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João Ubaldo Ribeiro

Lista de 10 exercícios de Literatura com gabarito sobre o tema João Ubaldo Ribeiro com questões de Vestibulares.




01. (PUC-RS) INSTRUÇÃO: Para responder à questão, leia o excerto do romance Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro.

– O senhor sabe quem foi Dadinha, meu avô?

– Então não sei? Não foi nada, não foi coisa nenhuma, foi uma velha gorda, corró, mentirosa, safadosa...

– Não foi minha bisavó? Mãe de Turíbio Cafubá?

– Mãe de... Quem é que está te contando essas coisas? Isso é negócio daquele velho broco Zé Pinto, eu vou pegar um cacete e tacar umas porretadas na cabeça dele, para ele deixar de ser abelhudo e enxerido, quem é que tá te contando essas coisas?

– Por que o senhor não me conta também? O nome de minha mãe, o nome verdadeiro, era Naê? Quem foi o caboco Capiroba?

– Caboco capiroba? E nunca teve nenhuns cabocos Capirobas, menina, nunca teve nada disso, isso é tudo lenda! Mas será possível que eu te mando para a escola com pensionato, te boto com a melhor professora, [...] e tu agora resolve crescer com rabo de cavalo, desaprender, se prepara pra ser uma nega preta veia, em vez de gente?

Com base no texto e na obra de João Ubaldo Ribeiro, analise as afirmativas.

I. A neta tem alguma consciência de suas raízes e procura conhecer sua genealogia.

II. O avô recusa-se a falar dos antepassados da neta, pois considera o assunto vergonhoso.

III. No seu romance Sargento Getúlio, João Ubaldo Ribeiro propõe um longo monólogo de um Sargento da Polícia Militar, aproximando-se esteticamente de uma variante caboclo-sertaneja, também presente em Guimarães Rosa.

Está/Estão correta(s) a(s) afirmativa(s)

  1. I, apenas.
  2. II, apenas.
  3. I e II, apenas.
  4. II e III, apenas.
  5. I, II, III.

2. (UNISC) Leia atentamente o trecho a seguir, retirado do conto “O Santo que não acreditava em Deus”, de João Ubaldo Ribeiro.

“— É o seguinte — disse ele, dando outro suspiro. — É porque eu sou Deus.

[…]

– Está vendo aqui? Não tem nada. Está vendo alguma coisa aqui? Nada! Muito bem, daqui eu vou tirar uma porção de linhas e jogar no meio dessas azeiteiras. E dito e feito, mais ligeiro que o trovão, botou os braços para cima e tome tudo quanto foi tipo de linha saindo pelos dedos dele, parecia um arco-íris. […] Aconteceu que, na mesma hora, cada um dos anzóis que ele botou foi mordido por um carrapato e, quando ele puxou, foi aquela carrapatada no meio da canoa. Eu fiz: quá-quáquá, não está vendo tu que temos somente carrapatos? Carrapato, carrapato, disse eu, está vendo a cara do besta?

[…]

– Qual é feira de Maragogipe nem feira de Gogiperama

– disse eu, muito mais do que emputecido, e fui caindo de pau no elemento, nisso que ele se vira num verdadeiro azougue e me desce mais que quatrocentos sopapos bem medidos, equivalentemente a um catavento endoidado e, cada vez que eu levantava, nessa cada vez eu tomava uma porrada encaixada.

Terminou nós caindo das nuvens, não sei qual com mais poeira em torno da garupa. Ele, no meio da queda, me deu uns dois tabefes e me disse: está convertido, convencido, inteirado, percebido, assimilado, esclarecido, explicado, destrinchado, compreendido, filho de uma puta?”

In: MORICONI, Italo (Org.). Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 481-482.

A partir da interpretação do trecho apresentado, assinale a alternativa incorreta.

  1. Nesse conto, João Ubaldo Ribeiro elabora uma paródia a partir de elementos da religião católica.
  2. A narrativa é feita em primeira pessoa, sendo o sujeito que dialoga com Deus o narrador do conto.
  3. O narrador do conto utiliza, às vezes, um discurso indireto livre, misturando a sua fala com a de outros personagens.
  4. No trecho selecionado, as ações são narradas com bastante detalhamento, mas o espaço nomeado em que essas ações ocorrem não é descrito com muita precisão.
  5. A forma idealizada como os personagens são apresentados indicam que o conto pertence ao Romantismo brasileiro.

