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Sociologia

Simulado de 20 questões de Sociologia com gabarito para a Fuvest, Unesp e Unicamp com questões de Vestibulares.



01. (UNESP) O advento de chefes de Estado-empresa marca uma transição sistêmica entre o enfraquecimento do Estado-nação e o fortalecimento da corporação apoiada em sua racionalidade técnico-econômica e gerencial. Essa transferência leva, por um lado, ao esvaziamento do Estado, reduzido à administração e à gestão, e, de outro, à politização da empresa, que expande sua esfera de poder muito além de sua atividade tradicional de produção. A corporação tende a se tornar o novo poder político-cultural.

(Pierre Musso. “Na era do Estado-empresa”. http://diplomatique.org.br, 30.04.2019. Adaptado.)

  1. a apropriação das forças produtivas pelo Estado e a defesa da igualdade social.
  2. o pluralismo democrático e a redistribuição de renda por programas de assistência social.
  3. a regulamentação da força de trabalho e a defesa da produção flexível.
  4. o protecionismo econômico e a implantação de políticas fiscais contra a inflação.
  5. a adoção de privatizações e a mínima intervenção do Estado na economia.

02. (UNESP) A mídia é estética porque o seu poder de convencimento, a sua força de verdade e autoridade, passa por categorias do entendimento humano que estão pautadas na sensibilidade, e não na racionalidade. A mídia nos influencia por imagens, e não por argumentos. Se a propaganda de um carro nos promete o dom da liberdade absoluta e não o entrega, a propaganda política não vai ser mais cuidadosa na entrega de suas promessas simbólicas, mesmo porque ela se alimenta das mesmas categorias de discurso messiânico que a religião, outra grande área de venda de castelos no ar.

(Francisco Fianco. “O desespero de pensar a política na sociedade do espetáculo”. http://revistacult.uol.com.br, 11.01.2017. Adaptado.)

Considerando o texto, a integração entre os meios de comunicação de massa e o universo da política apresenta como implicação

  1. a redução da discussão política aos padrões da propaganda e do marketing.
  2. a ampliação concreta dos horizontes de liberdade na sociedade de massas.
  3. o fortalecimento das instituições democráticas e dos direitos de cidadania.
  4. o apelo a recursos intelectuais superiores de interpretação da realidade.
  5. a mobilização de recursos simbólicos ampliadores da racionalidade

03. (UNICAMP) Alguns pesquisadores falam sobre a necessidade de um “letramento racial”, para “reeducar o indivíduo em uma perspectiva antirracista”, baseado em fundamentos como o reconhecimento de privilégios, do racismo como um problema social atual, não apenas legado histórico, e a capacidade de interpretar as práticas racializadas. Ouvir é sempre a primeira orientação dada por qualquer especialista ou ativista. uma escuta atenta, sincera e empática. Luciana Alves, educadora da Unifesp, afirma que "Uma das principais coisas é atenção à linguagem. A gente tem uma linguagem sexista, racista, homofóbica, que passa pelas piadas e pelo uso de termos que a gente já naturalizou. “A coisa tá preta”, 'denegrir”, 'serviço de preto”... Só o fato de você prestar atenção na linguagem já anuncia uma postura de reconstrução. Se o outro diz que tem uma carga negativa e ofensiva, acredite”.

(Adaptado de Gente branca: o que os brancos de um país racista podem fazer pela igualdade além de não serem racistas. UOL, 21/05/2018)

Segundo Luciana Alves, para combater o racismo e mudar de postura em relação a ele, é fundamental

  1. ouvir com atenção os discursos e orientações de especialistas e ativistas.
  2. reconhecer expressões racistas existentes em práticas naturalizadas.
  3. passar por um “letramento racial” que dispense o legado histórico.
  4. prestar atenção às práticas históricas e às orientações da educadora.

04. (UNESP) O cooperativismo de consumo não está morto, mas perdeu a batalha contra o grande capital comercial, que é atacadista e varejista ao mesmo tempo. Em termos de preços e qualidade, o grande capital é imbatível. Só que é impessoal, burocrático, não permite atentar para necessidades particulares. Suas vantagens se dirigem a um público cujas preferências são pautadas pela publicidade nos meios de comunicação.

(Paul Singer. Introdução à economia solidária, 2013. Adaptado.)

Um pressuposto das relações contemporâneas de consumo, coerente com a lógica do modo de produção capitalista, é

  1. a pluralidade na produção.
  2. a diversidade dos indivíduos.
  3. a generalização de tarefas.
  4. a massificação da sociedade.
  5. a pequena escala produtiva.

