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Alguma Poesia

Lista de 10 exercícios de Literatura com gabarito sobre o tema Alguma Poesia (Carlos Drummond de Andrade) com questões de Vestibulares.




01. (PUC-Campinas) Regimes que se dizem cristãos e que derivam sua autoridade de um determinado corpo de textos já variaram do reino feudal de Jerusalém aos shakers, do império dos tsares russos à República Holandesa, da Genebra de Calvino à Inglaterra georgiana. Em épocas distintas, a teologia cristã absorveu Aristóteles e Marx. Todos afirmavam provir dos ensinamentos de Cristo – embora em geral desagradando a outros cristãos igualmente convencidos de sua cristandade.

(HOBSBAWM, Eric. Como mudar o mundo. Marx e o marxismo (1840-2011). São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 312)

A diversidade de teses e posições do modernismo de 22 abrigou vocações que eram ao mesmo tempo libertárias e religiosas, provocando, por vezes, disposições contrárias como a de Carlos Drummond de Andrade nestes versos de Alguma poesia:

  1. Se meu verso não deu certo foi seu ouvido que entortou.
    Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta?
  2. Gastei uma hora pensando um verso
    Que a pena não quer escrever.
  3. Jesus já cansado de tanto pedido
    dorme sonhando com outra humanidade.
  4. O jornal governista ridiculariza seus versos,
    os versos que ele sabia bons.
  5. A noite caiu na minh’alma,
    fiquei triste sem querer.

02. (UNEB) O sobrevivente

Impossível compor um poema a essa altura da

[evolução da humanidade.

Impossível escrever um poema – uma linha que seja –

[de verdadeira poesia.


O último trovador morreu em 1914.

Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.


[5] Há máquinas terrivelmente complicadas para as

[necessidades mais simples.

Se quer fumar um charuto aperte um botão.

Paletós abotoam-se por eletricidade.

Amor se faz pelo sem-fio.

Não precisa estômago para digestão.


[10] Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta

muito para atingirmos um nível razoável de

cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.


Os homens não melhoram

e matam-se como percevejos.

[15] Os percevejos heroicos renascem.

Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.

E se os olhos reaprendessem a chorar seria um

[segundo dilúvio.

(Desconfio que escrevi um poema.)

DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Alguma poesia [1930]. Poesia Completa. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 2002. p. 26.

Marque com V ou com F, conforme sejam, respectivamente, verdadeiras ou falsas as afirmativas sobre o texto.

( ) Uma comparação entre o início do poema (v. 1-2) e seu final (v. 18) permite inferir que o poeta, frente à trágica configuração do mundo, desiste de procurar entende-lo através de sua poesia.

( ) Na segunda estrofe (v. 5-9), as constatações do poeta se voltam para a difusão generalizada da tecnologia que retira a naturalidade das ações humanas, sufocando até mesmo o lirismo do amor.

( ) Em relação à possibilidade de melhoria do ser humano e de progresso do mundo, o poeta expressa pessimismo, nos versos de 10 a 12, revelando seu senso crítico e sua ironia.

( ) A comparação entre homens e percevejos (v. 13-14) destaca a irracionalidade da destruição da humanidade provocada pelas guerras e, ao mesmo tempo, a insistência heroica na preservação da espécie humana.

( ) O título do poema é uma alusão à esperança do poeta de que ele e sua poesia possam atravessar incólumes as grandes adversidades anunciadas para o século XX.

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a

  1. V V V V V
  2. V F V F F
  3. V F F V F
  4. F V V V F
  5. F V F V V

03. (UEMA) A obra Alguma poesia, publicada em 1930, marca a estreia de um dos mais emblemáticos escritores da literatura brasileira, Carlos Drummond de Andrade. O poema que segue integra a referida obra e serve como base para a questão proposta.

Também já fui brasileiro

Eu também já fui brasileiro

Moreno como vocês.

Ponteei viola, guiei forde

E aprendi nas mesas dos bares

Que o nacionalismo é uma virtude.

Mas há uma hora em que os bares se fecham

E todas as virtudes se negam.


Eu também já fui poeta.

Bastava olhar para uma mulher,

pensava logo nas estrelas

e outros substantivos celestes.

