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Campo Geral: Guimarães Rosa

Lista de 15 exercícios de Literatura com gabarito sobre o tema Campo Geral: Guimarães Rosa com questões de Vestibulares.


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01. (UFG) Diversos motivos narrativos compõem a trama de "Campo Geral", texto da obra Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa. Qual o motivo narrativo principal para a composição do enredo desse conto?

  1. As desavenças entre Mãitina e a avó de Miguilim.
  2. A instabilidade sentimental da mãe de Miguilim.
  3. A observação do mundo pela ótica de Miguilim.
  4. A rivalidade entre o Tio Terêz e o pai de Miguilim.
  5. A solidariedade entre os irmãos de Miguilim

Texto para as duas próximas questões

Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.

– Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí, Miguilim...

E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.

– Olha, agora!

Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava tudo como era, como tinha visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era do modo mesmo, só que Miguilim também carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim batia descompassado, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria Pretinha, a Mãitina. A Chica veio correndo atrás, mexeu: – “Miguilim, você é piticego...” E ele respondeu: – “Donazinha...”

Quando voltou, o doutor José Lourenço já tinha ido embora. (Guimarães Rosa. Manuelzão e Miguilim. “Campo Geral”)

02. (ITA) A narrativa

I. desenvolve-se num universo fantástico, corroborado pela subversão da linguagem.

II. não retrata as experiências afetivas entre Miguilim e as outras personagens, pois o foco está nas ações dele.

III. é escrita em terceira pessoa, mas a história é filtrada pela perspectiva do menino Miguilim.

Está(ão) correta(s)

  1. apenas I.
  2. apenas I e II.
  3. apenas II.
  4. apenas III.
  5. todas.

03. (ITA) Os diminutivos do segmento contribuem para criar uma linguagem

  1. afetada.
  2. afetiva.
  3. arcaica.
  4. objetiva.
  5. rebuscada.

04. (UEG) ― “Mãe, que é que fizeram com o resto da roupinha do Dito?” ― agora ele queria saber. ― “Está guardada, Miguilim. Depois ela ainda vai servir para Tomezinho.” “― Mãe, e as alpercatinhas do Dito?” “― Também, Miguilim. Agora descansa.” Miguilim tinha mesmo que descansar, perdera a força de aluir com um dedo. Suava. Suava.

ROSA, Guimarães. Manuelzão e Miguilim: (Corpo de baile). 11 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 143.

A respeito da prosa de Guimarães Rosa, na obra Manuelzão e Miguilim, exemplificada pelo trecho citado de “Campo geral”, assinale a alternativa INCORRETA:

  1. O uso de palavras no diminutivo, como “roupinha”, “alpercatinhas”, “Tomezinho”, nesse trecho, revela o clima de afetividade que permeia o universo infantil da personagem Miguilim, em meio aos costumes rudes em que ele nasce, cresce e vai descobrindo o mundo.
  2. “A rola fôgo-apagou cantava continuado, o dia, mesmo na calada do calor, quando dormiam os outros pássaros.” Nesse trecho de “Uma história de amor”, percebe-se um uso mais convencional e menos inovador da língua, o que se opõe à narrativa de “Campo geral”.
  3. As inovações, no aspecto lingüístico, apresentam-se na exploração criativa das possibilidades da língua, como ocorre na sugestividade sonora da repetição em “Suava. Suava.” Ou na expressividade sintáticosemântica do verbo aluir, em “Miguilim tinha mesmo que descansar, perdera a força de aluir com um dedo.”
  4. Ainda na passagem “Miguilim tinha mesmo que descansar, perdera a força de aluir com um dedo” e em toda a narrativa de “Campo geral” é notória a simpatia que o narrador tem por seu protagonista.
  5. À linguagem lírica e carregada dos recursos da poesia alia-se a interpenetração entre o regional e o universal.