05. (FUVEST) Em relação à ética e à justiça na vida política da Grécia Clássica, é correto afirmar:

  1. Tratava-se de virtudes que se traduziam na observância da lei, dos costumes e das convenções instituídas pela pólis.
  2. Foram prerrogativas democráticas que não estavam limitadas aos cidadãos e que também foram estendidas aos comerciantes e estrangeiros.
  3. Eram princípios fundamentais da política externa, mas suspensos temporariamente após a declaração formal de guerra.
  4. Foram introduzidas pelos legisladores para reduzir o poder assentado em bases religiosas e para estabelecer critérios racionais de distribuição.
  5. Adquiriram importância somente no período helenístico, quando houve uma significativa incorporação de elementos da cultura romana.

06. (UNESP) No Brasil, para uma população 54% negra (incluídos os pardos), apenas 14% dos juízes e 2% dos procuradores e promotores públicos são negros. Juízes devem ser imparciais em relação a cor, credo, gênero, e os mais sensíveis desenvolvem empatia que lhes permite colocar-se no lugar dos mais desfavorecidos socialmente. Nos Estados Unidos, várias ONGs dedicam-se a defender réus já condenados. Como resultado do trabalho de apenas uma delas, 353 presos foram inocentados em novos julgamentos desde 1989. Desses, 219 eram negros. No Brasil, é uma incógnita o avanço social que seria obtido por uma justiça cega à cor.

(Mylene Pereira Ramos. “A justiça tem cor?”. Veja, 24.01.2018. Adaptado.)

Sobre o funcionamento da justiça, pode-se afirmar que

  1. o preconceito étnico é fenômeno exclusivamente subjetivo e sem implicações na esfera pública.
  2. a neutralidade e objetividade no julgamento não estão sujeitas a fatores de natureza psicológica.
  3. a disparidade da composição étnica entre réus e juízes é um fator de crítica à atuação do Judiciário.
  4. a isenção jurídica é garantida por critérios objetivos que independem da origem étnica ou social.
  5. a imparcialidade nos julgamentos é fator que torna desnecessária a adoção de políticas afirmativas.

07. (UNESP) Em maio deste ano, a divulgação do vídeo de uma moça desacordada, vítima de um estupro coletivo, provocou grande indignação na população. Num primeiro momento, prevaleceu a revolta diante da barbárie e a percepção de que o machismo, base da chamada “cultura do estupro”, persiste na sociedade. Passado o primeiro momento, as opiniões divergentes começaram a surgir. Entre os que não veem o machismo como propulsor de crimes desse tipo estão aqueles (e aquelas!) que consideraram os autores do ato uns “monstros”, o que faz do episódio um caso isolado, perpetrado por pessoas más. Houve quem analisasse o fato do ponto de vista da psicologia, sugerindo que, num estupro coletivo, o que importa é o grupo, não a mulher (como ocorre nos trotes contra calouros e na agressão entre torcidas de futebol). Mais uma vez, temos uma reflexão que se propõe explicar os fatos à luz do indivíduo e seu psiquismo. Outros deslocam o problema para as classes sociais menos favorecidas. São os que costumam ficar horrorizados com a existência de favelas, ambientes onde meninas dançam com pouca roupa ao som das letras machistas do funk.

(Thaís Nicoleti. “Discursos em torno da ‘cultura do estupro’”. www.uol.com.br, 09.06.2016. Adaptado.)

Considerando o conjunto dos argumentos mobilizados no texto para explicar a violência contra a mulher na sociedade atual, é correto afirmar que

  1. a “cultura do estupro” é um conceito educacional relacionado sobretudo com o baixo nível de escolarização da população.
  2. as origens e responsabilidades por tais acontecimentos devem ser atribuídas tanto aos agentes quanto às vítimas da agressão.
  3. a “cultura do estupro” é um conceito científico, relacionado com desvios comportamentais de natureza psiquiátrica.
  4. os episódios de barbárie social são provocados exclusivamente pelas desigualdades materiais geradas pelo capitalismo.
  5. a abordagem opõe um enfoque antropológico, baseado em questões de gênero, a argumentos de natureza moral, psicológica e social.

08. (UNESP)

Texto 1

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido de juiz do Rio de Janeiro que reivindica que a Justiça obrigue os funcionários do prédio onde esse juiz mora a chamá-lo de “senhor” ou de “doutor”, sob pena de multa diária. Na ação judicial, o juiz argumenta que foi chamado pelo porteiro do condomínio de “você” e de “cara” e que ouviu a expressão “fala sério!” após ter feito uma reclamação.

