidente às autoridades portuguesas.
  5. A obra se fixa na descrição poética (baseada em referencial histórico, mas elaborada ficcionalmente) do contexto da Inconfidência Mineira. Há, no que tange ao debate da causa da liberdade, uma sutil remissão a problemas políticos da época da escrita do texto (1953).

04. (PUCCamp) A dois séculos de distância, o espetáculo ainda é assombroso (...) Que de tão longe uma Rainha enlouqueça e venha a morrer no cenário final do drama; que os sonhos dos Inconfidentes se cumpram depois de tantas sentenças; e que o Brasil se torne independente dali a 31 anos, e a República seja proclamada exatamente ao cumprir-se um século sobre aquelas prisões − tudo parece impregnado de um mistério claro, desejoso de revelar-se e de se fazer compreender.

(Cecília Meireles. “Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência”, anexo a Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Global, 2012. p. 255)

É correto afirmar que a independência do Brasil realizou os sonhos dos Inconfidentes, como afirma Cecilia Meireles, no que diz respeito

  1. à participação massiva do povo na luta política pela soberania do país, uma vez que a adesão popular não aconteceu a tempo, durante a Inconfidência, dado que o movimento foi desbaratado em seu início.
  2. ao combate à escravidão, perspectiva presente no movimento mineiro e que, logo após a independência, foi uma bandeira assumida como prioridade pela princesa Isabel.
  3. ao rompimento dos vínculos coloniais com Portugal, pondo fim ao ônus da pesada tributação imposta, que cerceava o desenvolvimento econômico nacional, bem como ao poder da coroa portuguesa em decidir os rumos do país.
  4. à instituição de um Estado soberano, independente, unificando toda a Nação sob a égide do governo da província de Minas Gerais, legitimado pelos símbolos pátrios consagrados, como a bandeira e o hino nacional.
  5. ao fim da situação de atraso no país, pois, com a abertura dos portos após a Independência, o comércio e as exportações sofreram grande impulso, atraindo, principalmente, investimentos ingleses.

05. (PUCCamp) A dois séculos de distância, o espetáculo ainda é assombroso (...) Que de tão longe uma Rainha enlouqueça e venha a morrer no cenário final do drama; que os sonhos dos Inconfidentes se cumpram depois de tantas sentenças; e que o Brasil se torne independente dali a 31 anos, e a República seja proclamada exatamente ao cumprir-se um século sobre aquelas prisões − tudo parece impregnado de um mistério claro, desejoso de revelar-se e de se fazer compreender.

(Cecília Meireles. “Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência”, anexo a Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Global, 2012. p. 255)

Tendo como centro os sonhos dos Inconfidentes, Cecília Meireles criou a obra-prima que é o Romanceiro da Inconfidência, poema

  1. inteiramente composto em decassílabos, voltado para a exposição didática da ideologia dos seguidores de Tiradentes.
  2. em prosa, que se tornou exemplo máximo desse gênero literário, logo adotado por vários outros modernistas.
  3. épico, decalcado de Os Lusíadas, em que a autora demonstra grande familiaridade com a retórica clássica.
  4. em que se alternam o tom épico e o lírico, o modo reflexivo e o narrativo, tudo se sustentando numa grande variedade de ritmos.
  5. em que, mesmo buscando afastar-se dos fatos históricos, se entrevê aqui e ali alguma referência inequívoca à Conjuração mineira.

06. (PUC-PR) Considere as afirmativas abaixo sobre os aspectos formais do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles:

I. Apegada ao estilo simbolista, do qual nunca se afastou, a autora escreve no livro apenas sonetos de temática amorosa ambientada no contexto da proclamação da República no Brasil.

II. Encarnando até as últimas consequências o espírito da neovanguarda dos anos 1950, a autora escreve no livro uma série de poemas concretos sobre a história do Brasil, colocando como centro da luta pela liberdade assumida pelo movimento abolicionista.

