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Clara dos Anjos: Lima Barreto

Lista de 10 exercícios de Literatura com gabarito sobre o tema Clara dos Anjos: Lima Barreto com questões de Vestibulares.


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01. (UFPR) Considere o seguinte trecho do romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto:

Por esse intrincado labirinto de ruas e bibocas é que vive uma grande parte da população da cidade, a cuja existência o governo fecha os olhos, embora lhe cobre atrozes impostos, empregados em obras inúteis e suntuárias noutros pontos do Rio de Janeiro.

(Clara dos Anjos, p. 38.)

Com base no trecho selecionado e na leitura integral do romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto, assinale a alternativa correta.

  1. O narrador é imparcial ao descrever os cenários do subúrbio e de outros pontos da cidade, demonstrando neutralidade na constatação das diferenças entre as regiões.
  2. O subúrbio é descrito ora de modo realista, ora de modo idealizado, contribuindo para a construção de uma visão, por vezes, romantizada da pobreza.
  3. O narrador disseca com rigor quase sociológico os problemas políticos da época, citando fatos e personagens históricos reais que se misturam à narrativa.
  4. O romance apresenta o ambiente do subúrbio aliando a descrição pormenorizada do espaço físico à caracterização dos personagens que o habitam.
  5. Os vários bairros e personagens que estão nos arredores da linha férrea do trem urbano são descritos como um conjunto indiferenciado, como se cada bairro não tivesse sua característica própria.

02. (UFPR) No romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto, o narrador tece considerações generalizantes a respeito da sociedade de sua época, ao mesmo tempo em que narra a vida da protagonista, de sua família e a malandragem de Cassi Jones. A respeito de aspectos da construção de Clara ou de fatos de que ela participa, assinale a alternativa correta.

  1. A afirmação “é próprio do nosso pequeno povo fazer uma extravagante amálgama de religiões e crenças de toda a sorte, e socorrer-se desta ou daquela, conforme os transes e momentâneas agruras de sua existência” (capítulo I) explica a frequência de Clara a igrejas e templos de diferentes religiões.
  2. A frase “A gente pobre é difícil de se suportar mutuamente; por qualquer ninharia, encontrando ponto de honra, brigando, especialmente as mulheres” (capítulo VII) alude às provocações que Clara desferia contra suas vizinhas.
  3. A ponderação “Cada um de nós, por mais humilde que seja, tem que meditar, durante a sua vida, sobre o angustioso mistério da Morte, para poder responder cabalmente, se o tivermos que o fazer, sobre o emprego que demos a nossa existência” (capítulo VIII) refere-se à cena da morte de Clara.
  4. O comentário “O seu ideal na vida não era adquirir uma personalidade, não era ser ela, mesmo ao lado do pai ou do futuro marido. Era constituir função do pai, enquanto solteira, e do marido, quando casada. Não imaginava as catástrofes imprevistas da vida” (capítulo VIII) prenuncia as dificuldades que Clara enfrentou no seu casamento com Cassi.
  5. A análise “A educação que recebera, de mimos e vigilâncias, era errônea. Ela devia ter aprendido da boca dos seus pais que a sua honestidade de moça e de mulher tinha todos por inimigos, mas isto ao vivo, com exemplos, claramente...” (capítulo X) denuncia a frágil educação recebida por Clara como responsável pelo seu destino.

03. (UFU) ―Mamãe, Mamãe!

―Que é minha filha?

―Nós não somos nada nesta vida.

Todos os Santos -Rio de Janeiro-Dezembro de 1921-janeiro de 1922.

BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. Tecnoprint/Ediouro, s/d. p. 77.

De acordo com o trecho acima, assinale a alternativa correta.

  1. O diálogo entre dona Engrácia e sua filha Clara simboliza de forma alegórica a desumanização da mulher negra e pobre, numa sociedade regida por D. Pedro I, mas manipulada por uma elite branca preconceituosa.
  2. Este pequeno diálogo pode ser considerado uma metáfora de uma classe social típica da Primeira República: indivíduos escravos, sem perspectiva de ascensão econômica, os quais lutavam pela assinatura da Lei Áurea.
  3. O diálogo entre Clara e sua mãe, Engrácia, que aparece ao final do romance Clara dos Anjos, publicado em plena Monarquia, simboliza a falta de perspectiva da mulher negra, analfabeta e pobre.
  4. Este pequeno diálogo, que fecha o final do romance Clara dos Anjos, pode ser considerado uma metáfora do sofrimento de uma classe social que, mesmo com a assinatura da Lei Áurea, continuava estigmatizada etnicamente.

