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Contos Novos: Mário de Andrade

Lista de 10 exercícios de Literatura com gabarito sobre o tema Contos Novos: Mário de Andrade com questões de Vestibulares.


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Texto para as próximas duas questões

Leia o trecho retirado da obra Contos novos, de Mário de Andrade, e responda a questão.

Estou lutando desde o princípio destas explicações sobre a desagregação da nossa amizade, contra uma razão que me pareceu inventada enquanto escrevia, para sutilizar psicologicamente o conto. Mas agora não resisto mais. Está me parecendo que entre as causas mais insabidas, tinha também uma espécie de despeito desprezador de um pelo outro... Se no começo invejei a beleza física, a simpatia, a perfeição espiritual normalíssima de Frederico Paciência, e até agora sinto saudades de tudo isso, é certo que essa inveja abandonou muito cedo qualquer aspiração de ser exatamente igual ao meu amigo. Foi curtíssimo, uns três meses, o tempo em que tentei imitá-lo. Depois desisti, com muito propósito. E não era porque eu conseguisse me reconhecer na impossibilidade completa de imitá-lo, mas porque eu, sinceramente, sabei-me lá por quê! Não desejava mais ser um Frederico Paciência!

ANDRADE, Mário de. Frederico Paciência. In: Contos novos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. p. 111-112.

01. (UEL) A morte ronda o conto “Frederico Paciência”, assim como o conto “O peru de Natal”, também incluído em Contos novos.

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o modo como a morte é abordada nesses contos.

  1. Tanto em “O peru de Natal” quanto em “Frederico Paciência” as mortes dos pais ocorrem no início das narrativas, sem causar grande comoção nas personagens que se tornaram órfãs.
  2. Em “O peru de Natal”, o pai já está morto no início da narrativa, enquanto que, em “Frederico Paciência”, a morte dos pais de Frederico ocorre na segunda metade do conto; em ambos os contos, o narrador-personagem discorre sobre essas mortes sem grande sentimentalismo.
  3. Em “O peru de Natal”, o pai morto proporciona a possibilidade de transformar a vida familiar, ao passo que, em “Frederico Paciência”, a morte dos pais de Frederico suscita a liberdade de assumir o envolvimento amoroso e sexual, usufruído pelos amigos.
  4. Em “O peru de Natal”, o filho, que é também narrador, demonstra enormes dificuldades para superar o luto; já Frederico Paciência desvencilha-se da dor com mais facilidade e convida Juca para que ambos vivam a homossexualidade sem disfarces.
  5. Em “O peru de Natal”, a morte do pai é superada na ceia pelos familiares; em “Frederico Paciência”, a morte da mãe e do pai firma-se como obstáculo decisivo para a retomada do amor entre os amigos.

02. (UEL) Sobre as correlações entre o conto “Frederico Paciência”, do volume Contos novos, de Mário de Andrade, e Clara dos Anjos, de Lima Barreto, considere as afirmativas a seguir.

I. O trecho do conto “Frederico Paciência” faz sobressair um ponto de contato com Clara dos Anjos: a desilusão, representada, na narrativa de Lima Barreto, pelo desmascaramento de Cassi Jones, e, no conto de Mário de Andrade, pelas descobertas de deslizes na constituição moral do amigo do narrador-personagem.

II. O trecho do conto “Frederico Paciência” contém confissões da fragilidade de seu narrador-protagonista, que admite suas mentiras e invenções sobre o amigo, assim como Clara dos Anjos, que se descontrola ao se ver ludibriada por Cassi Jones no desfecho da narrativa de Lima Barreto, apesar de tê-lo enganado também.

III. O trecho do conto “Frederico Paciência”, ao aludir à beleza física do amigo, admitida literalmente pelo narrador em primeira pessoa, mantém na narrativa a atração e o contato corporal entre os jovens, materializados no episódio do beijo, e que, em Clara dos Anjos, resultam na gravidez da protagonista.

IV. O trecho do conto “Frederico Paciência” cobre uma relação complexa de amizade entre dois jovens, apresentada pela perspectiva de um dos rapazes, mais livre das vulnerabilidades sentimentais do que Clara dos Anjos na narrativa homônima de Lima Barreto.

Assinale a alternativa correta.

  1. Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. Somente as afirmativas III e IV são corretas.
  4. Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

03. (UNEMAT) Em uma narrativa de Mário de Andrade, que compõe a coletânea Contos novos, um ex-fazendeiro do interior de Mato Grosso chama a atenção pela deformidade de parte do braço devorada por piranhas.

Assinale a alternativa em que o conto corresponde ao caso citado:

  1. O poço.
  2. O peru de natal.
  3. Frederico Paciência.
  4. Nelson.
  5. Tempo da camisolinha.

04. (UNEMAT) Sobre Contos Novos, de Mário de Andrade, assinale a alternativa incorreta.