III. Embora se abra a uma variedade de metros poéticos, predominam no texto as redondilhas maiores (de sete sílabas) e as redondilhas menores (de cinco sílabas). Isso demonstra o apego da autora à tradição e, ao mesmo tempo, a busca por exprimir vivacidade e musicalidade que, segundo os teóricos, são alcançados de modo mais pleno nesse tipo de métrica.

IV. Composto de “romances”, tomados como narrativas de tom lírico, o romanceiro é uma referência à tradição poética medieval, para a qual o termo romance tinha um sentido diferente do atual. Primordialmente, havia romances que não eram escritos em prosa. Essa ligação com o passado hibrido – narrativo e lírico – da forma romance é trabalhada esteticamente nos textos do livro, que contam uma ação, mas com elementos poéticos.

É correto o que se afirma SOMENTE em:

  1. III.
  2. III e IV.
  3. II, III e IV.
  4. II e III.
  5. I, II e III.

07. (Ciências Médicas de Minas Gerais) A questão refere-se às obras literárias indicadas para este concurso: Olhai os lírios do campo, de Erico Verissimo, e Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles.

As passagens de Olhai os lírios do campo têm relações com aspectos apresentados ao longo do Romanceiro da Inconfidência, uma vez que abordam temas como memória e olvido, covardia, ambição e loucura. Assinale o trecho que mais se aproxima da “Fala aos pusilânimes”.

  1. “- E tudo por causa do dinheiro. (...) O dinheiro é uma coisa nojenta. Um sujeito decente não se escraviza por ele.”
  2. “Quando a trovoada cessou ouviu-se um desesperado grito humano. (...) O grito tinha partido do próprio dormitório. Grito de assassinado, grito de pavor. (...) – Decerto é o ‘Pancada’ – sussurrou Mário.
  3. “Onde estavam os protestos de regeneração? O que havia por enquanto era a deplorável covardia duma pobre carne sem vontade que amava o conforte e se negava a desprender-se das coisas que lhe proporcionavam gozo, bem-estar.”
  4. “Fechou o álbum. Tinha a impressão de que morreria de velho sem conseguir desvendar de todo o mistério de Olívia. Não tinha parentes vivos. Pouco ou nunca falava no seu passado. Rasgara todos os papéis e lembranças desse tempo.”

08. (UFPR) Sobre o livro O romanceiro da inconfidência, de Cecília Meireles, considere as afirmativas a seguir:

1. Os documentos históricos legados à posteridade não esclarecem de fato certos episódios relacionados à Inconfidência Mineira. Em face dessa situação, Cecília Meireles optou por apresentar os acontecimentos e as personagens a partir de uma perspectiva lírica que prescinde de nitidez e definição.

2. O poema contém partes de elaboração clássica, metrificadas em versos longos, e outras, mais próximas das composições populares, em versos curtos.

3. Além das personagens diretamente envolvidas no movimento sedicioso do título, o poema também trata de outras, como Chica da Silva, que embora não estejam diretamente envolvidas, ajudam a compor o ambiente histórico do texto.

4. Tiradentes, o alferes que a história transformou em herói, é apresentado na obra como indivíduo ambíguo e de moral discutível, numa clara contraposição literária à imagem apresentada pelos historiadores mais conservadores.

Assinale a alternativa correta.

  1. Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
  2. Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
  3. Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
  4. Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
  5. Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.

09. (UFPR) “A duzentos anos de distância, embora ainda velados muitos pormenores desse fantástico enredo, sente-se a imprescindibilidade daqueles encontros, de raças e homens; do nascimento do ouro; da grandeza e decadência das Minas; desses gráficos tão bem traçados de ambição que cresce e da humanidade que declina; a imprescindibilidade das lágrimas e exílios, da humilhação do abandono amargo, da morte afrontosa – a imprescindibilidade das vítimas, para a definitiva execração dos tiranos.” (Cecília Meireles, Romanceiro da Inconfidência)

O fragmento transcrito faz parte da conferência “Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência”, proferida por Cecília Meireles em 1955. Com base na leitura do Romanceiro e nos conhecimentos sobre a literatura do período, assinale a alternativa correta.