05. (UEG) O trecho a seguir refere-se à próxima questão: – “Mãe, que é que fizeram com o resto da roupinha do Dito?” – agora ele queria saber. – “Está guardada, Miguilim. Depois ela ainda vai servir para Tomezinho.” “– Mãe, e as alpercatinhas do Dito?” “– Também, Miguilim. Agora descansa.”Miguilim tinha mesmo que descansar, perdera a força de aluir com um dedo. Suava. Suava.

ROSA, Guimarães. Manuelzão e Miguilim: (Corpo de Baile). 11 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 143.

A respeito da prosa de Guimarães Rosa, na obra Manuelzão e Miguilim, exemplificada pelo trecho citado de “Campo Geral”, assinale a alternativa INCORRETA:

  1. O uso de palavras no diminutivo, como “roupinha”, “alpercatinhas”, “Tomezinho”, nesse trecho, revela o clima de afetividade que permeia o universo infantil da personagem Miguilim, em meio aos costumes rudes em que ele nasce, cresce e vai descobrindo o mundo.
  2. “A rola fôgo-apagou cantava continuado, o dia, mesmo na calada do calor, quando dormiam os outros pássaros.” Nesse trecho de “Uma história de amor”, percebe-se um uso mais convencional e menos inovador da língua, o que se opõe à narrativa de “Campo geral”.
  3. As inovações, no aspecto linguístico, apresentam-se na exploração criativa das possibilidades da língua, como ocorre na sugestividade sonora da repetição em “Suava. Suava.” Ou na expressividade sintático-semântica do verbo aluir, em “Miguilim tinha mesmo que descansar, perdera a força de aluir com um dedo.”
  4. Ainda na passagem “Miguilim tinha mesmo que descansar, perdera a força de aluir com um dedo” e em toda a narrativa de “Campo geral” é notória a simpatia que o narrador tem por seu protagonista.

06. (Fuvest) Olhava mais era para Mãe. Drelina era bonita, a Chica, Tomezinho. Sorriu para Tio Terêz: – “Tio Terêz, o senhor parece com Pai...” Todos choravam. O doutor limpou a goela, disse: – “Não sei, quando eu tiro esses óculos, tão fortes, até meus olhos se enchem d’água...” Miguilim entregou a ele os óculos outra vez. Um soluçozinho veio. Dito e a Cuca Pingo-de-Ouro. E o Pai. SEMPRE ALEGRE, MIGUILIM... SEMPRE ALEGRE, MIGUILIM... Nem sabia o que era alegria e tristeza. Mãe o beijava. A Rosa punha-lhe doces-de-leite nas algibeiras, para a viagem. Papaco-o-Paco falava, alto, falava.

In: Manuelzão e Miguilim; João Guimarães Rosa.

Neste trecho de “Campo Geral”, de Guimarães Rosa, as expressões em maiúsculo retomam, ao final da narrativa,

  1. os versos sertanejos cantados pelo vaqueiro Salúz, em seu desejo de consolar Miguilim.
  2. a mensagem inicial de Tio Terêz, unindo, assim, o princípio e o fim da história.
  3. as lições de conformidade e alegria de Mãitina a Miguilim, enraizados no catolicismo popular.
  4. a derradeira lição da sabedoria do Dito, reforçada depois por seu Aristeu.
  5. o ensinamento do Grivo, cuja pobreza extrema era, no entanto, fonte de doçura e alegria.

07. (Fuvest) Considere atentamente as seguintes afirmações sobre a novela “Campo geral” (“Miguilim”), de Guimarães Rosa:

I. A sabedoria precoce do pequeno Dito é decisiva para o aprendizado de Miguilim, seja nas experiências imediatas do cotidiano, seja na investigação do valor e do sentido profundos dessas experiências.

II. Por meio da personagem Miguilim, o autor nos mostra que a vida rústica do sertanejo é pobre como experiência - o que pode ser compensado pela imaginação poética de quem sabe desligar-se daquela vida.

III. No momento final da narrativa, é em sentido literal e simbólico que um novo mundo se revela para Miguilim - mundo que também se abre para uma vida de novas experiências.

A leitura atenta da novela permite concluir que apenas:

  1. as afirmações I e III são corretas.
  2. as afirmações I e II são corretas.
  3. as afirmações II e III são corretas.
  4. a afirmação II é correta.
  5. a afirmação III é correta.

