Romantismo

Simulado de 20 questões sobre o Romantismo com gabarito para a Fatec, Fuvest, Unesp, Unicamp e Univesp com questões de Vestibulares.



01. (UNIFESP) Os __________ haviam “civilizado” a imagem do índio, injetando nele os padrões do cavalheirismo convencional. Os __________ , ao contrário, procuraram nele e no negro o primitivismo, que injetaram nos padrões da civilização dominante como renovação e quebra das convenções acadêmicas. (Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)

As lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, por

  1. românticos e simbolistas.
  2. árcades e simbolistas.
  3. árcades e modernistas.
  4. românticos e modernistas.
  5. simbolistas e modernistas.

02. (Fuvest) Nasceu o dia e expirou.

Já brilha na cabana de Araquém o fogo, companheiro da noite. Correm lentas e silenciosas no azul do céu, as estrelas, filhas da lua, que esperam a volta da mãe ausente.

Martim se embala docemente; e como a alva rede que vai e vem, sua vontade oscila de um a outro pensamento. Lá o espera a virgem loura dos castos afetos; aqui lhe sorri a virgem morena dos ardentes amores

Iracema recostase langue ao punho da rede; seus olhos negros e fúlgidos, ternos olhos de sabiá, buscam o estrangeiro, e lhe entram n’alma. O cristão sorri; a virgem palpita; como o saí, fascinado pela serpente, vai declinando o lascivo talhe, que se debruça enfim sobre o peito do guerreiro.

José de Alencar, Iracema.

No texto, corresponde a uma das convenções com que o Indianismo construía suas representações do indígena

  1. o emprego de sugestões de cunho mitológico compatíveis com o contexto.
  2. a caracterização da mulher como um ser dócil e desprovido de vontade própria.
  3. a ênfase na efemeridade da vida humana sob os trópicos.
  4. o uso de vocabulário primitivo e singelo, de extração oral-popular.
  5. a supressão de interdições morais relativas às práticas eróticas.

03. (UNESP) A poesia dos antigos era a da posse, a dos novos é a da saudade (e anseio); aquela se ergue, firme, no chão do presente; esta oscila entre recordação e pressentimento. O ideal grego era a concórdia e o equilíbrio perfeitos de todas as forças; a harmonia natural. Os novos, porém, adquiriram a consciência da fragmentação interna que torna impossível este ideal; por isso, a sua poesia aspira a reconciliar os dois mundos em que se sentem divididos, o espiritual e o sensível, fundindo-os de um modo indissolúvel. Os antigos solucionam a sua tarefa, chegando à perfeição; os novos só pela aproximação podem satisfazer o seu anseio do infinito.

(August Schlegel apud Anatol Rosenfeld. Texto/Contexto I, 1996. Adaptado.)

Os “novos” a que se refere o escritor alemão August Schlegel são os poetas

  1. românticos.
  2. modernistas.
  3. árcades.
  4. clássicos.
  5. naturalistas.

04. (UNESP) Os parnasianos brasileiros se distinguem dos românticos pela atenuação da subjetividade e do sentimentalismo, pela ausência quase completa de interesse político no contexto da obra e pelo cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico.

(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)

A referida “atenuação da subjetividade e do sentimentalismo” está bem exemplificada na seguinte estrofe do poeta parnasiano Alberto de Oliveira (1859-1937):

  1. Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
    Que o espírito enlaça à dor vivente,
    Não derramem por mim nem uma lágrima
    Em pálpebra demente.
  2. Erguido em negro mármor luzidio,
    Portas fechadas, num mistério enorme,
    Numa terra de reis, mudo e sombrio,
    Sono de lendas um palácio dorme.
  3. Eu vi-a e minha alma antes de vê-la
    Sonhara-a linda como agora a vi;
    Nos puros olhos e na face bela,
    Dos meus sonhos a virgem conheci.
  4. Longe da pátria, sob um céu diverso
    Onde o sol como aqui tanto não arde,
    Chorei saudades do meu lar querido
    – Ave sem ninho que suspira à tarde. –
  5. Eu morro qual nas mãos da cozinheira
    O marreco piando na agonia…
    Como o cisne de outrora… que gemendo
    Entre os hinos de amor se enternecia.