  1. O Romanceiro da Inconfidência exemplifica a principal tendência da literatura produzida em meados do século XX no Brasil: longos poemas épicos inspirados na História do país.
  2. Para apresentar a variedade humana envolvida nos episódios, o poema aproveita elementos do gênero dramático, de que são exemplo as falas de personagens espalhadas ao longo do texto.
  3. O engajamento político explicitado no texto da conferência é constante na obra de Cecília Meireles, pois para ela a poesia lírica deveria ser instrumento para mudanças sociais.
  4. Não se pode considerar o Romanceiro um poema narrativo, pois, ao contrário do que acontece no trecho da conferência, o poema embaralha a ordem de apresentação dos acontecimentos históricos.
  5. Enquanto a conferência propõe que os tiranos sejam execrados, o Romanceiro da Inconfidência, por ser um texto lírico, revela sentimentos sem julgar ou estabelecer responsabilidades.

10. (UFMS) Os poemas da obra Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, fazem uma releitura lírica dos eventos da Inconfidência Mineira. A poetisa também cria um hipertexto com os poetas Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga, que na época se envolveram com acontecimentos políticos que culminaram na Inconfidência Minera.

“Vão cavalos, vêm cavalos,

Por cima da Mantiqueira.

Donas espreitando as ruas,

Pelas grades de urupema.

Padres escrevendo cartas...

Doutores lendo Gazetas...

Uns querendo ouro e diamantes,

Outros, liberdade, apenas...”

(MEIRELES, Cecília. Romance XXXVII ou de maio de 1789. In: Obra Poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1991. p. 468).

Levando em conta essas informações, a qual período da literatura brasileira é correto relacionar os poetas mencionados (Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga) e o contexto histórico da Inconfidência Mineira?

  1. Modernismo.
  2. Quinhentismo.
  3. Trovadorismo.
  4. Barroco.
  5. Arcadismo.

11. (Ciências Médicas de Minas Gerais) A questão refere-se às obras literárias indicadas para este concurso: Olhai os lírios do campo, de Erico Verissimo, e Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles.

Em seu depoimento “Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência”, Cecília Meireles assim se manifestou em relação a Joaquim José da Silva Xavier:

“(...) o Alferes Tiradentes, que calcorreou todas estas serras, estas matas, estes caminhos, a serviço de um partido, à mercê de um sonho, às ordens de seus amigos -, a imperícia ou pusilanimidade desses mesmos amigos, a perfídia dos inimigos, a intriga dos calculistas, dos oportunistas (...)”

(MEIRELES, C. Romanceiro da Inconfidência. S.P.: Gaudi, 2014, p.240.)

Assinale a passagem do Romanceiro da Inconfidência em que os versos NÃO fazem referência a esse protagonista.

  1. “Não há Conde, não há forca,
    não há coroa real
    mais seguros que estas casas,
    que estas pedras do arraial,
    deste Arraial do Ouro Podre
    que foi de Mestre Pascoal.”
  2. “(Nossa Senhora da Ajuda,
    entre os meninos estão
    rezando aqui na capela,
    um vai ser levado à forca,
    com baraço e com pregão!)”
  3. “(E tudo é tão diferente
    do que em saudade imaginas!
    Onde estão os teus amigos?
    Quem te ampara, quem te salva?
    mesmo em Minas, mesmo em Minas?)”
  4. “Eles eram muitos cavalos:
    e alguns foram postos à venda,
    outros ficaram em seus pastos,
    e houve uns que, depois da sentença,
    levaram o Alferes cortado
    em braços, pernas e cabeça.
    E partiram com sua carga
    na mais dolorosa inocência.”
Texto Para as próximas duas questões.

