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Clarice Lispector: A hora da Estrela

Lista de 10 exercícios de Literatura com gabarito sobre o tema Clarice Lispector: A hora da Estrela com questões de Vestibulares.


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01. (FGV-SP) Ele se aproximou e com a voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe:

- E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a passear?

- Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa, antes que ele mudasse de ideia.

- E se me permite, qual é mesmo a sua graça?

- Macabéa.

- Maca – o quê?

- Béa, foi obrigada a completar.

- Me desculpe mas até parece doença, doença de pele.

Clarice Lispector, A hora da estrela.

De acordo com estudiosos de A hora da estrela, muitos dos diálogos entre Macabéa e Olímpico, como o acima reproduzido, possuem, primordialmente, a dupla funcionalidade de produzir, ao mesmo tempo,

  1. dramaticidade e sarcasmo.
  2. choque e repulsa moral.
  3. identificação e pena.
  4. comicidade e crítica social.
  5. tragicidade e estranhamento.

02. (UFMS) Em A hora da estrela, de Clarice Lispector, acompanhamos a história de Macabeá, jovem nordestina que vive, no Rio de Janeiro, uma existência solitária e anônima, marcada por privações de todo o tipo. Nessa obra, a escrita clariceana alterna momentos em que se expressa de um modo direto, próprio para remeter à dureza da vida de sua personagem central, como outros em que emprega diversos recursos afeitos à linguagem poética, como no relato do encontro de Macabéa com Olímpico de Jesus.

“Maio, mês das borboletas noivas flutuando em brancos véus. Sua exclamação talvez tivesse sido um prenúncio do que ia acontecer no final da tarde desse mesmo dia: no meio da chuva abundante encontrou (explosão) a primeira espécie de namorado de sua vida, o coração batendo como se ela tivesse englutido um passarinho esvoaçante e preso. O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram como dois nordestinos, bichos da mesma espécie que se farejam. Ele a olhara enxugando o rosto molhado com as mãos. E a moça, bastou-lhe vê-lo para torná-lo imediatamente sua goiaba-com-queijo.”s.

(LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. 23 ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995. p. 59).

A respeito do trecho acima, é correto afirmar que:

  1. ao se referir à exclamação de Macabéa como um possível “prenúncio do que ia acontecer”, o narrador realça o traço de fatalidade que paira sobre as ações e a vida da personagem no desenrolar da história.
  2. a suavidade que se depreende da frase inicial acaba por conferir a todo o parágrafo um sentido romântico, criando o ambiente necessário para o primeiro encontro entre Macabéa e Olímpico.
  3. a comparação que associa o bater do coração a um pássaro, ao mesmo tempo, livre e preso aponta diretamente para a simplicidade do sentimento amoroso, o que marca as ações de Macabéa ao longo da narrativa.
  4. a imagem “bichos da mesma espécie que se farejam”, remetendo à condição nordestina de Macabéa e Olímpico, revela um preconceito do narrador em torno da origem desses personagens.
  5. ao atribuir a Macabéa um olhar sobre Olímpico como “sua goiaba-com-queijo”, o narrador indica uma de suas características marcantes ao longo da história, a de mulher apegada às coisas fúteis da vida.

03. (UFN) Em A hora da estrela, de Clarice Lispector, a história é contada por um personagem masculino, ________________. Ele é simultaneamente narrador, personagem e criador da narrativa. Assim, pode-se dizer que há uma narração em ________________, nas passagens em que ele participa da trama que conduz. E ocorre a ______________ nos momentos em que ele apenas conta a trajetória de Macabéa, como escritor e narrador.

Assinale a alternativa que completa as lacunas do trecho acima com o nome do personagem e o ponto de vista do narrador, respectivamente.

  1. Olímpico de Jesus – 1ª pessoa – 3ª pessoa
  2. Raimundo Silveira – 1ª pessoa – 1ª pessoa
  3. Olímpico de Jesus – 3ª pessoa – 3ª pessoa
  4. Rodrigo S.M. – 1ª pessoa – 3ª pessoa
  5. Rodrigo S.M. – 1ª pessoa – 1ª pessoa

04. (FGV-SP) Escrevo neste instante com algum prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e logo se coagular em cubos de geleia trêmula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela – e é claro que a história é verdadeira embora inventada –, que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.

Clarice Lispector, A hora da estrela.

Dos efeitos expressivos presentes nos trechos do texto reproduzidos abaixo, o único que NÃO está corretamente identificado é:

  1. “prévio pudor” (aliteração).
  2. “o meu coágulo” (metáfora).
  3. “de geleia trêmula” (antítese).
  4. “é verdadeira embora inventada” (paradoxo).
  5. “coisa mais preciosa que ouro” (símile).