05. (UNIFESP) A veia humorística do poeta romântico Álvares de Azevedo (1831-1852) está exemplificada nos versos:

  1. Feliz daquele que no livro d’alma
    Não tem folhas escritas
    E nem saudade amarga, arrependida,
    Nem lágrimas malditas!
  2. Coração, por que tremes? Vejo a morte,
    Ali vem lazarenta e desdentada...
    Que noiva!... E devo então dormir com ela?...
    Se ela ao menos dormisse mascarada!
  3. E eu amo as flores e o doce ar mimoso
    Do amanhecer da serra
    E o céu azul e o manto nebuloso
    Do céu da minha terra!
  4. Quando falo contigo, no meu peito
    Esquece-me esta dor que me consome:
    Talvez corre o prazer nas fibras d’alma:
    E eu ouso ainda murmurar teu nome!
  5. Quando, à noite, no leito perfumado
    Lânguida fronte no sonhar reclinas,
    No vapor da ilusão por que te orvalha
    Pranto de amor as pálpebras divinas?

06. (UNICAMP) (...) plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, *macadamizai estradas, fazei caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai: reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. – No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?

*Macadamizar: pavimentar.

(Almeida Garrett, Viagens na minha terra. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012, p.77.)

Formou Deus o homem, e o pôs num paraíso de delícias; tornou a formá-lo a sociedade, e o pôs num inferno de tolices.

(Almeida Garrett, Viagens na minha terra. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012, p.190.)

Vários discursos organizam a estrutura narrativa do romance Viagens na minha terra, de Almeida Garrett. Isso permite afirmar que a visão de mundo dessa narrativa

  1. compartilha exclusivamente dos valores éticos dos ricos e é demagógica com a miséria social, marca inconfundível do romance de Garrett.
  2. relativiza posições dogmáticas sobre a vida social, cultural e política, permitindo vários ângulos de observação.
  3. denuncia as condições sociais injustas dos pobres da sociedade, o que indica o caráter panfletário do romance de Garrett.
  4. divide o mundo entre ricos e pobres e não leva em consideração que uma vida justa depende da riqueza produzida na sociedade.

07. (UNIFESP) Caracterizou-o sempre um sincero amor pelas coisas de sua terra, pela sua gente, e se existe obra que possa ser chamada de brasileira, é a dele. Se seus assuntos eram o homem e a terra do Brasil, apanhados no Norte, no Sul, no Centro, a forma por que os explorava era também brasileira, pela sintaxe que empregava e pelos modismos que introduzia. O Brasil do campo e o das cidades está presente em sua obra, assim como o homem da sociedade, o homem da rua e o trabalhador rural. Abarcou os aspectos mais variados da nossa sensibilidade e da nossa formação, constituindo sua obra um painel a que nada falta, inclusive o índio, que nela tem participação considerável.

(José Paulo Paes e Massaud Moisés (orgs).

Pequeno dicionário de literatura brasileira, 1980. Adaptado.)

Tal comentário refere-se ao escritor

  1. Machado de Assis.
  2. Manuel Antônio de Almeida.
  3. José de Alencar.
  4. Aluísio Azevedo.
  5. Guimarães Rosa.

08. (FATEC) Leia o fragmento da obra “Senhora”, de José de Alencar.