Texto para as questões 03 a 06

Levo ou não levo, é isso. Talvez seja melhor sofrer a sorte da gente de qualquer jeito, porque deve estar escrito. Ou é melhor brigar com tudo e acabar com tudo. Morrer é como que dormir e dormindo é quando a gente termina as consumições, por isso é que a gente sempre quer dormir. Só que dormir pode dar sonhos e aí fica tudo no mesmo. Por isso é que é melhor morrer, porque não tem sonhos, quando a gente solta a alma e tudo finda. Porque a vida é comprida demais e tem desastres. Quem aguenta a velhice que vai chegando, os espotismos e as ordens falsas, a dor de corno, as demoras em tudo, as coisas que não se entende e a ingratidão, quando a gente não merece, se a gente mesmo pode se despachar, até com uma faca? Quem é que aguenta esse peso, nessa vida que só dá suor e briga? Quem aguenta é quem tem medo da morte, porque de lá nenhum viajante voltou e isso é que enfraquece a vontade de morrer. E aí a gente vai suportando as coisas ruins, só para não experimentar outras, que a gente não conhece ainda. E é pensando que a gente fica frouxo e a vontade de brigar se amarela quando se assunta nisso, e o que a gente resolveu fazer, quando a gente se lembra disso e se desvia e acaba não se fazendo nada.

(João Ubaldo Ribeiro, Sargento Getúlio, RJ, Nova Fronteira)

03. (ESPM) O trecho: “Quem aguenta a velhice que vai chegando, os espotismos e as ordens falsas, a dor de corno, as demoras em tudo, as coisas que não se entende e a ingratidão, quando a gente não merece, se a gente mesmo pode se despachar, até com uma faca?” relata os desastres da vida. Nele só não houve menção:

  1. ao autoritarismo e às mentiras.
  2. à traição conjugal.
  3. ao desconhecido.
  4. ao suicídio.
  5. à fugacidade do tempo.

04. (ESPM) Assinale a afirmação CORRETA:

  1. os questionamentos do narrador sobre a vida ganham uma evolução até desembocar na vontade de morrer.
  2. a constatação de que na morte não há volta faz as pessoas preferirem a vida e desistirem decididamente da morte.
  3. o medo da morte e, sobretudo, do desconhecido faz com que as pessoas suportem os desastres da vida.
  4. os reveses da vida impelem o indivíduo a ser frouxo, a abdicar das iniciativas e, por fim, a não fazer nada.
  5. a sucessão de perguntas traduz a falta de respostas do narrador para os enigmas da vida após a morte.

05. (ESPM) Assinale a alternativa cuja afirmação NÃO seja condizente com o texto:

  1. o dilema inicial do narrador oscila entre ser obrigado a se sujeitar ao destino, que já está escrito, e enfrentar a tudo e a todos.
  2. o narrador protagonista estabelece um paralelo entre “morrer” e “dormir”, já que em ambos haveria a ideia de fim.
  3. “dormir” acaba sendo uma fuga para as “consumições”, ou seja, aquilo que consome o ser humano, como os sofrimentos.
  4. a morte é encarada como superior ao sono, uma vez que neste os sonhos não alterariam o quadro catastrófico da vida e naquela tudo findaria.
  5. o peso da existência se dá pelo fato de a vida não ser efêmera, além de conter muitos “suores” e “brigas”.

06. (ESPM) Aforismo é uma sentença moral breve e conceituosa, soando como máxima, como verdade. Das frases abaixo a única que NÃO pode ser considerada aforismo é:

  1. Morrer é como que dormir e dormindo é quando a gente termina as consumições...
  2. Levo ou não levo, é isso.
  3. Porque a vida é comprida demais e tem desastres.
  4. Quem aguenta é quem tem medo da morte, porque de lá nenhum viajante voltou...
  5. E é pensando que a gente fica frouxo...

INSTRUÇÃO: As questões de números 07 a 10 referem-se ao texto seguinte.