(Mariana Oliveira. “Ministro do STF nega pedido de juiz que quer ser chamado de ‘doutor’”. http://g1.globo.com, 22.04.2014. Adaptado.)

Texto 2

O “Você sabe com quem está falando?” não parece ser uma expressão nova, mas velha, tradicional, entre nós. Na medida em que as marcas de posição e hierarquização tradicional, como a bengala, as roupas de linho branco, o anel de grau e a caneta-tinteiro no bolso de fora do paletó se dissolvem, incrementa-se imediatamente o uso da expressão separadora de posições sociais para que o igualitarismo formal e legal, mas cambaleante na prática social, possa ficar submetido a outras formas de hierarquização social.

(Roberto da Matta. Carnavais, malandros e heróis, 1983. Adaptado.)

Considerando a análise do antropólogo Roberto da Matta, o fato descrito no texto 1 pode ser corretamente interpretado como resultante

  1. da contradição entre igualitarismo liberal e autoritarismo cultural.
  2. da plena assimilação cultural dos ideais iluministas de cidadania.
  3. das tendências estatais de controle totalitário da existência cotidiana.
  4. da superação das hierarquias sociais pela universalização ética.
  5. da hegemonia ideológica da classe operária sobre a classe burguesa.

09. (UNICAMP) “Não existem culturas ou civilizações ilhadas. (...) Quanto mais insistirmos na separação de culturas e civilizações, mais imprecisos seremos sobre nós mesmos e os outros. No meu modo de pensar, a noção de uma civilização isolada é impossível. A verdadeira questão é se queremos trabalhar para civilizações separadas ou se devemos tomar o caminho mais integrador, mas talvez mais difícil, que é tentar vê-las como um imenso todo cujos contornos exatos uma pessoa sozinha não consegue captar, mas cuja existência certa podemos intuir e sentir.”

(Edward Said, Reflexões sobre o exílio e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 317.)

Sobre o conceito em questão e os contextos referidos pelo autor, é correto afirmar:

  1. o processo de globalização provocou a destruição da cultura dos povos não ocidentais e, por isso, aumentou práticas como o terrorismo a partir de 2001.
  2. a ideia de civilização, como imaginada no século XIX, produziu a emancipação das Américas e o fim da disputa colonial no mundo.
  3. o conceito de civilização foi estabelecido na Grécia Antiga e aperfeiçoado pelas práticas integradoras do imperialismo do século XIX ocorridas na África.
  4. a lógica de integração de culturas é negada por grupos radicais e pelos defensores do princípio de que vivemos em um choque de civilizações.

10. (UNESP)

Texto 1

Nunca houve no mundo tanta gente vivendo com suas necessidades básicas atendidas, nunca uma porcentagem tão alta da população mundial viveu fora da miséria – uma vitória espetacular, num planeta com 7 bilhões de habitantes. Nunca houve menos fome. Nunca tantos tiveram tanta educação nem tanto acesso à saúde.

(José Roberto Guzzo. “Um mundo de angústias”. Veja, 25.01.2017.)

Texto 2

Mais sóbrio – e talvez mais pessimista – é olhar para quanto cada grupo se apropriou do crescimento total: os 10% mais ricos da população global se apropriaram de 60% de todo o crescimento do mundo entre 1988 e 2008. Uma grande massa de população melhorou de vida, é verdade, mas o que esse dado demonstra é que poderia ter melhorado muito mais se o resultado do crescimento não terminasse tão concentrado nas mãos dos ricos. O que está em jogo é mais do que dinheiro. Em um mundo globalizado, os estados nacionais perdem força. Um grupo pequeno de pessoas com muita riqueza tem grande poder de colocar as cartas a seu favor. Em casos extremos, a desigualdade é uma ameaça à democracia.

(Marcelo Medeiros. “O mundo é o lugar mais desigual do mundo”.

http://piaui.folha.uol.com.br, junho de 2016. Adaptado.)