Quando Seixas achava-se ainda sob o império desta nova contrariedade, apareceu na sala a Aurélia Camargo, que chegara naquele instante. Sua entrada foi como sempre um deslumbramento; todos os olhos voltaram-se para ela; pela numerosa e brilhante sociedade ali reunida passou o frêmito das fortes sensações. Parecia que o baile se ajoelhava para recebê-la com o fervor da adoração. Seixas afastou-se. Essa mulher humilhava-o. Desde a noite de sua chegada que sofrera a desagradável impressão. Refugiava-se na indiferença, esforçava-se por combater com o desdém a funesta influência, mas não o conseguia. A presença de Aurélia, sua esplêndida beleza, era uma obsessão que o oprimia. Quando, como agora, a tirava da vista fugindo-lhe, não podia arrancá-la da lembrança, nem escapar à admiração que ela causava e que o perseguia nos elogios proferidos a cada passo em torno de si. No Cassino, Seixas tivera um reduto onde abrigar-se dessa cruel fascinação.

Acesso em: 17.09.2015. Adaptado.

É correto afirmar que essa obra pertence ao

  1. Romantismo, pois ela critica os valores burgueses, exalta a natureza e a vida simples do campo, denunciando a corrupção e a hipocrisia na sociedade fluminense do século XX.
  2. Romantismo, pois ela enaltece a fragilidade da mulher e exprime de forma contida os sentimentos das personagens, situando-as no contexto da sociedade paulista do século XX.
  3. Romantismo, pois ela exalta a figura feminina, expõe, de maneira exacerbada, os sentimentos das personagens, tendo como pano de fundo os costumes da sociedade fluminense do século XIX.
  4. Modernismo, pois ela idealiza a mulher e a juventude e trata da infelicidade dos amores não correspondidos, inserindo as personagens na sociedade fluminense do século XX.
  5. Modernismo, pois ela se opõe ao exagero na expressão dos sentimentos e ao papel de submissão destinado às mulheres, retratando o cotidiano da sociedade paulista do século XX.

09. (UNESP) Ultrapassando o nível modesto dos predecessores e demonstrando capacidade narrativa bem mais definida, a obra romanesca deste autor é bastante ambiciosa. A partir de certa altura, este autor pretendeu abranger com ela, sistematicamente, os diversos aspectos do país no tempo e no espaço, por meio de narrativas sobre os costumes urbanos, sobre as regiões, sobre o índio. Para pôr em prática esse projeto, quis forjar um estilo novo, adequado aos temas e baseado numa linguagem que, sem perder a correção gramatical, se aproximasse da maneira brasileira de falar. Ao fazer isso, estava tocando o nó do problema (caro aos românticos) da independência estética em relação a Portugal. Com efeito, caberia aos escritores não apenas focalizar a realidade brasileira, privilegiando as diferenças patentes na natureza e na população, mas elaborar a expressão que correspondesse à diferenciação linguística que nos ia distinguindo cada vez mais dos portugueses, numa grande aventura dentro da mesma língua.

(Antonio Candido. O romantismo no Brasil, 2002. Adaptado.)

O comentário do crítico Antonio Candido refere-se ao escritor

  1. Raul Pompeia.
  2. Manuel Antônio de Almeida.
  3. José de Alencar.
  4. Machado de Assis.
  5. Aluísio Azevedo.

10. (Fuvest) Considerando-se o intervalo entre o contexto em que transcorre o enredo da obra Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e a época de sua publicação, é correto afirmar que a esse período corresponde o processo de

  1. reforma e crise do Império Português na América.
  2. triunfo de uma consciência nativista e nacionalista na colônia.
  3. Independência do Brasil e formação de seu Estado nacional.
  4. consolidação do Estado nacional e de crise do regime monárquico brasileiro.
  5. Proclamação da República e instauração da Primeira República.

11. (UNICAMP) “Picado pelo ciúme, abriu o ourives seu peito à órfã, ofereceu-lhe a mão, e uma pulseira de brilhantes nela, com a condição de me esquecer.

Leontina disse que sim, cuidando que mentia; mas passados oito dias admirou-se de ter dito a verdade. Nunca mais soube de mim, nem eu dela; até que, um ano depois, a criada, que a servia, me contou que a menina casara com o padrinho e que as enteadas, coagidas pelo pai, se tinham ido para o recolhimento do Grilo com uma pequena mesada e a esperança de ficarem pobres. Não sei mais nada a respeito da primeira das sete mulheres que amei, em Lisboa.”