Na obra Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles reescreve de forma poética a história oficial de eventos da Inconfidência Mineira, rebelião ocorrida em Vila Rica, no fim do século XVIII, cenário dos “romances” que compõem a referida obra.

Romance LIII ou Das palavras aéreas

Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Ai, palavras, ai, palavras,

sois de vento, ides no vento,

no vento que não retorna.

[...]

Sois de vento, ides no vento,

e quedais, com sorte nova!

[...]

Ai, palavras, ai, palavras,

íeis pela estrada afora,

erguendo asas muito incertas,

entre verdade e galhofa,

desejos do tempo inquieto,

promessas que o mundo sopra...

Ai, palavras, ai, palavras,

mirai-vos: que sois, agora?

[...]

Perdão podíeis ter sido!

— sois madeira que se corta,

— sois vinte degraus de escada,

— sois um pedaço de corda...

— sois povo pelas janelas,

cortejo, bandeiras, tropa...

Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

Éreis um sopro na aragem...

— sois um homem que se enforca!

Fonte: MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Global, 2012.

12. (UEMA) Com base na leitura dos versos, em que se veem relações entre memória, história e literatura, pode-se fazer o seguinte comentário sobre a linguagem do fazer poético:

  1. A caracterização da natureza pelo eu lírico sugere ideais de uma vida em harmonia, distante de conflitos, o que demonstra uma influência da poesia árcade.
  2. A concisão, a forma de elocução nos versos e o estado contemplativo do eu poético demonstram a intenção de destacar sutilezas políticas, à época da rebelião mineira .
  3. A emoção do eu poético parte da observação do real, por meio de lembranças de outras épocas, para construir um texto fluido, com imagens criadas por componentes expressivos da linguagem.
  4. A preocupação em estruturar versos com rimas preciosas e o cuidado em selecionar vocábulos raros revelam o propósito de aprimorar a linguagem, para resgatar a beleza de fatos históricos.
  5. A construção poética exemplifica marcantes características da segunda geração do Romantismo: adjetivação exagerada e sentimentalismo profundo, ao evocar fatos da rebelião mineira.

13. (UEMA) Releia os seguintes versos:

Ai, palavras, ai, palavras,

que estranha potência, a vossa!

[...]

Sois de vento, ides no vento,

e quedais, com sorte nova!

[...]

mirai-vos: que sois, agora?

[...]

A estranha potência das palavras é explicada, de certa forma, por meio de sugestivas imagens. Um dos sentidos sugeridos nesses versos é a

  1. constância nas ações.
  2. transitoriedade na vida.
  3. permanência do tempo.
  4. imutabilidade das ideias.
  5. previsibilidade dos acontecimentos.

14. (PUC-PR) Analise o seguinte fragmento do Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles:

Personagens solenes

que arrastais os apelidos

como pavões auriverdes

seus rutilantes vestidos,

todo êsse poder que tendes

confunde os vossos sentidos:

a glória, que amais, é dêsses

que por vós são perseguidos.

levantai-vos dessas mesas,

saí das vossas molduras,

vêde que masmorras negras,

que fortalezas seguras,

que duro pêso de algemas,

que profundas sepulturas

nascidas de vossas penas,

de vossas assinaturas!

Considerai no mistério,

dos humanos desatinos

e no pólo sempre incerto

dos homens e dos destinos!

Por sentenças, por decretos

pareceis divinos:

e hoje sois, no tempo eterno,

como ilustres assassinos.

Considere as afirmativas abaixo, que comentam a sequência acima.

I. A proposta do texto de Cecília Meireles transcende a discussão sobre a inconfidência mineira e seu contexto histórico. De modo sutil, o conteúdo dos poemas, partindo da tematização dos fatos históricos do período colonial, abre-se a uma discussão sobre arbitrariedades e injustiças de que outros “heróis da liberdade” foram vítimas em outros momentos de nossa história.