Na minha opinião, existe no Brasil, em permanente funcionamento, não fechando nem para o almoço, uma Central Geral de Maracutaia. Não é possível que não exista. E, com toda a certeza, é uma das organizações mais perfeitas já constituídas, uma contribuição inestimável do nosso país ao patrimônio da raça humana. Nada de novo é implantado sem que surja no mesmo instante, às vezes sem intervalo visível, imediatamente mesmo, um esquema bem montado para fraudar o que lá seja que tenha sido criado. [...] Exemplo mais recente ocorreu em São Paulo, mas podia ser em qualquer outra cidade do país, porque a CGM é onipresente, não deixa passar nada, nem discrimina ninguém. Segundo me contam aqui, a prefeitura de São Paulo agora fornece caixão e enterro gratuitos para os doadores de órgãos, certamente os mais pobres. Basta que a família do morto prove que ele doou pelo menos um órgão, para receber o benefício. Mas claro, é isso mesmo, você adivinhou, ser brasileiro é meramente uma questão de prática. Surgiram indivíduos ou organizações que, mediante uma módica contraprestação pecuniária, fornecem documentação falsa, “provando” que o defunto doou órgãos, para que o caixão e o enterro sejam pagos com dinheiro público.

(João Ubaldo Ribeiro. O Estado de S.Paulo, 18.09.2005.)

07. (UFSCar) A frase de João Ubaldo — E, com toda a certeza, é uma das organizações mais perfeitas já constituídas, uma contribuição inestimável do nosso país ao patrimônio da raça humana — reveste-se de um aspecto

  1. discriminatório.
  2. gentil.
  3. medíocre.
  4. irônico.
  5. ufanista.

08. (UFSCar) No trecho — uma contribuição inestimável do nosso país ao patrimônio da raça humana. —, contribuição tem como referência

  1. o Brasil, em geral.
  2. fechamento para o almoço.
  3. Central Geral de Maracutaia.
  4. a opinião do autor.
  5. a Prefeitura de São Paulo.

09. (UFSCar) O trecho — a CGM é onipresente, não deixa passar nada, nem discrimina ninguém. — pode ser reescrito, sem alteração de sentido, como:

  1. a CGM é sempre presente, não deixa passar nada, nem inocenta ninguém.
  2. a CGM é ubíqua, não deixa passar nada, nem absolve ninguém.
  3. a CGM é virtual, não deixa passar nada, nem exclui ninguém.
  4. a CGM é quase presente, não deixa passar nada, nem distingue ninguém.
  5. a CGM está presente em todo lugar, não deixa passar nada, nem segrega ninguém.

Escusando-me1 por repetir truísmo2 tão martelado, mas movido pelo conhecimento de que os truísmos são parte inseparável da boa retórica narrativa, até porque a maior parte das pessoas não sabe ler e é no fundo muito ignorante, rol no qual incluo arbitrariamente você, repito o que tantos já dizem e vivem repetindo, como quem usa chupetas: a realidade é, sim, muitíssimo mais inacreditável do que qualquer ficção, pois esta requer uma certa arrumação falaciosa3, a que a maioria dá o nome de verossimilhança. Mas ocorre precisamente o oposto. Lê-se ficção para fortalecer a noção estúpida de que há sentido, lógica, causa e efeito lineares e outros adereços que integrariam a vida. Lê-se ficção, ou mesmo livros de historiadores ou jornalistas, por insegurança, porque o absurdo da vida é insuportável para a vastidão dos desvalidos que povoa a Terra.

João Ubaldo Ribeiro

Diário do Farol. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002

1 escusando-me − desculpando-me

2 truísmo − verdade trivial, lugar comum

3 falaciosa − enganosa, ilusória

10. (UERJ) O título do texto soa contraditório, se a verossimilhança for tomada como uma semelhança com o mundo real, com aquilo que se conhece e se compreende.Essa contradição se desfaz porque, na interpretação do autor, a ficção organiza elementos da vida, enquanto a realidade é considerada como:

  1. linear
  2. absurda
  3. estúpida
  4. falaciosa

11. (UERJ) Para justificar a repetição de algo já conhecido, o autor se baseia na relação que mantém com os leitores.Com base no texto, é possível perceber que essa relação se caracteriza genericamente pela:

  1. insegurança do autor
  2. imparcialidade do autor
  3. intolerância dos leitores
  4. inferioridade dos leitores

12. (UERJ) os truísmos são parte inseparável da boa retórica narrativa, até porque a maior parte das pessoas não sabe ler(l. 1-3)

O narrador justifica a necessidade de truísmos pela dificuldade de leitura da maior parte das pessoas. Encontra-se implícita no argumento a noção de que o leitor iniciante lê melhor se:

  1. estuda autores clássicos
  2. conhece técnicas literárias
  3. identifica ideias conhecidas
  4. procura textos recomendados

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