05. (UDESC) TEXTO 2

[1] – Macabéa! Tenho grandes notícias para lhe dar! Preste atenção, minha flor,

porque é da maior importância o que vou lhe dizer. É coisa muito séria e muito alegre:

sua vida vai mudar completamente! E digo mais: vai mudar a partir do momento em que

você sair da minha casa! Você vai se sentir outra. Fique sabendo, minha florzinha, que

[5] até o seu namorado vai voltar e propor casamento, ele está arrependido! E seu chefe

vai lhe avisar que pensou melhor e não vai mais lhe despedir!

Macabéa nunca tinha tido coragem de ter esperança.

Mas agora ouvia a madama como se ouvisse uma trombeta vinda dos céus –

enquanto suportava uma forte taquicardia. Madama tinha razão: Jesus enfim prestava

[10] atenção nela. Seus olhos estavam arregalados por uma súbita voracidade pelo futuro

(explosão). E eu também estou com esperança enfim.

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, 1ª ed., pp. 76 e 77.

Analise as proposições em relação à obra A hora da estrela, Clarice Lispector, e ao Texto 2.

I. No período “o seu namorado vai voltar e propor casamento” (linha 5) alterando-se o verbo destacado para o futuro do subjuntivo não há modificação do verbo, e tem-se: se o seu namorado voltar e propor casamento.

II. Em “Preste atenção, minha flor, porque é da maior importância o que vou lhe dizer.” (linhas 1 e 2) ocorre erro no emprego do imperativo afirmativo. O correto é: Presta atenção, minha flor, porque é da maior importância o que vou lhe dizer.

III. Infere-se, da leitura da obra, que as quatro Marias, que moravam na pensão com Macabéa, tinham importante papel na narrativa, uma vez que eram o único elo entre a personagem principal e a realidade que a circundava.

IV. Ao solicitar uma ação de Macabéa em: “Preste atenção, minha flor, porque é da maior importância o que vou lhe dizer” (linhas 1 e 2), o narrador utilizou a função apelativa.

V. Macabéa não tinha consciência de si mesma, de sua existência e, por momentos, até pensava que era feliz.

Assinale a alternativa correta.

  1. Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras.
  2. Somente as afirmativas IV e V são verdadeiras.
  3. Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
  4. Somente as afirmativas II e III são verdadeiras.
  5. Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras.

06. (UEMA) Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui.

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Na passagem “eu me morreria simbolicamente todos os dias”, o pronome me exemplifica

  1. um uso linguístico inadequado ao contexto do gênero discursivo de que faz parte o fragmento.
  2. o emprego pontual da próclise completando a regência verbal do verbo, de acordo com a norma padrão da língua.
  3. um monólogo sem perder de vista a denotação da linguagem para evitar desvios ou a subjetividade do leitor.
  4. o emprego convencional da linguagem literária que exige construções sintáticas rigorosas na produção textual.
  5. a importância da subjetividade no emprego da palavra na linguagem literária para (re)criar interpretações expressivas.

07. (UEMA) A metalinguagem ganha relevo no processo narrativo de A hora da estrela. O narrador Rodrigo S. M., dada a insistente angústia de que o ato de escrever sobre a obtusa Macabéa lhe provoca, coloca-se também como uma personagem que experiencia a autocrítica ao mesmo tempo em que se sente fatalmente ligado à personagem que criara. Isso se evidencia na seguinte passagem:

  1. “Desculpai-me mas, vou continuar a falar de mim que sou meu desconhecido, e ao escrever me surpreendo um pouco pois descobri que tenho um destino”.
  2. “Pareço conhecer nos menores detalhes essa nordestina, pois se vivo com ela. E com muito adivinhei a seu respeito, ela se me grudou na pele qual melado pegajoso ou lama negra”.
  3. “Com esta história eu vou me sensibilizar, e bem sei que cada dia é um dia roubado da morte. Eu não sou um intelectual, escrevo com o corpo. E o que escrevo é uma névoa úmida”.
  4. “(Esta história são apenas fatos não trabalhados de matéria-prima e que me atingem direto antes de eu pensar. Sei muita coisa que não posso dizer. Aliás pensar o quê?)”.
  5. “(Escrevo sobre o mínimo parco enfeitando-o com púrpura, joias e esplendor. É assim que se escreve? Não, não é acumulando e sim desnudando. Mas tenho medo da nudez, pois ela é a palavra final.)”

08. (UDESC) [1] Ele: – Pois é.

Ela: – Pois é o quê?

Ele: – Eu só disse pois é!

Ela: – Mas “pois é” o quê?

[5] Ele: – Melhor mudar de conversa porque você não me entende.

Ela: – Entender o quê?

Ele: – Santa Virgem, Macabéa, vamos mudar de assunto e já!

Ela: – Falar então de quê?

Ele: – Por exemplo, de você.

[10] Ela: – Eu?!

Ele: – Por que esse espanto? Você não é gente? Gente fala de gente.

LISPECTOR, Clarice. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p. 48.

Assinale a alternativa incorreta em relação ao período: “Quando eu era mulher-dama já ia juntando meu dinheirinho, dando porcentagem à chefa, é claro.” (Lispector, Clarice. A hora da estrela, p. 75.)