04. (UFU) A muito custo, devido às insistências de Dona Margarida, consentira em ajudá-la nos bordados, trabalhados para fora, com o que ia ganhando algum dinheiro. Não que ela fosse vadia, ao contrário, mas tinha um tolo escrúpulo de ganhar dinheiro por suas próprias mãos. Parecia tolo a uma moça ou a uma mulher.

BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. São Paulo: Tecnoprint/Ediouro, s/d, p.72.

Em relação às personagens D. Margarida e Clara, é correto afirmar que:

  1. Dona Margarida é caracterizada, no romance, como alguém indiferente aos sofrimentos de Clara dos Anjos, tornando-se, a cada dia, uma triste senhora, muito apática e distante dos compromissos e dos relacionamentos familiares.
  2. Dona Margarida, sogra de Clara dos Anjos, sempre se compadeceu da nora, menina simples e pobre, tratando, desde sempre, de ajudá-la financeiramente, ensinando-a ganhar seu próprio dinheiro com pequenos trabalhos de agulha.
  3. Dona Margarida, personagem secundária do enredo de Lima Barreto, tem enorme influência no desenvolvimento emocional e psíquico de Clara dos Anjos, incentivando-a, inclusive, a se casar com o aventureiro Cassi Jones.
  4. Dona Margarida pode ser considerada uma personagem oposta à protagonista Clara dos Anjos, uma vez que é uma mulher mais objetiva e pragmática frente à vida, menos sonhadora e mais realista diante dos relacionamentos humanos.

05. (IFSUL) A questão se refere ao livro Clara dos Anjos, de Lima Barreto:

"O drama da pobreza e do preconceito racial constitui também o núcleo de Clara dos Anjos, romance inacabado, vindo à luz postumamente, mas cuja primeira redação remonta a 1904/05 [...] A proximidade da composição e do tema está a definir a necessidade de expressão autobiográfica em que penava o jovem Lima Barreto. As humilhações do mulato encarna-as Clara dos Anjos, moça pobre do subúrbio, seduzida e desprezada por um rapaz de extração burguesa.”

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. p.323

O desfecho da história se dá com Clara sendo humilhada pela mãe de Cassi Jones. A conclusão a que chega a protagonista, depois dessa cena, indica a:

  1. desvalorização da família suburbana, pela sociedade carioca.
  2. busca de reconhecimento de seus valores morais, por parte da jovem.
  3. necessidade de ascender socialmente, como forma de se impor, no meio social.
  4. consciência quanto ao preconceito étnico e social, por parte da protagonista.

06. (FAG) Sobre o romance “Clara dos Anjos” de Lima Barreto é correto afirmar que:

  1. Clara dos Anjos tem como tema central o racismo e o lugar ocupado pela mulher na sociedade carioca no início do século XX.
  2. O personagem principal do romance é Joaquim dos Anjos, chefe da seita bíblica, homem tenaz cheio de eloquência bíblica faz seus adeptos ouvir a palavra. Quando os adeptos se acham preparados põem-se a propagá-la.
  3. Clara dos Anjos é uma obra representativa da escola literária denominada Realismo.
  4. Cassi Jones é um exemplar herói ao modelo romântico.
  5. Escrito e ambientado no Rio de Janeiro, o romance trata das profundas mudanças urbanas e sociais que a cidade vinha passando. Sem idealização alguma, o autor fala sobre essa realidade que ele testemunhava em seus aspectos mais baixos: a exploração humana, a desonestidade, o crime.

07. (Campo Real ) Leia atentamente o seguinte trecho do romance de Lima Barreto:

O que era preciso, tanto a ela como às suas iguais, era educar o caráter, revestir-se de vontade, como possuía essa varonil Dona Margarida, para se defender de Cassi e semelhantes, e bater-se contra todos os que se opusessem, por este ou aquele modo, contra a elevação dela, social e moralmente. Nada a fazia inferior às outras, senão o conceito geral e a covardia com que elas o admitiam...

(Clara dos Anjos, p. 118)

Levando em conta o trecho acima e a leitura integral do romance, assinale a alternativa correta.