Mas eram tantas, o céu tamanho,

Minha poesia perturbou-se.


Eu também já tive meu ritmo.

Fazia isto, dizia aquilo.

E meus amigos me queriam,

meus inimigos me odiavam.

Eu irônico deslizava

Satisfeito de ter meu ritmo.

Mas acabei confundindo tudo.

Hoje não deslizo mais não,

Não sou irônico mais não,

Não tenho mais ritmo mais não.

Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

A construção poética de "Também já fui brasileiro" reflete o(a)

  1. negação dos valores proclamados pela arte moderna no Brasil.
  2. violação dos padrões poéticos estabelecidos no Brasil até o Modernismo.
  3. distanciamento da poesia brasileira da arte poética dos ritmos e das virtudes.
  4. retomada da rítmica clássica no ato de construção proposta pelo Romantismo.
  5. rompimento com as ideias nacionalistas, procurando uma arte poética antibrasileira.

04. (UPF) Primeiro grande poeta a se afirmar após as estreias modernistas, Carlos Drummond de Andrade publica, na década de 1930, os livros Alguma poesia e Brejo das almas, marcados pelo individualismo e pelo humor do poeta gauche. Entretanto, desde Sentimento do mundo, publicado no início da década de 1940, nota-se a emergência de um(a) ___________ na produção do poeta mineiro, e o livro A rosa do povo, de 1945, assinala, justamente, o momento culminante e derradeiro da ___________ de Drummond, composta sob os anos trágicos e sombrios da Segunda Guerra Mundial.

Assinale a alternativa cujas informções preenchem corretamente as lacunas do enunciado.

  1. sentimento ufanista / poesia nacionalista.
  2. senso participante / poesia metafísica.
  3. pendor filosofante / poesia metafísica
  4. sentimento nostálgico / poesia memorialística.
  5. concepção formalista / poesia experimental.

05. (UEMA) Leia o poema a seguir extraído da obra Alguma poesia, de Carlos Drummond de Andrade, em que o autor descreve o cotidiano familiar.

Família

Três meninos e duas meninas,

sendo uma ainda de colo.

A cozinheira preta, a copeira mulata,

o papagaio, o gato, o cachorro,

as galinhas gordas no palmo de horta

e a mulher que trata de tudo.


A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,

o cigarro, o trabalho, a reza,

a goiabada na sobremesa de domingo,

o palito nos dentes contentes,

o gramofone rouco toda noite

e a mulher que trata de tudo.


O agiota, o leiteiro, o turco,

o médico uma vez por mês,

o bilhete todas as semanas

branco! mas a esperança sempre verde.

A mulher que trata de tudo

e a felicidade.

Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

Considerando os aspectos linguísticos no referido texto, verifica-se que,

  1. em “o médico uma vez por mês” (ref. 1), o vocábulo destacado classifica-se como artigo por acrescentar uma noção particular ao substantivo a que está associado.
  2. no verso “e a mulher que trata de tudo”, há uma oração que pode ser substituída pelo adjetivo tratante, sem provocar alteração no sentido do texto.
  3. no segundo verso “sendo uma ainda de colo.”, a forma verbal introduz uma explicação que caracteriza o cotidiano familiar.
  4. do ponto de vista semântico, utilizou-se um processo de enumeração, ao longo do poema, no qual predomina uma classe de palavras cuja função primordial é designar.
  5. no verso “o bilhete todas as semanas” (ref. 2), “todas” está adverbializado pela presença do artigo.

06. (UNEMAT) No livro Alguma poesia (2010, p. 87), Carlos Drummond de Andrade escreve:

ANEDOTA BÚLGARA

Era uma vez um czar naturalista

que caçava homens. Quando lhe disseram que também se caçam

[borboletas e andorinhas,

ficou muito espantado

e achou uma barbaridade.

Sobre o poema é correto afirmar que:

  1. trata da alienação que a literatura provoca nos homens.
  2. discute um assunto muito atual, que é a queda das ditaduras no mundo.
  3. é um protesto contra a destruição da natureza.
  4. tem a estrutura dos contos de fadas.
  5. levanta questões de consciência e alienação.

07. (UNEMAT) Leia os dois poemas extraídos de Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade.