  1. São narrativas de linguagem complexa, primando pela norma culta da língua: sintaxe e estrutura formal rígidas.
  2. Os procedimentos narrativos concentram a experimentação lingüística, bem ao gosto dos modernistas.
  3. Os contos de 1ª pessoa estão centrados na personagem Juca e exploram a temática social e familiar.
  4. As personagens das nove narrativas expressam a relação conflituosa entre o homem e o seu mundo.
  5. A denúncia das crises sociais alia-se à análise da problemática existencial das personagens.

05. (UCS) Leia o fragmento do conto “O peru de Natal”, de Mário de Andrade.

O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de consequências decisivas para a felicidade familiar. (...) devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, duma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, (...) desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos, descoberto por Tia Velha, uma detestável de tia; (...) eu consegui no reformatório do lar e na vasta parentagem, a fama conciliatória de “louco”.

(ANDRADE, M. de. Contos Novos. 13. ed. Belo Horizonte, Rio de Janeiro: Itatiaia, 1999. p. 71.)

Em relação aos contos de Mário de Andrade e ao fragmento apresentado, assinale a alternativa correta.

  1. O Natal em família foi triste, porque a figura do pai foi lembrada durante todo o jantar.
  2. Juca, o narrador personagem, aparece nesse conto e em outros contos do livro, como “Primeiro de Maio”.
  3. Quando a personagem Juca afirma que deu um beijo às escondidas em uma prima, é possível lembrar do que ocorreu no conto “Vestida de preto”.
  4. A personagem Tia Velha é citada por Juca nesse conto e também no conto “O ladrão”.
  5. Embora o pai de Juca privasse a família de alguns prazeres, o relacionamento dele com o pai era muito bom.

06. (UCS) Leia os fragmentos do conto “Primeiro de Maio”, do livro Contos Novos, de Mário de Andrade.

No grande dia Primeiro de Maio, não eram bem seis horas e já o 35 pulara da cama, afobado. Estava bem disposto, até alegre, ele bem afirmara aos companheiros da Estação da Luz que queria celebrar e havia de celebrar. (p. 35)

(...) Deu um ódio tal no 35, um desespero tamanho, passava um bonde, correu, tomou o bonde sem se despedir do 486, com ódio do 486, com ódio do primeiro de maio, quase com ódio de viver. (p. 41)

(ANDRADE, Mário. Contos novos. 17. ed. Belo Horizonte, Rio de Janeiro: Itatiaia, 1999.)

Em relação a essa narrativa, considere as seguintes afirmações.

I No início do conto, o 35 está eufórico porque é Primeiro de Maio e ele organizará uma grande festa em homenagem aos trabalhadores.

II O protagonista, ao longo da narrativa, vai se decepcionando e retorna para casa cansado, sem voltar ao trabalho.

III No fragmento em questão, a mudança no registro ortográfico da expressão primeiro de maio sugere uma modificação da personagem principal em relação a seu sentimento sobre essa data.

Das afirmativas acima, pode-se dizer que

  1. apenas I está correta.
  2. apenas III está correta.
  3. apenas II e III estão corretas.
  4. apenas I e III estão corretas.
  5. I, II e III estão corretas.

07. (UNITAU) “Foi correndo, estava celebrando, raspou distraído o sapato lindo na beira de tijolo do canteiro (palavrão), parou botando um pouco de guspe no raspão, depois engraxo, tomou o bonde pra cidade, mas dando uma voltinha pra não passar pelos companheiros da Estação. Que alvoroço por dentro, ainda havia de aplaudir os homens. Tomou o outro bonde pro Brás. Não dava mais tempo, ele percebia, eram quase nove horas quando chegou na cidade, ao passar pelo Palácio das Indústrias, o relógio da torre indicava nove e dez, mas o trem da Central sempre atrasa, quem sabe? bom: às quatorze horas venho aqui, não perco, mas devo ir, são nossos deputados no tal de congresso, devo ir. Os jornais não falavam nada dos trabalhistas, só falavam dum que insultava muito a religião e exigia divórcio, o divórcio o 35 achava necessário (a moça do apartamento...), mas os jornais contavam que toda a gente achava graça no homenzinho "Vós, burgueses", e toda a gente, os jornais contavam, acabaram se rindo do tal do deputado. E o 35 acabou não achando mais graça nele. Teve até raiva do tal, um soco é que merecia. E agora estava torcendo pra não chegar com tempo na Estação.”

“Primeiro de maio” in Contos novos, Mário de Andrade.

Sobre o fragmento de texto acima, e mais largamente sobre o conto, qual alternativa abaixo é INCORRETA?