(Camilo Castelo Branco, Coração, cabeça e estômago, p. 4. Disponível em www .dominiopublico.gov.br. Acessado em 20/05/2018.)

O excerto anterior apresenta uma síntese acerca do primeiro dos setes amores da personagem Silvestre da Silva.

Considere essa experiência amorosa no contexto da primeira parte da narrativa e assinale a alternativa correta.

  1. A mulher é idealizada em cada caso relatado, não havendo espaço para uma ótica realista.
  2. A experiência amorosa recebe tratamento solene e sublime por parte das personagens.
  3. A personagem masculina se caracteriza pelo interesse sexual; a feminina, pela devoção ao marido.
  4. O protagonista da narrativa se frustra em sua crença amorosa a cada vez que se apaixona.

12. (UNIFESP) Casimiro de Abreu pertence à geração dos poetas que morreram prematuramente, na casa dos vinte anos, como Álvares de Azevedo e outros, acometidos do “mal” byroniano. Sua poesia, reflexo autobiográfico dos transes, imaginários e verídicos, que lhe agitaram a curta existência, centra-se em dois temas fundamentais: a saudade e o lirismo amoroso. Graças a tal fundo de juvenilidade e timidez, sua poesia saudosista guarda um não sei quê de infantil.

(Massaud Moisés. A literatura brasileira através dos textos, 2004. Adaptado.)

Os versos de Casimiro de Abreu que se aproximam da ideia de saudade, tal como descrita por Massaud Moisés, encontram- se em:

  1. Se eu soubesse que no mundo / Existia um coração, / Que só por mim palpitasse / De amor em terna expansão; / Do peito calara as mágoas, / Bem feliz eu era então!
  2. Oh! não me chames coração de gelo! / Bem vês: traí-me no fatal segredo. / Se de ti fujo é que te adoro e muito, / És bela – eu moço; tens amor, eu – medo!...
  3. Naqueles tempos ditosos / Ia colher as pitangas, / Trepava a tirar as mangas, / Brincava à beira do mar; / Rezava às Ave-Marias, / Achava o céu sempre lindo, / Adormecia sorrindo / E despertava a cantar!
  4. Minh’alma é triste como a flor que morre / Pendida à beira do riacho ingrato; / Nem beijos dá-lhe a viração que corre, / Nem doce canto o sabiá do mato!
  5. Tu, ontem, / Na dança / Que cansa, / Voavas / Co’as faces / Em rosas / Formosas / De vivo, / Lascivo / Carmim; / Na valsa / Tão falsa, / Corrias, / Fugias, / Ardente, / Contente, / Tranquila, / Serena, / Sem pena / De mim!

13. (FUVEST) TEXTO PARA A QUESTÃO

O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera?

José de Alencar. Bênção Paterna. Prefácio a Sonhos d’ouro.

A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome, outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda e as tintas de que matiza o algodão.

José de Alencar. Iracema.

Glossário: “ará”: periquito; “uru”: cesto; “crautá”: espécie de bromélia; “juçara”: tipo de palmeira espinhosa.

Com base nos trechos acima, é adequado afirmar:

  1. Para Alencar, a literatura brasileira deveria ser capaz de representar os valores nacionais com o mesmo espírito do europeu que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera.
  2. Ao discutir, no primeiro trecho, a importação de ideias e costumes, Alencar propõe uma literatura baseada no abrasileiramento da língua portuguesa, como se verifica no segundo trecho.
  3. O contraste entre os verbos “chupar” e “sorver”, empregados no primeiro trecho, revela o rebaixamento de linguagem buscado pelo escritor em Iracema.
  4. Em Iracema, a construção de uma literatura exótica, tal como se verifica no segundo trecho, pautou‐se pela recusa de nossos elementos naturais.
  5. Ambos os trechos são representativos da tendência escapista de nosso romantismo, na medida em que valorizam os elementos naturais em detrimento da realidade rotineira.