O confronto entre os dois textos permite concluir corretamente que

  1. ambos manifestam um ponto de vista liberal em termos ideológicos, pois repercutem as vantagens da valorização do livre mercado e da meritocracia.
  2. o texto 1 pressupõe concordância com o liberalismo econômico, enquanto o texto 2 integra problemas econômicos com tendências de retrocesso político.
  3. o texto 1 critica o progresso entendido como aperfeiçoamento contínuo da humanidade, enquanto o texto 2 valoriza a globalização econômica.
  4. ambos apresentam um enfoque crítico e negativo sobre os efeitos do neoliberalismo econômico e suas fortes tendências de diminuição dos gastos públicos.
  5. ambos manifestam um ponto de vista socialista em termos ideológicos, pois enfatizam a necessidade de diminuição da concentração de renda mundial.

11. (UNESP) A condição essencial da existência e da supremacia da classe burguesa é a acumulação da riqueza nas mãos dos particulares, a formação e o crescimento do capital; a condição de existência do capital é o trabalho assalariado. [...] O desenvolvimento da grande indústria socava o terreno em que a burguesia assentou o seu regime de produção e de apropriação dos produtos. A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros. Sua queda e a vitória do proletariado são igualmente inevitáveis.

(Karl Marx e Friedrich Engels. “Manifesto Comunista”. Obras escolhidas, vol. 1, s/d.)

Entre as características do pensamento marxista, é correto citar

  1. o temor perante a ascensão da burguesia e o apoio à internacionalização do modelo soviético.
  2. o princípio de que a história é movida pela luta de classes e a defesa da revolução proletária.
  3. a caracterização da sociedade capitalista como jurídica e socialmente igualitária.
  4. o reconhecimento da importância do trabalho da burguesia na construção de uma ordem socialmente justa.
  5. a celebração do triunfo da revolução proletária europeia e o desconsolo perante o avanço imperialista.

12. A divisão capitalista do trabalho – caracterizada pelo célebre exemplo da manufatura de alfinetes, analisada por Adam Smith – foi adotada não pela sua superioridade tecnológica, mas porque garantia ao empresário um papel essencial no processo de produção: o de coordenador que, combinando os esforços separados dos seus operários, obtém um produto mercante.

(Stephen Marglin. In: André Gorz (org.). Crítica da divisão do trabalho, 1980.)

Ao analisar o surgimento do sistema de fábrica, o texto destaca

  1. o maior equilíbrio social provocado pelas melhorias nos salários e nas condições de trabalho.
  2. o melhor aproveitamento do tempo de trabalho e a autogestão da empresa pelos trabalhadores.
  3. o desenvolvimento tecnológico como fator determinante para o aumento da capacidade produtiva.
  4. a ampliação da capacidade produtiva como justificativa para a supressão de cargos diretivos na organização do trabalho.
  5. a importância do parcelamento de tarefas e o estabelecimento de uma hierarquia no processo produtivo.

13. (UNESP) O feminismo não é uma ideologia no sentido positivo de conjunto de ideias, muito menos é uma ideologia no sentido negativo de “falsa consciência” que serviria para acobertar a disputa de poder entre homens e mulheres. O feminismo não é uma inversão ideológica. Não é uma inversão do poder. Uma inversão pressuporia sua manutenção. Em outras palavras, o feminismo não é uma manutenção do poder patriarcal com roupagem nova ou invertida que se alcança por uma ideologia de puro oposicionismo. É preciso tirá-lo do clima puramente acadêmico, do clima de qualquer pureza, branca, de classe média ou alta, de corpos autorizados, de crenças em identidades estanques e propostas como naturais pelo sistema da razão que administra a não-identidade evitando que ela floresça.

(Marcia Tiburi. “O que é feminismo?”. http://revistacult.uol.com.br. Adaptado.)

De acordo com o texto, é correto afirmar que o feminismo

  1. é um movimento político restrito a manifestações estéticas.
  2. sustenta pressupostos metafísicos baseados em essências absolutas.
  3. opõe-se à ideologia e ao poder baseando-se em noções científicas.
  4. apoia-se em um conjunto de valores eurocêntricos e patriarcais.
  5. manifesta-se favoravelmente a singularidades no campo do gênero.

14. (UNESP) Em março de 1988, o modelo sindical levado por Lindolfo Collor para o Ministério do Trabalho completou 57 anos de idade. Em todos estes anos foi olhado com suspeita pelos empresários e com bastante desconfiança pelos grupos socialistas, comunistas e pela esquerda em geral. Atribuía-se sua criação, na década de 30, à influência das doutrinas autoritárias e fascistas então na moda.

(Letícia Bicalho Canêdo. A classe operária vai ao sindicato, 1988.)

