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Angústia: Graciliano Ramos

Lista de 10 exercícios de Literatura com gabarito sobre o tema Angústia: Graciliano Ramos com questões de Vestibulares.


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01. (FUVEST) — Posso furar os olhos do povo?

Esta frase besta foi repetida muitas vezes e, em falta de coisa melhor, aceitei-a. Sem dúvida. As mulheres hoje não vivem como antigamente, escondidas, evitando os homens. Tudo é descoberto, cara a cara. Uma pessoa topa outra. Se gostou, gostou; se não gostou, até logo. E eu de fato não tinha visto nada. As aparências mentem. A terra não é redonda?

Esta prova da inocência de Marina me pareceu considerável. Tantos indivíduos condenados injustamente neste mundo ruim! O retirante que fora encontrado violando a filha de quatro anos — estava aí um exemplo. As vizinhas tinham visto o homem afastando as pernas da menina, todo o mundo pensava que ele era um monstro. Engano. Quem pode lá jurar que isto é assim ou assado? Procurei mesmo capacitar-me de que Julião Tavares não existia. Julião Tavares era uma sensação. Uma sensação desagradável, que eu pretendia afastar de minha casa quando me juntasse àquela sensação agradável que ali estava a choramingar.

Graciliano Ramos, Angústia

Em termos críticos, esse fragmento permite observar que, no plano maior do romance Angústia, o ponto de vista

  1. se acomoda nos limites da vulgaridade.
  2. tenta imitar a retórica dos dominantes.
  3. reproduz a lógica do determinismo social.
  4. atinge a neutralidade do espírito maduro.
  5. revira os lados contrários da opinião.

Textos para as questões 02 e 03

Os textos literários são obras de discurso, a que falta a imediata referencialidade da linguagem corrente; poéticos, abolem, “destroem” o mundo circundante, cotidiano, graças à função irrealizante da imaginação que os constrói. E prendem‐nos na teia de sua linguagem, a que devemo poder de apelo estético que nos enleia; seduz‐nos o mundo outro, irreal, neles configurado (...). No entanto, da adesão a esse “mundo de papel”, quando retornamos ao real, nossa experiência, ampliada e renovada pela experiência da obra, à luz do que nos revelou, possibilita redescobri‐lo, sentindo‐o e pensando‐o de maneira diferente e nova. A ilusão, a mentira, o fingimento da ficção, aclara o real ao desligar‐se dele, transfigurando‐o; e aclara‐o já pelo insight que em nós provocou.

Benedito Nunes, “Ética e leitura”, de Crivo de Papel.

O que eu precisava era ler um romance fantástico, um romance besta, em que os homens e as mulheres fossem criações absurdas, não andassem magoando‐se, traindo‐se. Histórias fáceis, sem almas complicadas. Infelizmente essas leituras já não me comovem.

Graciliano Ramos, Angústia.

Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo. Nenhuma concessão ao gosto do público. Solilóquio doido, enervante.

Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, em nota a respeito de seu livro Angústia.

Se o discurso literário “aclara o real ao desligar‐se dele, transfigurando‐o”, pode‐se dizer que Luís da Silva, o narrador‐ protagonista de Angústia, já não se comove com a leitura de “histórias fáceis, sem almas complicadas” porque

02. (FUVEST 2020) TEXTOS PARA A QUESTÃO

  1. rejeita, como jornalista, a escrita de ficção.
  2. prefere alienar‐se com narrativas épicas.
  3. é indiferente às histórias de fundo sentimental.
  4. está engajado na militância política.
  5. se afunda na negatividade própria do fracassado.

03. (FUVEST) Para Graciliano Ramos, Angústia não faz concessão ao gosto do público na medida em que compõe uma atmosfera

  1. dramática, ao representar as tensões de seu tempo.
  2. grotesca, ao eliminar a expressão individual.
  3. satírica, ao reduzir os eventos ao plano do riso.
  4. Ingênua, ao simular o equilíbrio entre sujeito e mundo.
  5. alegórica, ao exaltar as imagens de sujeira.

04. (UFN) Segundo Sergius Gonzaga, Angústia, de Graciliano Ramos, “é um dos romances mais amargos da literatura brasileira”.

(Fonte: GONZAGA, Sergius. Manual de Literatura Brasileira. 8.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1991).

  1. A compaixão da noiva pelo personagem principal, Luís da Silva, é um alento em meio à trama amarga e triste.
  2. Luís da Silva, personagem central, narra suas frustrações, mas, apesar disso, mantém um clima bem-humorado.
  3. Apesar da miséria econômica, o personagem central não corrompe seus ideais e sua integridade.
  4. Em um cenário cheio de agonia, a incapacidade de equilíbrio de Luís da Silva reside principalmente sobre a miséria econômica.
  5. Pode-se dizer que Angústia, de Graciliano Ramos, é a obra inaugural do chamado Romance de 30 no Brasil.