08. (UFRGS) Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre sentimentos de personagens de Campo Geral, da obra Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa.

( ) Miguilim odiava seu Pai, pela violência das surras e castigos que ele lhe impunha: mandar embora a cadela, ou soltar os passarinhos que estavam nas gaiolas.

( ) As rezas da avó e os feitiços de Mãitina enfim surtiram efeito: Miguilim passou a se sentir culpado pela morte do irmão.

( ) Miguilim detestava o Mutum, mas, com a ajuda dos óculos do doutor, acabou finalmente descobrindo que se tratava de um lugar bonito.

( ) Dito sentiu inveja de Miguilim porque Papaco-o-Paco era capaz de dizer “ – Miguilim, Miguilim, me dá um beijim”, mas não conseguia pronunciar “Dito”.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

  1. F – V – F – F.
  2. F – V – F – V.
  3. V – V – F – V.
  4. V – F – V – V.
  5. V – F – V – F.

09. (ENEM) “De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro de roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo. – Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome? – Miguilim. Eu sou irmão do Dito. – E o seu irmão Dito é o dono daqui? – Não, meu senhor. O Ditinho está em glória. O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia: – Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas que é que há, Miguilim? Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava. – Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa? – É Mãe, e os meninos... Estava Mãe, estava Tio Terez, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada. O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo: – Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora?”

ROSA, João Guimarães. Manuelzão e Miguilim. 9. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

Esta história, com narrador observador em terceira pessoa, apresenta os acontecimentos da perspectiva de Miguilim. O fato de o ponto de vista do narrador ter Miguilim como referência, inclusive espacial, fica explicitado em:

  1. O homem trouxe o cavalo cá bem junto.
  2. Ele era de óculos, corado, alto (...).
  3. O homem esbarrava o avanço do cavalo, (...).
  4. Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele (...).
  5. Estava Mãe, estava tio Terez, estavam todos.

10. (PUCCamp) Na novela “Campo Geral”, de Guimarães Rosa, o leitor compreenderá que as sofridas experiências de menino no Mutum permitirão que o protagonista, quando adulto,

  1. procure esquecê-las, valorizando a vida que passou a ter depois de superar as privações de sua infância vazia.
  2. a elas se refira de modo a compensar aqueles momentos negativos com as fantasias que agora lhes acrescenta.
  3. as retome para valorizar o aprendizado profundo da infância, que inclui as perdas afetivas e o ganho de quem as descobre.
  4. as retome para analisar sua fragilidade de criança, em meio às condições penosas daquela rotina sem revelações.

11. (UFRGS) Com base no texto Campo Geral, da obra Manuelzão e Miguilim, de João Guimarães Rosa, associe adequadamente cada uma das descrições da coluna da esquerda, abaixo, ao respectivo personagem, citado na coluna da direita.

( ) Tinha má índole; pregava peças nos outros e tinha interesse nos assuntos da sexualidade.

( ) Destacava-se pela sensatez e pela coragem; queria tudo observar e dava respostas sábias.

( ) Vestia-se de preto e chamava atenção pela magreza; gostava do escuro e de rezar.

( ) Pensava muito na morte; era sensível, solitário e não compreendia o mundo dos adultos.

1 - Dito

2 - Patori

3 - Maitiña

4 - Miguilim

5 - Vovó Izidra

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

  1. 3 – 4 – 5 – 2
  2. 4 – 1 – 3 – 5.
  3. 5 – 2 – 3 – 4.
  4. 2 – 1 – 5 – 4.
  5. 2 – 4 – 1 – 3.

12. (Faculdade Ciências Médicas-MG) A questão refere-se à obra “Campo Geral”, incluída no livro Manuelzão e Miguilim, de João Guimarães Rosa, indicada para este concurso.