14. (FATEC) Iracema, obra de José de Alencar, configura-se como um mito que dialoga intertextualmente com histórias mais recentes do cinema, tais como Pocahontase Avatar.

Assinale a alternativa em que esse mito está corretamente descrito.

  1. Fazendeiros e nativos da floresta enfrentam-se pela posse de escravos.
  2. Uma selvagem apaixona-se por um estrangeiro, implicando divergências culturais.
  3. Um casal apaixonado é separado pelos genitores devido às diferenças sociais.
  4. A condição física rejeitada e o caráter introvertido fazem nascer um monstro assassino.
  5. Devido à guarda de um segredo inominável, uma mulher torna-se uma líder respeitada.

15. (FUVEST) Em Viagens na minha terra, assim como em

  1. Memórias de um sargento de milícias, embora se situem ambas as obras no Romantismo, criticam-se os exageros de idealização e de expressão que ocorrem nessa escola literária.
  2. A cidade e as serras, a preferência pelo mundo rural português tem como contraponto a ojeriza às cidades estrangeiras – Paris, em particular.
  3. Vidas secas, os discursos dos intelectuais são vistos como “a prosa vil da nação”, ao passo que a sabedoria popular “procede da síntese transcendente, superior e inspirada pelas grandes e eternas verdades”.
  4. Memórias póstumas de Brás Cubas, a prática da divagação e da digressão exerce sobre todos os valores uma ação dissolvente, que culmina, em ambos os casos, em puro niilismo.
  5. O cortiço, manifestam-se, respectivamente, tanto o antibrasileirismo do escritor português quanto o antilusitanismo do seu par brasileiro, assim como o absolutismo do primeiro e o liberalismo do segundo.

16. (UNESP) De fato, este romance constitui um dos poucos romances cômicos do romantismo nacional, afastando-se dos traços idealizantes que caracterizam boa parte das obras “sérias” dos autores de então. O modo pelo qual este romance pinta a sociedade, representado-a a partir de um ângulo abertamente cômico e satírico, também era relativamente novo nas letras brasileiras do século XIX.

(Mamede Mustafa Jarouche. “Galhofa sem melancolia”, 2003. Adaptado.)

O comentário refere-se ao romance

  1. O cortiço, de Aluísio Azevedo.
  2. Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
  3. Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida.
  4. Iracema, de José de Alencar
  5. Macunaíma, de Mário de Andrade.

17. (UNIFESP) Um sarau é o bocado mais delicioso que temos, de telhado abaixo. Em um sarau todo o mundo tem que fazer. O diplomata ajusta, com um copo de champagne na mão, os mais intrincados negócios; todos murmuram, e não há quem deixe de ser murmurado. O velho lembra-se dos minuetes e das cantigas do seu tempo, e o moço goza todos os regalos da sua época; as moças são no sarau como as estrelas no céu; estão no seu elemento: aqui uma, cantando suave cavatina, eleva-se vaidosa nas asas dos aplausos, por entre os quais surde, às vezes, um bravíssimo inopinado, que solta de lá da sala do jogo o parceiro que acaba de ganhar sua partida no écarté, mesmo na ocasião em que a moça se espicha completamente, desafinando um sustenido; daí a pouco vão outras, pelos braços de seus pares, se deslizando pela sala e marchando em seu passeio, mais a compasso que qualquer de nossos batalhões da Guarda Nacional, ao mesmo tempo que conversam sempre sobre objetos inocentes que movem olhaduras e risadinhas apreciáveis. Outras criticam de uma gorducha vovó, que ensaca nos bolsos meia bandeja de doces que veio para o chá, e que ela leva aos pequenos que, diz, lhe ficaram em casa. Ali vê-se um ataviado dandy que dirige mil finezas a uma senhora idosa, tendo os olhos pregados na sinhá, que senta-se ao lado. Finalmente, no sarau não é essencial ter cabeça nem boca, porque, para alguns é regra, durante ele, pensar pelos pés e falar pelos olhos.