05. (UFAM PSC) Assinale a afirmativa INCORRETA sobre o enredo de Angústia:

  1. A história do romance é contada por seu protagonista, Luís da Silva, último filho de uma família rural decadente.
  2. O narrador é um homem atormentado pelas lembranças do tratamento rude recebido na infância, pelas figuras do avô e do cangaceiro José Bahia, migra para a cidade, passa também ali por misérias e humilhações, mas termina conseguindo um emprego como jornalista.
  3. O narrador é um homem culto, funcionário público e jornalista, de vida urbana, mas de origem rural, de modo que o romance é narrado com brutalidade da linguagem e, em alguns momentos, em linguagem erótica.
  4. O narrador é um homem atormentado que tem as visões do seu passado recobradas na memória. Angústia é, portanto, a história contada após o abalo nervoso que o assassinato lhe provocara.
  5. Luís da Silva, o narrador de Angústia, ao fim da vida, busca na memória os eventos que possam esclarecer as causas da sua infelicidade, do noivado com sua vizinha, Marina, até a morte de Julião, em uma narrativa linear do passado para o presente.

06. (UFRGS) Leia as seguintes afirmações sobre a obra de Graciliano Ramos.

Leia as seguintes afirmações sobre a obra de Graciliano Ramos.

I - No romance Angústia , Luís da Silva narra seu dilema de ou casar-se com a vizinha Marina ou mudar-se para o Rio de Janeiro para trabalhar como funcionário público.

II - Em São Bernardo , Paulo Honório, narrador protagonista, recupera sua trajetória de sucesso econômico, mas de fracasso afetivo.

III- No romance Vidas secas , é narrada a dura trajetória de uma família de retirantes, que luta contra as condições adversas, tanto naturais como sociais.

Quais estão corretas?

  1. Apenas I.
  2. Apenas II.
  3. Apenas I e II.
  4. Apenas II e III.
  5. I, II e III.

07. (PUC-SP) O crítico Álvaro Lins, analisando o romance “Angústia”, de Graciliano Ramos, assim se expressa: “As personagens são projeções da personagem principal. Julião Tavares e Marina só existem para que Luís da Silva se atormente e cometa o seu crime. Tudo vem ao encontro do personagem principal – inclusive o instrumento do crime”. De acordo com esse texto e considerando a trama do romance, é possível depreender-se que:

  1. Luís da Silva e Julião Tavares são projeções de um mesmo sentimento, qual seja o de destruição e morte de Marina.
  2. Luís da Silva, acometido por uma crise de ciúme, mata Marina, a vizinha por quem nutria uma paixão recalcada.
  3. O instrumento do crime ocorrido na narrativa foi um pedaço de cano que, segundo Luís da Silva era “uma arma terrível, sim senhor, rebenta a cabeça dum homem”.
  4. Julião Tavares seduz Marina, ex-namorada de Luís da Silva, e este se vinga, estrangulando-o com um pedaço de corda, presente de Seu Ivo.
  5. Traído e espezinhado no orgulho de homem por Julião Tavares, Luís da Silva usa uma cobra como instrumento para enforcar o rival.

08. (UDF) Aponte o item que melhor conceitua a obra Angústia, de Graciliano Ramos.

  1. Essa obra complementa Memórias do Cárcere, do mesmo autor, relativamente às suas memórias, mas sem o seu envolvimento político.
  2. Narrativa ficcional de forte tendência psicológica, seguindo o fluxo do pensamento do narrador em 1ª pessoa.
  3. A exemplo das narrativas de Jorge Amado e Érico Veríssimo, em Angústia, Graciliano Ramos privilegia a ação, de forma a registrar o universo das tradições nordestinas.
  4. Em Angústia, o autor movimenta as personagens em ações que lhe permitem registrar as relações exteriores entre pessoas de diferentes crenças e origens, como num painel ou palco teatral.
  5. Os contos reunidos no volume Angústia, de interação psicológica, assemelham-se aos de Insônia, do mesmo autor, e a algumas coletâneas de Clarice Lispector. 36 Graciliano Ramos

09. (UFAM PSC) Texto:

Quando eu ainda não sabia nadar, meu pai me levava para ali, segurava-me um braço e atirava-me num lugar fundo. Puxava-me para cima e deixava-me respirar um instante. Em seguida repetia a tortura. Com o correr do tempo aprendi natação com os bichos e livrei-me disso.Mais tarde, na escola de mestre Antônio Justino, li a história de um pintor e de um cachorro que morria afogado. Pois para mim era no poço da Pedra que se dava o desastre. Sempre imaginei o pintor com a cara de Camilo Pereira da Silva, e o cachorro parecia-se comigo.

Se eu pudesse fazer o mesmo com Marina, afogá-la devagar, trazendo-a para a superfície quando ela estivesse perdendo o fôlego, prolongar o suplício um dia inteiro...