“Resta explicar, rapazes, por que ligo tanto à Medicina. É ainda uma questão de pachorra, uma espécie de mal-aventurada dor-de-corno. Ninguém ignora que uma das... pegas infantis mais vulgarizadas no Brasil, e talvez no mundo, é perguntarem ao rapazinho o que ele vai ser na vida. Foi o que fizeram também comigo uma vez, eu não teria dez anos. Fiquei atrapalhado, com muita vergonha de mim, e de repente escapei: – Vou ser médico. [...] Me tornei médico às avessas, isto é, doente. Mais ou menos imaginário. Sou duma perfeição perfeccional no descrever os sintomas das doenças. Das minhas doenças. E finalmente a Medicina entorpeceu minhas leituras. [...] E quando encontro, em leituras outras, qualquer referência sobre Medicina, ficho.”

(ANDRADE, Mário de. Namoros com a medicina. São Paulo: Martins; Brasília, INL, 1972, p.7-8.)

Mário de Andrade certamente ficharia as passagens a seguir, transcritas de “Campo Geral”, EXCETO:

  1. “Mas o Dito, de repente, pegava a fazer caretas sem querer, parecia que ia dar ataque. Miguilim chamava Vovó Izidra. Não era nada. Era só a cara da doença na carinha dele.”
  2. “Era Vovó Izidra, moendo pó em seu fornilho, que era o moinho-de-mão, de pedra-sabão, com o pião no meio, mexia com o moente, que era pau cheiroso de sassafrás.”
  3. “Vovó Izidra espremia no corte talo de bálsamo da horta, depois puderam amarrar um pano em cima de outro, muitos panos, apertados.”
  4. “Vovó Izidra fez um pano molhado, com folhas-santas amassadas, amarrou na cabeça dele.”

13. (UFMG) Leia este texto:

“Vede, eis a pedra brilhante dada ao contemplativo; ela traz um nome novo, que ninguém conhece, a não ser aquele que a recebe.” (Ruysbroek, o Admirável)

O uso de expressões populares são frequentes em Campo Geral.

Assinale a alternativa em que essa afirmativa NÃO se confirma.

  1. “ Vez em quando, comiam, de sal, ou cocadas de buriti, dôce de leite, (...)”
  2. “Ter um lugarim, reunir certa quantidade de meninos de por aqui por em volta, tão precisados, assim é que vale. O bom real é o legal de todos...”
  3. “Só Drelina era quem queria gostar: - “Fumaça percura é formosura...”
  4. “Tomezinho e o Dito corriam, no pátio, cada um com uma vara de pau, eram cavalinhos que tinham até nomes dados”

Instrução: Leia o texto a seguir para responder à questão 14.

Estava Mãe, estava tio Terêz, estavam todos.

O senhor alto e claro se apeou.

O outro, que vinha com ele, era um camarada.

O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim.

Depois perguntava a ele mesmo:

– “Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando?

E agora?”Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.

– Este nosso rapazinho tem a vista curta.

Espera aí, Miguilim...

E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.

– Olha, agora! Miguilim olhou.

Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as

árvores, as caras das pessoas.

Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no

chão de uma distância.

E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo...

O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava tudo como

era, como tinha visto. Mãe esteve assim assustada: mas o senhor dizia que aquilo era do modo

mesmo, só que Miguilim também carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com

eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim batia

descompassado, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria pretinha, à Mãitina. A Chica

veio correndo atrás, mexeu:

– Miguilim, você é piticego...

” E ele respondeu:

– “Donazinha...”

ROSA, João Guimarães. Manuelzão e Miguilim. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

14. (IFNMG) Com base em seus conhecimentos acerca da prosa produzida por Guimarães Rosa, pode-se afirmar que as características comuns a sua escrita comparecem nesse trecho, EXCETO:

  1. Uso de neologismos e de uma linguagem escrita muito parecida com a linguagem oral.
  2. Escrita sem rigor estético, cheia de erros de português, a fim de criticar a falta de cultura do homem sertanejo.
  3. Narrativa com ideais filosóficos que levam à reflexão da existência humana.
  4. Os fatos narrados têm como cenário o sertão mineiro, por isso são retratados hábitos, paisagens e dialetos típicos dessa região.