E o mais é que nós estamos num sarau. Inúmeros batéis conduziram da corte para a ilha de... senhoras e senhores, recomendáveis por caráter e qualidades; alegre, numerosa e escolhida sociedade enche a grande casa, que brilha e mostra em toda a parte borbulhar o prazer e o bom gosto.

Entre todas essas elegantes e agradáveis moças, que com aturado empenho se esforçam para ver qual delas vence em graças, encantos e donaires, certo sobrepuja a travessa Moreninha, princesa daquela festa.

(Joaquim Manuel de Macedo. A Moreninha, 1997.)

Levando em conta o contexto em que floresceu a literatura romântica, as informações textuais refletem, com

  1. ufanismo, uma vida social de bem-aventurança.
  2. desprezo, a cultura de uma sociedade poderosa.
  3. entusiasmo, uma sociedade frívola e hipócrita.
  4. nostalgia, os valores de uma sociedade decadente.
  5. amenidade, uma visão otimista da realidade social.

18. (UNESP) Esse autor introduziu no romance brasileiro o índio e os seus acessórios, aproveitando-o ou em plena selvageria ou em comércio com o branco. Como o quer representar no seu ambiente exato, ou que lhe parece exato, é levado a fazer também, se não antes de mais ninguém, com talento que lhe assegura a primazia, o romance da natureza brasileira.

(José Veríssimo. História da literatura brasileira, 1969. Adaptado.)

Tal comentário refere-se a

  1. Aluísio Azevedo.
  2. José de Alencar.
  3. Manuel Antônio de Almeida.
  4. Basílio da Gama.
  5. Gonçalves Dias.

19. (UNIFESP) O Romualdo tinha nascido, talvez, para os mais altos destinos; mas como os pais se esqueceram de mandar educálo, e ele mal sabia ler e escrever, o mais que arranjou foi ser soldado do exército, e, depois de obtida a sua baixa, contínuo de secretaria.

Releva dizer que o Romualdo só deixou crescer as barbas depois de contínuo; se as usasse quando era soldado e guerreava no Paraguai, chegaria a capitão pelo menos.

Mas que contínuo! Alto, gordo, ereto, com aquelas opulentas suíças brancas a emoldurar-lhe a cara, sem bigodes, mais parecia um magistrado, cuja figura estava ao pintar para presidir a um júri sensacional, e essa ilusão só se desfazia quando ele falava, porque o Romualdo, benza-o Deus! por mais que compusesse a sua fisionomia austera e veneranda, tinha o estilo e a prosápia do “povo da lira”. Calado era um juiz; falando, um capadócio.

(Arthur Azevedo. As Barbas do Romualdo, em: www.releituras.com.br/aazevedo_barbas.asp)

A construção de sentido no texto assenta-se, sobretudo, na evidente contradição do personagem Romualdo, que

  1. fora mal cuidado pelos pais, mas ainda assim subiu na vida.
  2. era gordo, o que era incompatível com um magistrado.
  3. tinha aparência física respeitável, mas era ignorante.
  4. assumiu um cargo importante em que usava a língua do povo.
  5. fazia serviços simples, opostos a sua elegância verbal.

20. (FUVEST) Os momentos históricos em que se desenvolvem os enredos de Viagens na minha terra, Memórias de um sargento de milícias e Memórias póstumas de Brás Cubas (quanto a este último, em particular no que se refere à primeira juventude do narrador) são, todos, determinados de modo decisivo por um antecedente histórico comum – menos ou mais imediato, conforme o caso. Trata-se da

  1. invasão de Portugal pelas tropas napoleônicas.
  2. turbulência social causada pelas revoltas regenciais.
  3. volta de D. Pedro I a Portugal.
  4. proclamação da independência do Brasil.
  5. antecipação da maioridade de D. Pedro II.


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