Debaixo da chuva, a mangueira do quintal está toda branca. O papagaio na cozinha bate as asas, sacudindo os salpicos que vêm da biqueira. Afago o pelo macio do meu gato mourisco, que dorme enroscado numa cadeira. As ideias ruins desaparecem. Marina desaparece.

Ponho-me a vagabundear em pensamento pela vila distante, entro na igreja, escuto os sermões e os desaforos que padre Inácio pregava aos matutos: – “Arreda, povo, raça de cachorro com porco.” Sento-me no paredão do açude, ouço a cantilena dos sapos. Vejo a figura sinistra de seu Evaristo enforcado e os homens que iam para a cadeia amarrados de cordas. Lembro-me de um fato, de outro fato anterior ou posterior ao primeiro, mas os dois vêm juntos. E os tipos que evoco não têm relevo. Tudo empastado, confuso. Em seguida os dois acontecimentos se distanciam e entre eles nascem outros acontecimentos que vão crescendo até me darem sofrível noção de realidade. As feições das pessoas ganham nitidez. De toda aquela vida havia no meu espírito vagos indícios. Saíram do entorpecimento recordações que a imaginação completou.

A escola era triste. Mas, durante as lições, em pé, de braços cruzados, escutando as emboanças de mestre Antônio Justino, eu via, no outro lado da rua, uma casa que tinha sempre a porta escancarada mostrando a sala, o corredor e o quintal cheio de roseiras. Moravam ali três mulheres velhas que pareciam formigas.

A partir da leitura do texto anterior, retirado do livro Angústia, de Graciliano Ramos, pode-se afirmar:

I. O primeiro parágrafo traz o transtorno emocional do narrador em sua relação com o pai. A brincadeira no poço não o ensinara a nadar, antes, era uma tortura. O narrador explica que aprendeu a nadar com os bichos.

II. O narrador é um homem atormentado, de ideias agressivas, até mesmo homicidas, como se vê no segundo parágrafo, o que se justifica pelo tratamento recebido na infância.

III. Ao observar e acarinhar seus bichos de estimação “as ideias ruins desaparecem. Marina desaparece”. Esse trecho comprova que Marina é a causa primeira de tudo o que atormenta Luís da Silva.

IV. Apesar da relação difícil com o pai, as memórias da infância do narrador são afáveis: a vida farta na fazenda, os belos sermões do padre Inácio e as lições inesquecíveis do mestre Antônio Justino.

V. A metáfora produzida com animais demonstra a inferioridade com que Luís percebe a si e aos outros.

  1. Somente as afirmativas I, II e V estão corretas.
  2. Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas.
  3. Somente as afirmativas II, III e V estão corretas.
  4. Somente as afirmativas III, IV e V estão corretas.
  5. Todas as afirmativas estão corretas.

10. (PUC-RS) INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no excerto do romance Angústia, de Graciliano Ramos, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).

Há criaturas que não suporto. Os vagabundos, por exemplo. Parece-me que eles cresceram muito, e, aproximando-se de mim, não vão gemer peditórios: vão gritar, exigir, tomar-me qualquer coisa.

Certos lugares que me davam prazer tornaram- -se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição. (...)

Vivo agitado, cheio de terrores, uma tremura nas mãos, que emagrecem. As mãos já não são minhas: são mãos de velho, fracas e inúteis. (...) Se pudesse, abandonaria tudo e recomeçaria as minhas viagens. Esta vida monótona, agarrada à banca das nove horas ao meio-dia e das duas às cinco, é estúpida. Vida de sururu. Estúpida. (...) Penso no meu cadáver, magríssimo, com os dentes arreganhados, os olhos como duas jabuticabas sem casca, os dedos pretos do cigarro cruzados no peito fundo.

Os conhecidos dirão que eu era um bom tipo e conduzirão para o cemitério, num caixão barato, a minha carcaça meio bichada. Enquanto pegarem e soltarem as alças, revezando-se no mister piedoso e cacete de carregar defunto pobre, procurarão saber quem será o meu substituto na Diretoria da Fazenda.

Considerando o excerto e seu contexto, afirma-se:

( ) O narrador pode ser caracterizado como um sujeito revoltado e solitário, que não suporta o meio social no qual está inserido.

( ) Ao se aproximar de uma livraria, a voz narrativa propõe uma analogia, comparando a venda de livros à prostituição.

( ) O narrador imagina-se como morto no contexto de seu próprio e deplorável funeral, no qual o único interesse será a nomeação de alguém para substituí-lo na repartição pública.

( ) Diferentemente de Angústia, o romance São Bernardo, também de Graciliano Ramos, centraliza-se na felicidade do narrador, que faz um balanço da sua vida sob o prisma do otimismo e da redenção.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

  1. V – V – V – F
  2. F – F – V – V
  3. V – V – F – V
  4. V – V – V – V
  5. F – F – V – F

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