  1. O contexto histórico trazido nessa narrativa ficcional politiza o texto literário.
  2. O contexto histórico trazido nessa narrativa ficcional não permite identificar com precisão a data em que se passam as ações do conto.
  3. O nome da personagem, 35, permite datar o ano de 1935 como o tempo cronológico da narrativa.
  4. As vozes do narrador e do personagem não são apresentadas organizadamente pelos discursos direto e indireto, caracterizando-se o discurso da narrativa como um discurso do tipo indireto livre.
  5. A linguagem modernista se faz presente nas marcas de oralidade da língua do cotidiano.

08. (FACASPER) Sobre Contos novos, de Mario de Andrade, é correto afirmar:

  1. O mundo dos adultos (e adolescentes) descrito nos sete contos está repleto de dubiedades e disfarces. Disfarces que chegam a um estado patológico de isolamento e fuga do convívio dos outros, caso de “Nélson”, narrado no penúltimo conto.
  2. “Atrás da catedral de Ruão” revela a imaturidade do proletário que protagoniza o conto, com consciência de classe muito rudimentar, em cuja mente o leitor penetra por meio do discurso indireto livre muito bem manipulado pelo narrador.
  3. Em “Vestida de preto”, o francês das aulas que mademoiselle ministra às três donzelas participa da mascarada e do desmascaramento, criando uma solidariedade secreta de conspiração entre elas.
  4. “Tempo de camisolinha” é a história do primeiro beijo do casalzinho de cinco anos. Beijo que deixa o protagonista “completamente puro”, não tivessem os adultos destruído essa pureza, que leva à tragicomédia das simulações.
  5. O último conto, “Frederico Paciência”, evoca de novo a infância e a expulsão do paraíso, ao retratar uma criança que tem a cara “enfarinhada dos palhaços” e que sem querer “fecha a porta atrás de si, dando três voltas à chave”.

09. (Enem PPL 2015) O peru de Natal

O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de consequências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, duma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres.

ANDRADE, M. In: MORICONI, I. Os cem melhores contos brasileiros do século. São Paulo: Objetiva, 2000 (fragmento)

No fragmento do conto de Mário de Andrade, o tom confessional do narrador em primeira pessoa revela uma concepção das relações humanas marcada por

  1. distanciamento de estados de espírito acentuado pelo papel das gerações.
  2. relevância dos festejos religiosos em família na sociedade moderna.
  3. preocupação econômica em uma sociedade urbana em crise
  4. consumo de bens materiais por parte de jovens, adultos e idosos.
  5. pesar e reação de luto diante da morte de um familiar querido.

10. (PUC-Campinas) Ia devagar porque estava matutando. Era a esperança dum turumbamba macota, em que ele desse uns socos formidáveis nas fuças dos polícias. Não teria raiva especial dos polícias, era apenas a ressonância vaga daquele dia. Com seus vinte anos fáceis, o 35 sabia, mais da leitura dos jornais que de experiência, que o proletariado era uma classe oprimida. E os jornais tinham anunciado que se esperava grandes "motins" do Primeiro de Maio, em Paris, em Cuba, no Chile, em Madri.

O 35 apressou a navalha de puro amor. Era em Madri, no Chile que ele não tinha bem lembrança se ficava na América mesmo, era a gente dele ... Uma piedade, um beijo lhe saía do corpo todo, feito proteção sadia de macho, ia parar em terras não sabidas, mas era a gente dele, defender, combater, vencer...Comunismo! .... Sim, talvez fosse isso. Mas o 35 não sabia bem direito, ficava atordoado com as notícias, os jornais falavam tanta coisa, faziam tamanha mistura de Rússia, só sublime ou só horrenda, e o 35 infantil estava por demais machucado pela experiência pra não desconfiar, o 35 desconfiava. Preferia o turumbamba porque não tinha medo de ninguém, nem do Carnera, ah, um soco bem nas fuças dum polícia ... A navalha apressou o passo outra vez. Mas de repente o 35 não imaginou mais em nada por causa daquele bigodinho de cinema que era a milhor preciosidade de todo o seu ser. Lembrou aquela moça do apartamento, é verdade, nunca mais tinha passado lá pra ver se ela queria outra vez, safada! Riu.

(Mário de Andrade. Primeiro de Maio. Contos novos. 10.ed. São Paulo: Martins / Belo Horizonte: Itatiaia, 1980. p. 36)

Há nesse trecho elementos suficientes para que se possa afirmar, a partir do que vai remoendo a personagem identificada como “o 35”, que Mário de Andrade dá voz

  1. à rigorosa e consequente consciência política de um trabalhador brasileiro.
  2. à completa alienação política, fruto do desinteresse geral, que marca o operariado da época.
  3. às cogitações estéticas de que se ocupa até mesmo o mais modesto dos trabalhadores.
  4. às aspirações de um líder comunista, que busca divisar a Revolução proletária num horizonte próximo.
  5. aos desnorteios de um trabalhador, dentro do qual se agitam vagas informações políticas e impulsos de violência.

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