Sentimental

Ponho-me a escrever teu nome / com letras de macarrão. / No prato, a sopa esfria, cheia de escamas / e debruçados na mesa todos contemplam / esse romântico trabalho. Desgraçadamente falta uma letra, / uma letra somente / para acabar teu nome! – Está sonhando? Olhe que a sopa esfria! Eu estava sonhando... / E há em todas as consciências um cartaz amarelo: / “Neste país é proibido sonhar.”

Poema do Jornal

O fato ainda não acabou de acontecer / e já a mão do repórter / o transforma em notícia. / O marido está matando a mulher. A mulher ensangüentada grita. / Ladrões arrombam o cofre. / A polícia dissolve o meeting. / A pena escreve. Vem da sala de linotipos a doce música mecânica.

Em relação aos dois poemas, assinale a alternativa incorreta.

  1. O verso “esse romântico trabalho” assinala uma ruptura com relação à estética romântica, aludindo de forma humorada à cena da escrita do nome da amada com letras tiradas da sopa que esfria.
  2. Nas duas primeiras estrofes de Sentimental, o eu lírico se dirige diretamente à amada, sendo ela mesma quem, na terceira estrofe, o desperta de seu sonho, por meio do verso “–Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!”
  3. A complexa relação entre o acontecimento e seu registro simultâneo e irrefletido é tema do “Poema do Jornal”.
  4. Há um forte aspecto fotográfico no último poema, que causa o efeito de um eu lírico que apenas registra o que vê.
  5. O verso “Vem da sala de linotipos a doce música mecânica” registra com amargura irônica a banalização da vida humana na fria mesa tipográfica, como se veiculasse de forma urgente e repetitiva uma mesma notícia.

08. (UNEMAT) Um dos temas presentes em Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade, é a crítica a um tipo de poesia convencional e provinciana, de forte teor antimodernista.

Assinale a alternativa que serve como exemplo dessa postura crítica.

  1. Era a sombra de meu bem / que morreu há tanto tempo
  2. A mão que escreve este poema / não sabe que está escrevendo
  3. Gastei uma hora pensando um verso / que a pena não quer escrever
  4. A saparia toda de Minas / coaxa no brejo humilde
  5. Mariquita, dá cá o pito, / no teu pito está o infinito

09. (Fuvest) Chega!

Meus olhos brasileiros se fecham saudosos.

Minha boca procura a "Canção do Exílio".

Como era mesmo a "Canção do Exílio"?

Eu tão esquecido de minha terra...

Ai terra que tem palmeiras

onde canta o sabiá!

(Carlos Drummond de Andrade, "Europa, França e Bahia", ALGUMA POESIA)

Neste excerto, a citação e a presença de trechos.............. constituem um caso de..............

Os espaços pontilhados da frase acima deverão ser preenchidos, respectivamente, com o que está em:

  1. do famoso poema de Álvares de Azevedo / discurso indireto.
  2. da conhecida canção de Noel Rosa / paródia.
  3. do célebre poema de Gonçalves Dias/ intertextualidade.
  4. da célebre composição de Villa-Lobos/ ironia.
  5. do famoso poema de Mário de Andrade / metalinguagem.

10. (UNIPE) Anedota Búlgara

Era uma vez um czar naturalista

que caçava homens.

Quando lhe disseram que também se

[caçam borboletas e andorinhas,

ficou muito espantado

e achou uma barbaridade.

Carlos Drummond de Andrade, “Alguma poesia”

Quanto aos recursos de estilo tipicamente modernista presentes no poema, assinale V, para as proposições verdadeira e F, para as a falsas.

( ) O poema é composto em versos chamados “livres”, pois não obedecem às convenções da métrica tradicional, isossilábica.

( ) No poema, há o registro de linguagem coloquial, característico das narrativas orais.

( ) O humor, no poema (outro ingrediente de predileção modernista), é essencial ao efeito crítico que compromete a sua estrutura poética.

( ) No poema, percebe-se uma fina ironia sobretudo nos versos “ficou muito espantado/ e achou uma barbaridade”

A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a

  1. V V F V
  2. F F V F
  3. V V V V
  4. V F V F
  5. F V F V

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