  1. O vocábulo “mulher-dama” é um substantivo composto, e refere-se à madame Carlota; se pluralizado fica mulheres-damas.
  2. O período é composto, formado por quatro orações, sendo que a segunda e a terceira orações são reduzidas do gerúndio, em relação à primeira oração que é a principal.
  3. A palavra “já”, no período, indica uma circunstância de tempo.
  4. O substantivo “dinheirinho” quanto à flexão de grau é diminutivo sintético, e o sufixo -inho está sendo usado para indicar valor afetivo.
  5. A palavra “mulher-dama”, sintaticamente, é predicativo do sujeito, e “dando”, quanto à transitividade, é verbo transitivo direto e indireto.

09. (ENEM PPL 2011) Ele se aproximou e com a voz cantante de nordestino

que a emocionou, perguntou-lhe:

— E se me desculpe, senhorinha, posso convidar a

passear?

— Sim, respondeu atabalhoadamente com pressa,

antes que ele mudasse de ideia.

— E se me permite, qual é mesmo a sua graça?

— Macabea.

— Maca ? o quê?

— Bea, foi ela obrigada a completar.

— Me desculpe mas até parece doença, doença

de pele.

— Eu também acho esquisito mas minha mãe botou

ele por promessa a Nossa Senhora da Boa Morte se

eu vingasse, até um ano de idade eu não era chamada

porque não tinha nome, eu preferia continuar a nunca ser

chamada em vez de ter um nome que ninguém tem mas

parece que deu certo — parou um instante retomando o

fôlego perdido e acrescentou desanimada e com pudor

— pois como o senhor vê eu vinguei... pois é...

[...]

Numa das vezes em que se encontraram ela afinal

perguntou-lhe o nome.

Olímpico de Jesus Moreira Chaves ? mentiu

ele porque tinha como sobrenome apenas o de Jesus,

sobrenome dos que não têm pai. [...]

— Eu não entendo o seu nome ? disse ela. ?

Olímpico?

Macabea fingia enorme curiosidade escondendo

dele que ela nunca entendia tudo muito bem e que isso

era assim mesmo. Mas ele, galinho de briga que era,

arrepiou-se todo com a pergunta tola e que ele não

sabia responder. Disse aborrecido:

— Eu sei mas não quero dizer!

— Não faz mal, não faz mal, não faz mal... a gente

não precisa entender o nome.

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1978 (fragmento).

Na passagem transcrita, a caracterização das personagens e o diálogo que elas estabelecem revelam alguns aspectos centrais da obra, entre os quais se destaca a

  1. ênfase metalinguística nas falas dos personagens, conscientes de sua limitação linguística e discursiva.
  2. relação afetiva dos personagens, por meio da qual tentam superar as dificuldades de comunicação.
  3. expressividade poética dos personagens, que procuram compreender a origem de seus nomes.
  4. privação da palavra, que denota um dos fatores da exclusão social vivida pelos personagens.
  5. consciência dos personagens de que o fingimento é uma estratégia argumentativa de persuasão.

10. (Mackenzie) Domingo ela acordava mais cedo para ficar mais tempo sem fazer

nada.

O pior momento de sua vida era nesse dia ao fim da tarde: caía

em meditação inquieta, o vazio do seco domingo. Suspirava. Tinha

[5] saudade de quando era pequena – farofa seca – e pensava que fora

feliz. Na verdade por pior a infância é sempre encantada, que susto.

Nunca se queixava de nada, sabia que as coisas são assim mesmo

e – quem organizou a terra dos homens? [...] Juro que não posso

fazer nada por ela. Afianço-vos que se eu pudesse melhoraria as

[10] coisas. Eu bem sei que dizer que a datilógrafa tem o corpo cariado

é um dizer de brutalidade pior que qualquer palavrão.

Clarice Lispector, A hora da estrela

Assinale a alternativa correta.

  1. Um narrador de terceira pessoa, observador, descreve, “de fora”, a figura feminina; essa distância justifica o seguinte comentário: Juro que não posso fazer nada por ela [...] se eu pudesse melhoraria as coisas (linhas de 08 a 10).
  2. O relato põe em evidência traços caracterizadores da personagem: o rancor (meditação inquieta, o vazio do seco domingo – linha 04) e a frustração (Tinha saudade – linhas 04 e 05).
  3. O tempo da narração coincide com o tempo dos acontecimentos vivenciados pela personagem, como prova o uso do imperfeito – acordava (linha 01) – e do pronome “esse” (nesse, linha 03).
  4. Há segmentos que expressam a fusão das vozes no fluxo narrativo, como, por exemplo, que susto (linha 06).
  5. Embora o narrador deixe no relato índices de sua rejeição às atitudes da personagem – a referência à preguiça (linhas 01 e 02), por exemplo – evita tratá-la de forma desrespeitosa, como prova o uso do pronome vos (linha 09).

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