II. O texto busca recontar a história do Brasil reabilitando a figura de Joaquim Silvério dos Reis. Visto pela tradição como o traidor da causa dos inconfidentes, esse personagem é, no livro de Cecília Meireles, descrito como alvo de uma injustiça, o que fica evidenciado na sequência que se refere à sentença que ele recebeu das autoridades coloniais: “que duro pêso de algemas, /que profundas sepulturas /nascidas de vossas penas/ de vossas assinaturas!”

III. O texto se filia à tradição simbolista de se afastar das injunções da realidade histórica e social, optando por uma postura “nefelibata”, em que o poeta celebra o fato de poder, com sua poesia, “andar sobre as nuvens” ou viver numa torre de marfim. A alienação e o descompromisso político são evidentes.

IV. O texto se volta à descrição de um momento perturbado da vida brasileira, o processo que levou à proclamação da República, tendo à frente o heroísmo de figuras como Deodoro do Fonseca. São apresentadas ações bélicas sangrentas e execuções dos revolucionários por forças de repressão do Império decadente. As descrições dos assassinatos dos republicanos é o tema do fragmento citado.

Estão corretas SOMENTE as afirmativas:

  1. I.
  2. III.
  3. II, III e IV.
  4. II e III.
  5. I, II e III.

15. (PUC-PR) Leia atentamente o trecho a seguir, retirado de Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles:

“FALA INICIAL

Não posso mover meus passos,

por esse atroz labirinto

de esquecimento e cegueira

em que amores e ódios vão:

- pois sinto bater os sinos,

percebo o roçar das rezas,

vejo o arrepio da morte,

à voz da condenação;

- avisto a negra masmorra

e a sombra do carcereiro

que transita sobre angústias,

com chaves no coração;

- descubro as altas madeiras

do excessivo cadafalso

e, por muros e janelas,

o pasmo da multidão.

Batem patas de cavalos.

Suam soldados imóveis.

Na frente dos oratórios,

que vale mais a oração?

Vale a voz do Brigadeiro

sobre o povo e sobre a tropa,

louvando a augusta Rainha,

- já louca e fora do trono -

na sua proclamação.

Ó meio-dia confuso,

ó vinte-e-um de abril sinistro,

que intrigas de ouro e de sonho

houve em tua formação?

Quem ordena, julga e pune?

Quem é culpado e inocente?

[...]”

Considere as seguintes afirmações sobre o texto.

I. Quanto os seus significados, o texto do Romanceiro da Inconfidência tem um duplo direcionamento temporal. De um lado, ele é voltado ao passado na recuperação do heroísmo dos insurgentes da conjuração mineira em sua luta contra a repressão do império português. De outro, ele remete ao momento da sua escrita, sendo um libelo a favor da luta pela democratização do Brasil em face da ditadura militar que se instalou no Brasil a partir de 1964. Os inconfidentes são uma referência metafórica aos participantes dos movimentos contra a repressão, dos quais Cecília Meireles, com uma participação ativa – como militante comunista -, era declaradamente uma simpatizante.

II. Na “Fala Inicial”, poema que abre o Romanceiro, há referência às mortes verificadas no movimento da Inconfidência Mineira. A posição do eu lírico é a de destacar, por meio da heroização dos envolvidos e do rigor da repressão que sofreram o caráter de “martírio” dessas mortes. Ao mesmo tempo, os poderosos – responsáveis pela sufocação do levante – são vistos como criaturas obscuras, os verdadeiros agentes da morte.

III. Nos versos “Ó meio-dia confuso,/ ó vinte-e-um de abril sinistro”, verifica-se uma retomada do passado histórico na referência ao dia do enforcamento de Tiradentes, que é um dos personagens destacados na narrativa que se faz no poema. Mas além dele, também outros envolvidos “menores” (ou menos conhecidos) na conjuração mineira são apresentados pelo texto com estima e respeito.