Entre as características do modelo citado no texto, sobressaíam

  1. o direito de greve e a valorização da luta de classes.
  2. a unicidade sindical por categoria e o corporativismo.
  3. a liberdade de organização sindical e a conscientização política dos trabalhadores.
  4. o predomínio de lideranças de esquerda e a autonomia de atuação dos sindicatos.
  5. o controle governamental e a sindicalização obrigatória dos trabalhadores.

15. (UNICAMP) Consideramos estas verdades como autoevidentes: que todos os homens e mulheres foram criados iguais; que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis. Entre os direitos inalienáveis estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Para garantir esses direitos, os governos são instituídos. Os poderes do governo emanam do consentimento daqueles que são governados. Qualquer governo que se torna destrutivo para os direitos inalienáveis pode ser destituído por aqueles que sofrem. Os que sofrem podem recusar lealdade e exigir a instituição de um novo governo. E assim tem sido o sofrimento das mulheres sob este governo. E, por isso, é necessário exigir uma mudança.

(Adaptado de Elizabeth Cady Stanton, A History of Woman Suffrage, v. 1. Rochester: Fowler and Wells, 1889, p. 70-71.)

Assinale a alternativa correta.

O documento acima integra

  1. a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, baseada nos princípios de Jean-Jacques Rousseau e do Pacto Social.
  2. a Declaração da primeira Convenção dos Direitos das Mulheres nos Estados Unidos da América, que reconhece os princípios liberais de John Locke e o direito à propriedade privada, ampliando-os.
  3. a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, baseada nos princípios de Thomas Paine, que reconhece como direitos inalienáveis a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
  4. a Declaração da primeira Convenção dos Direitos das Mulheres nos Estados Unidos da América, baseada nos princípios de Alexis de Tocqueville, que se opunha à democracia na América.

16. (UNESP) A escola que se autointitula a primeira colocada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocupa, ao mesmo tempo, a 1a e a 569a posição no ranking que a imprensa faz com os resultados do Enem. A escola separou numa sala diferente os alunos que acertavam mais questões em suas provas internas. Trouxe, inclusive, alguns alunos de suas franquias pela Grande São Paulo. E “criou” uma outra escola (abriu outro CNPJ), mesmo estando no mesmo espaço físico. E de lá pra cá esta ‘outra escola’ todo ano é a primeira colocada no Enem. A 569a posição é a que melhor reflete as condições da escola. O 1o lugar é uma farsa. A primeira colocada no Enem NÃO é uma escola, é uma artimanha jurídica que faz com que os alunos tenham suas notas computadas em duas listas diferentes. Todos estudam no mesmo prédio, com os mesmos professores, com o mesmo material, no mesmo horário, convivendo no mesmo pátio e no mesmo horário de intervalo.

No Brasil todo temos centenas de escolas que trabalham com a regra na mão para tentar parecer que são a melhor e depois divulgar, em suas propagandas, que são a melhor escola do país, do estado, da região, da cidade e, em cidades grandes, como várias capitais, até mesmo que é a melhor escola de um determinado bairro.

(Mateus Prado. “Escola campeã do Enem ocupa, ao mesmo tempo, o 1o e o 569o lugar do ranking”. O Estado de S.Paulo, 26.12.2014. Adaptado.)

O fato relatado pode ser explicado em função da

  1. hegemonia dos critérios instrumentais da empresa capitalista em alguns setores da educação.
  2. falência da meritocracia como critério de acesso ao ensino superior na sociedade atual.
  3. priorização de aspectos humanísticos, em detrimento da preparação para o mercado de trabalho.
  4. resistência dos educadores à transformação da escola em instrumento de reprodução ideológica.
  5. separação rigorosa entre os âmbitos da educação e da publicidade na sociedade capitalista.

17. (UNICAMP) "A fúria do tirano, o terrorismo de Estado, a guerra, o massacre, o escravismo, o racismo, o fundamentalismo, o tribalismo, o nazismo, sempre envolvem alegações racionais, humanitárias, ideais, ao mesmo tempo que se exercem em formas e técnicas brutais, irracionais, enlouquecidas. Em geral, a fúria da violência tem algo a ver com a destruição do ‘outro’, ‘diferente’, ‘estranho’, com o que busca a purificação da sociedade, o exorcismo de dilemas difíceis, a sublimação do absurdo embutido nas formas da sociabilidade e nos jogos das forças sociais."

(Octávio Ianni,” A violência na sociedade contemporânea”, em Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 7, n. 12, p. 8, 2002.)