  1. A reflexão final da personagem Clara dos Anjos reforça, mais uma vez, seu caráter frágil e inocente, apresentado pela personagem diante de Cassi Jones.
  2. O exemplo de Dona Margarida anima Clara a pensar que sua vida poderia ser diferente e que ela poderia se tornar protagonista de sua própria história.
  3. A mãe de Cassi Jones se opõe ao próprio filho, e seu apoio incondicional a Clara dos Anjos lhe traz ânimo e conforto.
  4. A representação da condição feminina de Clara dos Anjos por Lima Barreto não considera a diferença entre negras e brancas.
  5. Clara dos Anjos inicia, depois dessa reflexão, uma nova trajetória que Lima Barreto narra detalhadamente ao fim do livro.

08. (Campo Real) “Clara era uma natureza amorfa, pastosa, que precisava mãos fortes que a modelassem e fixassem. Seus pais não seriam capazes disso. A mãe não tinha caráter, no bom sentido, para o fazer; limitava-se a vigiá-la caninamente; e o pai, devido aos seus afazeres, passava a maioria do tempo longe dela. E ela vivia toda entregue a um sonho lânguido de modinhas e descantes, entoadas por sestrosos cantores, como o tal Cassi e outros exploradores da morbidez do violão. O mundo se lhe representava como povoado de suas dúvidas, de queixumes de viola, a suspirar amor.”

(Clara dos Anjos, p. 49)

Considerando o trecho selecionado e a integridade do romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto, assinale a alternativa correta.

  1. A descrição de Clara dos Anjos permite prever o desfecho da personagem.
  2. A descrição da personagem contrasta com suas atitudes para se emancipar.
  3. A descrição da personagem denuncia o conflito entre ela e o pai, que era autoritário.
  4. O romance é determinista, apresentando personagens descolados de seu ambiente.
  5. A descrição da personagem permite antever uma crítica à música e ao seu poder de sedução.

09. (Universidade Positivo) Sobre Clara dos Anjos (1948), de Lima Barreto, é INCORRETO afirmar:

  1. Cassi Jones é rapaz de família pertencente à elite carioca urbana, não possui uma profissão definida, gasta grande parte de seu tempo em uma vida boêmia, e tem por hábito seduzir moças inocentes e pobres para depois abandoná-las à sorte, como acontece com Clara.
  2. A obra de Lima Barreto demonstra uma preocupação forte em refletir sobre o processo de urbanização implementado no início do século XX no Rio de Janeiro; e o romance Clara dos Anjos pode ser tomado como um bom exemplo dessa preocupação, já que a narrativa se concentra nos subúrbios cariocas e nos dilemas de seus habitantes, em especial na integração do pobre e/ou negro à sociedade brasileira.
  3. No desenvolvimento da trama, é possível perceber uma atenção especial, ainda que não exclusiva, sobre os hábitos musicais das personagens (modinhas, polcas etc.) e a relação do homem pobre com a cultura letrada.
  4. Clara dos Anjos, romance publicado postumamente, pode ser compreendido como a narrativa do destino quase que coletivo das moças negras na sociedade brasileira, como sugere, aliás, a epígrafe escolhida pelo autor a partir de um texto do historiador João Ribeiro.
  5. O narrador do romance é onisciente intruso, isto é, não só tem um conhecimento amplo sobre as personagens e os eventos, como apresenta o sentimento dessas mesmas personagens e tece comentários, por vezes avaliativos, sobre costumes e atitudes dos envolvidos na trama.

10. (CESUPA) O seu ideal na vida não era adquirir uma personalidade, não era ser ela, mesmo ao lado do pai ou do futuro marido. Era constituir função do pai, enquanto solteira, e do marido, quando casada. Não imaginava as catástrofes imprevistas da vida, que nos empurram, às vezes, para onde nunca sonhamos ter de passar. Não via que, adquirida uma pequena profissão honesta e digna de seu sexo, auxiliaria seus pais e seu marido, quando casada fosse.

BARRETO, Lima: Clara dos Anjos. Disponível: http// www.dominiopublico.gov.br

Em Clara dos Anjos, a personagem protagonista – mulher pobre, mulata, moradora da periferia –, incorpora o papel que a sociedade da época, início do século XX, espera da mulher. Nesse sentido, o narrador critica o(a)

  1. obrigatoriedade do casamento como forma de garantir à mulher não só o sustento, mas o próprio status social que somente as casadas possuíam.
  2. falta de autonomia financeira da mulher, passando da proteção do pai para a proteção do marido, sem refletir sobre a necessidade de ter uma profissão.
  3. alcunha recebida pelas mulheres de “rainhas do lar” e a representação masculina de só serem dignas para casar se virgens, recatadas, submissas e do lar.
  4. romantismo do qual as mulheres se cercavam, fazendo com que fossem facilmente iludidas por um conquistador que só queria seduzi-las e desonrá-las.

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