IV. O texto é lamentoso e dotado de um tom fúnebre, dando destaque às mortes ocorridas dos dois lados do combate. Os insurgentes, embora tenham sido derrotados ao final – por lutarem pelas causas abolicionista e republicana no contexto da exploração do ouro no nordeste brasileiro –, se defenderam dos ataques das tropas de repressão, praticando atos de guerrilha que resultaram em muitas baixas do lado do império. É desse quadro geral de morticínio que a voz poética se lamenta ao longo do texto.

Estão corretas APENAS as afirmações:

  1. II e IV.
  2. I, III e IV.
  3. II, III e IV.
  4. II e III.
  5. I.

16. (PUC-SP) Para responder à questão, considere o texto abaixo.

A dois séculos de distância, o espetáculo ainda é assombroso (...) Que de tão longe uma Rainha enlouqueça e venha a morrer no cenário final do drama; que os sonhos dos Inconfidentes se cumpram depois de tantas sentenças; e que o Brasil se torne independente dali a 31 anos, e a República seja proclamada exatamente ao cumprir-se um século sobre aquelas prisões − tudo parece impregnado de um mistério claro, desejoso de revelar-se e de se fazer compreender. (Cecília Meireles. “Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência”, anexo a Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Global, 2012. p. 255)

Tendo como centro os sonhos dos Inconfidentes, Cecília Meireles criou a obra-prima que é o Romanceiro da inconfidência, poema

  1. inteiramente composto em decassílabos, voltado para a exposição didática da ideologia dos seguidores de Tiradentes.
  2. em prosa, que se tornou exemplo máximo desse gênero literário, logo adotado por vários outros modernistas.
  3. épico, decalcado de Os Lusíadas, em que a autora demonstra grande familiaridade com a retórica clássica.
  4. em que se alternam o tom épico e o lírico, o modo reflexivo e o narrativo, tudo se sustentando numa grande variedade de ritmos.
  5. em que, mesmo buscando afastar-se dos fatos históricos, se entrevê aqui e ali alguma referência inequívoca à Conjuração mineira.

17. (PUC-SP) Para responder à questão, considere o texto abaixo.

A dois séculos de distância, o espetáculo ainda é assombroso (...) Que de tão longe uma Rainha enlouqueça e venha a morrer no cenário final do drama; que os sonhos dos Inconfidentes se cumpram depois de tantas sentenças; e que o Brasil se torne independente dali a 31 anos, e a República seja proclamada exatamente ao cumprir-se um século sobre aquelas prisões − tudo parece impregnado de um mistério claro, desejoso de revelar-se e de se fazer compreender. (Cecília Meireles. “Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência”, anexo a Romanceiro da Inconfidência. São Paulo: Global, 2012. p. 255)

Referindo-se no texto à origem e à motivação do Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles sugere que uma obra literária

  1. importa muito mais do que o fato histórico a partir do qual supostamente tenha sido gerada.
  2. pode nascer a partir da atualização de um fato cujo sentido fundamental não perde força na história de um país.
  3. impõe-se com mais força quando, rejeitando os valores do passado, propõe novos caminhos políticos para um país.
  4. tem como finalidade espelhar de modo bastante fiel os elementos essenciais da formação de uma sociedade
  5. deve alicerçar-se na força da documentação histórica, sem a qual se arrisca a ser um exercício gratuito de imaginação.

18. (Enem) Ai, palavras, ai, palavras

que estranha potência a vossa!

Todo o sentido da vida

principia a vossa porta:

o mel do amor cristaliza

seu perfume em vossa rosa;

sois o sonho e sois a audácia,

calúnia, fúria, derrota...

A liberdade das almas,

ai! Com letras se elabora…

E dos venenos humanos

sois a mais fi na retorta:

frágil, frágil, como o vidro

e mais que o aço poderosa!

Reis, impérios, povos, tempos,

pelo vosso impulso rodam…

MEIRELES, C. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985 (fragmento).