20. (UFMG) texto 1

A cegueira e o saber 6

Leio notícia de que foi inaugurado em Paris um restaurante onde as pessoas têm

a oportunidade de viver a experiência da vida de um cego, pois aí os clientes comem

no mais completo escuro. Chama-se, apropriadamente, Dans Le noir (“No escuro”).

Os garçons são cegos, e não apenas servem, mas atuam como guias levando os

fregueses até suas mesas. O restaurante está na moda. Situa-se ali perto do Beaubourg

e até o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin foi experimentar comer no escuro.

A coisa ocorre assim: “Antes de entrar na sala totalmente escura, os clientes

deixam em armários com cadeados, no bar do restaurante, relógios, isqueiros,

celulares e qualquer outro objeto que emita a mínima luz. Os pratos também são

escolhidos antes de entrar no recinto. Entre as opções, ‘ menu surpresa’, que só

será descoberto quando o garfo for levado à boca”. A experiência supera qualquer

instalação. As pessoas passam por três ambientes com cortinas nos quais a luz vai

rareando até a sala escura, onde há muito barulho, pois, para compensar a falta de

visão, as pessoas falam alto. A surpresa aumenta quando o cliente descobre que tem

outras pessoas à sua mesa.

Foi um ex-banqueiro e consultor de marketing social quem teve essa idéia.

E diz a matéria veiculada num site da BBC e mandada pela médica brasileira Mônica

Campos, residente nos Estados Unidos, que alguns clientes acham-se ridículos durante

a experiência, outros têm crise de choro e angústia, mas o fato é que o restaurante

está sempre lotado. As pessoas pagam para não ver.

É pitoresco, mas repito: as pessoas pagam para não ver, pagam para comerem

no escuro.

Não deixa de ser sintomático que se abra um restaurante onde os que veem

vão experimentar a cegueira, exatamente numa cultura de hipervisualização. Como

se estivéssemos fatigados de ver, agora queremos não-ver. Que seja por algumas

horas, não importa. É como se a poluição visual tivesse chegado a tal extremo, que

se sente a necessidade de recuperar outros sentidos, experimentando o “desver”

para, quem sabe, ver de novo.

Tomo esse restaurante como uma metáfora paradoxal de nossa época. A

modernidade que descobriu e aperfeiçoou a fotografia, e que, tendo conseguido

essa façanha, mobilizou-a criando o cinema e logo a seguir instalou a televisão

dentro de nossas casas para que víssemos o mundo e o universo 24 horas por dia;

a mesma modernidade que vem com essa enxurrada de letras e palavras em camisetas,

vitrines, anúncios luminosos, que nos manda imagens dos planetas mais distantes

e de detalhes das guerras e misérias mais horrendas; essa modernidade que é um

constante espetáculo de striptease, no qual o público e o privado, ou melhor, a sala de

visitas e a privada se acoplaram, essa modernidade, de tanto ver, já não vê. O mundo

é projetado como clipe de imagens esfaceladas acompanhadas por um ruído ou ritmo

qualquer. E, de repente, na “Cidade Luz ”, pagamos caro para comer no escuro.

SANTA’NNA, Affonso Romano de. A cegueira e o saber 6. IN_: A cegueira e o saber. Rio de Janeiro: Rocco, 2006, p. 26-27. (Fragmento).

Em todas as alternativas abaixo, apresentam-se afirmativas que associam elementos da narrativa de Campo Geral ao texto 1.

Preencha os parênteses em branco usando V para afirmativas verdadeiras e F para afirmativas FALSAS.

I - Em ambos os textos, a ação na narrativa ocorre em espaços distintos. ( )

II - O narrador do texto 1 é o mesmo que o narrador de Campo Geral. ( )

III - Em ambos os textos, a ação na narrativa ocorre em um tempo mítico. ( )

IV - Em ambos os textos, o ato de comer ultrapassa o paladar. ( )

V - No texto 1, as experiências são fabricadas; em Campo Geral, são naturais. ( )

Assinale a sequência CORRETA.

  1. V F F F V
  2. V V F F F
  3. F F V F V
  4. F V F F F

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