Assinale a alternativa correta.
  1. Os atos de violência sempre implicam alegações irracionais e práticas racionais que transformam os jogos das forças sociais e as tramas de sociabilidade que envolvem as coletividades.
  2. A violência nasce como técnica de poder, exercita-se como modo de preservar, ampliar ou conquistar a propriedade, adquirindo desdobramentos psicológicos desprezíveis para agentes e vítimas.
  3. Os atos de violência não têm excepcional significação, porque mantêm as mesmas formas e técnicas, razões e convicções conforme as configurações e os movimentos da sociedade.
  4. A violência entra como elemento importante da cultura política com a qual se ordenam ou se transformam as relações entre os donos do poder e os setores sociais tornados subalternos.

18. (UNESP) Sob o ponto de vista individual, a corrupção pode ser vista como uma escolha racional, baseada em uma ponderação dos custos e dos benefícios dos comportamentos honesto e corrupto. No tocante às empresas, punir apenas as pessoas, ignorando as entidades, implica adotar, nesse âmbito, a teoria da maçã podre, como se a corrupção fosse um vício dos indivíduos que as praticaram no seio empresarial. O que constatamos é bem diferente disso. A corrupção era, para as empresas envolvidas na operação Lava Jato, um modelo de negócio que majorava o lucro em benefício de todos.

(Entrevista com Deltan Martinazzo Dallagnol [procurador público]. O Estado de S.Paulo, 18.03.2015. Adaptado.) A corrupção é abordada no texto como um problema que pode ser explicado sob um ponto de vista

  1. ético, devido ao comportamento irracionalista que é assumido pelos indivíduos.
  2. moral, pois o fenômeno é abordado como resultado de comportamentos desregrados.
  3. pragmático, pois é considerada sobretudo a avaliação dos efeitos práticos das ações.
  4. jurídico, pois é necessária uma legislação mais rigorosa para coibir o fenômeno.
  5. materialista, pois suas causas relacionam-se com a estrutura do sistema capitalista.

19. (UNICAMP) A igualdade, a universalidade e o caráter natural dos direitos humanos ganharam uma expressão política direta pela primeira vez na Declaração da Independência americana de 1776 e na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Embora se referisse aos “antigos direitos e liberdades” estabelecidos pela lei inglesa e derivados da história inglesa, a Bill of Rights inglesa de 1689 não declarava a igualdade, a universalidade ou o caráter natural dos direitos. Os direitos são humanos não apenas por se oporem a direitos divinos ou de animais, mas por serem os direitos de humanos em relação uns aos outros.

(Adaptado de Lynn Hunt, A invenção dos direitos humanos: uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 19.)

Assinale a alternativa correta.

  1. A prática jurídica da igualdade foi expressa na Declaração de Independência dos EUA e assegurada nos países independentes do continente americano após 1776.
  2. A lei inglesa, ao referir-se aos antigos direitos, preservava a hierarquia, os privilégios exclusivos da nobreza sobre a propriedade e os castigos corporais como procedimento jurídico.
  3. No contexto da Revolução Francesa, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão significou o fim do Antigo Regime, ainda que tenham sido mantidos os direitos tradicionais da nobreza.
  4. Os direitos do homem, por serem direitos dos humanos em relação uns aos outros, significam que não pode haver privilégios, nem direitos divinos, mas devem prevalecer os princípios da igualdade e universalidade dos direitos entre os humanos.

20. (UNICAMP) Em 1961, o poeta António Gedeão publica o livro Máquina de Fogo. Um dos poemas é “Lágrima de Preta”. Musicado por José Niza, foi gravado por Adriano Correia de Oliveira, em 1970, e incluído no seu álbum “Cantaremos”. A canção foi censurada pelo governo português. Lágrima de preta

Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.

Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.

Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.

Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é

costume:

Nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.

(António Gedeão, Máquina de fogo. Coimbra: Tipografia da Atlântida, 1961, p. 187.)

  1. inadequado quanto à análise social, ao refutar que haja racismo e preconceito na sociedade, e incorreto no aspecto científico, ao descrever as propriedades químicas de uma lágrima.
  2. inadequado quanto à análise social, ao refutar a existência de racismo e preconceito na sociedade, mas correto no aspecto científico, ao descrever as propriedades químicas de uma lágrima.
  3. pertinente quanto à análise social, ao registrar o racismo e a preconceito na sociedade, e correto no aspecto científico, ao descrever as propriedades químicas de uma lágrima.
  4. pertinente quanto à análise social, ao registrar o preconceito e o racismo na sociedade, mas incorreto no aspecto científico, ao descrever as propriedades químicas de uma lágrima.


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