O fragmento destacado foi transcrito do Romanceiro da Inconfi dência, de Cecília Meireles. Centralizada no episódio histórico da Inconfi dência Mineira, a obra, no entanto, elabora uma refl exão mais ampla sobre a seguinte relação entre o homem e a linguagem:

  1. A força e a resistência humanas superam os danos provocados pelo poder corrosivo das palavras.
  2. As relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm seu equilíbrio vinculado ao signifi cado das palavras.
  3. O signifi cado dos nomes não expressa de forma justa e completa a grandeza da luta do homem pela vida.
  4. Renovando o signifi cado das palavras, o tempo permite às gerações perpetuar seus valores e suas crenças.
  5. Como produto da criatividade humana, a linguagem tem seu alcance limitado pelas intenções e gestos.

19. (Unimontes) A mim, o que mais me doera,

se eu fora o tal Tiradentes,

era o sentir-me mordido

por esse em quem pôs os dentes.

Mal empregado trabalho,

na boca dos maldizentes!

Assim se forjam palavras,

assim se engendram culpados;

assim se traça o roteiro

de exilados e enforcados:

a língua a bater nos dentes...

Grandes medos mastigados...

O medo nos incisivos,

nos caninos, nos molares;

o medo a tremer nos queixos,

a descer aos calcanhares;

o medo a abalar a terra,

o medo a toldar os ares;

[...]

Vicente Vieira da Mota,

muitos são os seus descendentes!

Tu, com rico patrão salvo

acusas o Tiradentes

Mordem a carne do fraco

teus rijos, certeiros dentes!

[...]

(MEIRELES, Romanceiro da Inconfidência, 1989, p.163-164.)

  1. Ao utilizar o “romance”, tipo de poema narrativo curto, muito praticado no período Barroco, a poetisa investe na forma poética como elemento importante para recriar a atmosfera cultural da época.
  2. O eu lírico explora ambiguamente a palavra “dentes” para analisar e criticar o comportamento de Vicente Vieira da Mota, um dos acusadores de Tiradentes.
  3. A repetição do vocábulo “dentes” reafirma que entre Tiradentes e Vicente Vieira da Mota havia um pacto de feroz cumplicidade.
  4. Por meio da ironia, a poetisa critica o fato de Tiradentes ter tratado Vicente Vieira da Mota e este utilizar os dentes restaurados para delatar seu bem-feitor.

20. (UESB) TEXTO:

Já vem o peso do mundo

com suas fortes sentenças.

Sobre a mentira e a verdade

desabam as mesmas penas.

Apodrecem nas masmorras,

juntas, a culpa e a inocência.

O mar grosso irá levando,

para que ao longe se esqueçam,

as razões dos infelizes,

a franja das suas queixas,

o vestígio dos seus rastros,

a sua inútil presença.

[...]

Já vem o peso da vida,

já vem o peso do tempo:

pergunta pelos culpados

que não passarão tormentos,

e pelos nomes ocultos

dos que nunca foram presos.

Diante do sangue de forca

e dos barcos do desterro,

julga os donos da justiça,

suas balanças e preços.

E contra os seus crimes lavra

a sentença do desprezo.

MEIRELES, Cecília. Romance LI ou DAS SENTENÇAS. Romanceiro da Inconfidência. 4. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979. p.134-135.

Os fragmentos foram extraídos da obra Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles. Esse longo poema trata dos heróis do Brasil que, motivados pelo sentimento de liberdade, lutaram e sofreram em defesa de seu ideal.

As estrofes revelam

  1. o processo de perpetuação dos nomes daqueles que foram vítimas da opressão.
  2. a igualdade de critérios na aplicação da lei contra aqueles que a violam.
  3. a ação da Justiça como reflexo de um contexto político opressor.
  4. o enaltecimento da atitude individual em detrimento do coletivo.
  5. a morte como libertadora em face de realidades desigua

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