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Desigualdade racial na educação brasileira

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema "Desigualdade racial na educação brasileira", apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.


TEXTO I

"A escola, lugar tão relevante de socialização e construção dos significados, ensina que negros são descendentes de escravos, não de pessoas comuns que foram escravizadas, sequestradas da sua terra natal", afirma Mello.

"Eles são sempre representados de forma humilhante, a partir de estereótipos de feiura, rudeza, ignorância, primitivismo e agressividade."

Para Sherol dos Santos, mestre em História e professora da rede estadual do Rio Grande do Sul, trata-se de uma descrição que afasta não só o interesse pela cultura negra, mas cria uma rejeição.

"Que tipo de identificação você, uma criança, vai querer criar com um povo retratado dessa maneira?", diz Sherol, especialista em escravidão e territórios quilombolas.

É na escola que a criança irá experimentar a igualdade e aprender a lidar com a diversidade, contribuindo para a passagem do espaço privado para o coletivo.

Uma visão eurocêntrica da história do Brasil, no entanto, cria uma tensão racial entre os alunos, que tendem a se aproximar da cultura ou do fenótipo europeu, desprezando as suas raízes africanas.

Para especialistas, é fundamental que os educadores mostrem que todas as raças presentes no Brasil têm e tiveram importâncias iguais na formação da nossa história.

"Se o aluno entender o processo histórico que desencadeou a desigualdade entre negros e brancos, ele não vai reforçar o preconceito", diz Mônica do Amaral, professora do Diversitas - Núcleo de Estudos das Diversidades, das Intolerâncias e dos Conflitos da Universidade de São Paulo (USP).

"É preciso explicar aos alunos brancos que seus privilégios têm uma origem histórica, que nada tem a ver com competência, capacidade intelectual superior. Mas com condições desiguais de acesso aos bens culturais e materiais".

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-55032588


TEXTO II

R7: E a imagem do negro no ensino?

Priscila Dias: Já como é feita a construção da imagem do negro no ensino, está pautada em uma currículo extremamente limitador do papel do negro na sociedade brasileira e no papel da África no mundo. Quando falamos do currículo de História especificamente, nós temos um século XVI, quando os africanos vão aparecer na História já como escravos. E em 1888, libertam-se os escravos africanos e deixam de existir na História. Ou seja, o negro vai entrar na História como escravo e vai sair da História quando se torna liberto.

A gente tem a Primeira Guerra Mundial, quando a História não fala de um continente negro, de soldados negros africanos. Temos a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria, a Ditadura Militar, temos a Redemocratização e o negro sumiu pós 1888 da História do Brasil. A construção de alguém naturalmente escravo, de uma passividade, de uma África invadida, submissa, subnutrida, a gente não tem conhecido do reino do Mali, por exemplo. A iconografia do negro na História do Brasil é essa, de escravos passivos e subalternos, a África como uma coisa só e é justamente nisso que precisamos readequar essa compreensão do negro. Porque dizer para um aluno que ele é descendente de escravos gera um sentimento que é totalmente diferente de eu dizer para um aluno, que ele foi descendente de reis e rainhas que foram escravizados. Essa construção do negro como passivo, faz com que o aluno negro tenha muita vergonha de si, muito vergonha da sua cor, do seu fenótipo...Muito comum ouvir dizer: o negro é racista! E, sim, somos criados odiando a textura do cabelo, o contorno do nariz, a espessura dos lábios...

https://noticias.r7.com/sao-paulo/educadora-fala-sobre-a-ausencia-da-historia-dos-negros-brasileiros-no-curriculo-escolar-01032017


TEXTO III

A rotina de ir à escola virou motivo de constrangimento para um aluno que estava se iniciando no candomblé. Aos 12 anos, o estudante da quarta série do ensino fundamental Escola Municipal Francisco Campos, no Grajaú, na Zona Norte do Rio, foi barrado pela diretora da instituição por usar bermudas brancas e guias por baixo do uniforme, segundo a família. A denúncia foi publicada nesta terça-feira (2) pelo jornal "O Dia".

“Antes de ele entrar para o candomblé, eu avisei para a professora e ela logo disse que ele não entraria no colégio. Eu expliquei que ele teria que usar branco e as guias, mas ela não aceitou”, contou indignada a mãe do estudante ao G1, Rita de Cássia.

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/09/aluno-e-barrado-em-escola-municipal-do-rio-por-usar-guias-do-candomble.html


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