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Crônica

Lista de 10 exercícios de Português com gabarito sobre o tema Crônica com questões de Vestibulares.


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01. (UEMA) [...] A densidade demográfica, os apartamentos, a violência urbana, o rádio e mais tarde a TV ilharam cada indivíduo no casulo doméstico. Moro há anos num prédio da Lagoa, tirante os raros e inevitáveis cumprimentos de praxe no elevador ou na garagem, não falo com eles nem eles comigo. Não sou exceção. Nesse lamentável departamento, sou regra.

Daí que não entendo a pressão que volta e meia me fazem para navegar na Internet. Um dos argumentos que me dão é que posso falar com pessoas na Indonésia, saber como vão as colheitas de arroz na China e como estão os melões na Espanha.

Para vencer a incomunicabilidade, acredito que o internauta deva primeiro aprender a se comunicar com o vizinho de porta, de prédio, de rua. Passamos uns pelos outros com o desdém de nosso silêncio, de nossa cara amarrada. Os suicidas se realizam porque, na hora do desespero, falta o vizinho que lhe deseje sinceramente uma boa-noite.

CONY, H. Crônicas para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

A linguagem expressa contrastes e semelhanças. A metáfora é uma das formas de estabelecer semelhanças por comparações. Qual dos trechos extraídos do texto, indicados abaixo, apresenta uma metáfora?

  1. “não sou exceção”.
  2. “cumprimentos de praxe no elevador”.
  3. “falar com pessoas na Indonésia”.
  4. “falta o vizinho que lhe deseje sinceramente uma boanoite”.
  5. “cada indivíduo no casulo doméstico”.

02. (UEMA) Do capítulo Contrariedades, extraiu-se o fragmento que segue. Leia-o para responder à questão.

[...] Se tinha alguma virtude, era a de não enganar pela cara. Entre todas as suas qualidades possuía uma

que felizmente caracterizava naquele tempo, e talvez que ainda hoje, positiva e claramente o fluminense,

era a maledicência. José Manuel era uma crônica viva, porém crônica escandalosa, não só de todos os seus

conhecimentos e amigos, e das famílias destes, mas ainda dos conhecidos e amigos dos seus amigos e

[5] conhecidos e de suas famílias. Debaixo do mais fútil pretexto tomava a palavra, e enfiava um discurso de

duas horas sobre a vida de fulano ou de beltrano.

ALMEIDA, M. A. Memórias de um Sargento de Milícias. Porto Alegre: L&PM, 2015.

No fragmento, considerando o contexto da obra, nota-se a presença da conotação enfática quando o narrador emprega a expressão

  1. “todos os seus conhecimentos e amigos” (L.3/4)
  2. “crônica viva” (L.3)
  3. “fútil pretexto” (L.6)
  4. “amigos dos seus amigos” (L.4)
  5. “fulano ou de beltrano.” (L.6)

03. (UNESP) Instrução: A questão toma por base uma crônica jornalística de Fernando Soléra.

Um gênio chamado Marílson

Diz o ditado que “chegar é fácil; passar é que são elas!”. Pois, lá, no final do Elevado, ele chegou junto ao líder daquele instante, ultrapassou e saiu iniciando um show de resistência, em passadas vigorosas e perfeitas no seu balé de viver para correr e correr para viver. Atuação linda de se ver a sua contínua busca da vantagem, a partir da metade do percurso, alargando a cada quilômetro, uma superioridade impressionante.

Marílson Gomes dos Santos voltou para encantar. Cinco anos depois de ter sido bi, retornou para ser, mais que um ganhador, um tricampeão único entre os brasileiros, numa deliciosa emoção esportiva que encerra com pompa o ano de 2010. Pisou de novo o asfalto paulistano no momento em que sentiu que estava pronto para deslumbrar.

Subiu de novo ao degrau mais alto daquele pódio que lhe é tão familiar, lugar exato que ocupou em 2005. Foi como se o topo reservado ao melhor entre os melhores estivesse esperando por ele durante esse tempo todo em que não disputou.

Campeão de tantas e tantas provas, recordista da série completa de corridas de fundo sul-americanas, o homem que deixou, por duas vezes, os norte-americanos fascinados ao voar baixo pelas ruas de New York chegou à Avenida Paulista com o plano pronto para maravilhar todo este país. Ele sabia (porque ele sempre sabe que vai levantar o troféu de vencedor) que nos daria um Feliz Ano Novo saído do fundo de seu coração.

O mundo testemunhou pelas imagens de televisão, ao vivo, um novo registro espetacular desse brasileiro brasiliense, um fenômeno que sabe vencer na hora que quer, na competição que escolhe para, como na maioria absoluta das vezes, passear isolado, lá na frente, deixando atrás de si uma esteira de coadjuvantes que o seguem com admiração e respeito.

Esse talento inigualável vai legar às gerações futuras muitas lições de sua arte. E como vai! De hoje em diante, garotos e meninas desta terra terão muitos motivos para se dedicar à prática esportiva. Quem viver verá quantos competidores surgirão com a mesma ânsia de chegar primeiro e experimentar como é delicioso viver para correr e correr para viver. Tomara que com a mesma simplicidade desse verdadeiro gênio.

(Fernando Soléra: www.gazetaesportiva.net)

Na crônica de Fernando Soléra, é informado ao leitor que

  1. a genialidade de Marílson desestimula os jovens atletas a competir.
  2. vencer uma corrida é sempre obra do acaso.
  3. Marílson é vencedor da Maratona de Londres.
  4. o vencedor da São Silvestre usa a dança como uma das técnicas de treinamento.
  5. Marílson é recordista da série completa de corridas de fundo sul-americanas.

04. (UECE) TEXTO 2

RITA

No meio da noite despertei sonhando com

minha filha Rita. Eu a via nitidamente, na

graça de seus cinco anos.

[15] Seus cabelos castanhos — a fita azul — o

nariz reto, correto, os olhos de água, o fino

riso, engraçado, brusco...

Depois um instante de seriedade; minha

filha Rita encarando a vida sem medo, mas

[20] séria, com dignidade.

Rita ouvindo música; vendo campos,

mares, montanhas; ouvindo de seu pai o

pouco, o nada que ele sabe das coisas, mas

pegando dele seu jeito de amar — sério,

[25] quieto, devagar.

Eu lhe traria cajus amarelos e vermelhos,

seus olhos brilhariam de prazer. Eu lhe

ensinaria a palavra cica, e também a amar os

bichos tristes, a anta e a pequena cutia; e o

[30] córrego; e a nuvem tangida pela viração.

Minha filha Rita em meu sonho me sorria

— com pena deste seu pai, que nunca a teve.

(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas. p.308.)

(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas. p.308.)

O segundo parágrafo do texto é formado principalmente de imagens visuais e estáticas. Essa técnica aproxima a descrição

  1. da fotografia.
  2. do cinema.
  3. da dança.
  4. da música.

05. (Enem 2019) Ed Mort só vai

Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Tenho um escritório numa galeria de Copacabana entre um fliperama e uma loja de carimbos. Dá só para o essencial, um telefone mudo e um cinzeiro. Mas insisto numa mesa e numa cadeira. Apesar do protesto das baratas. Elas não vencerão. Comprei um jogo de máscaras. No meu trabalho o disfarce é essencial. Para escapar dos credores. Outro dia entrei na sala e vi a cara do King Kong andando pelo chão. As baratas estavam roubando as máscaras. Espisoteei meia dúzia. As outras atacaram a mesa. Consegui salvar a minha Bic e o jornal. O jornal era novo, tinha só uma semana. Mas elas levaram a agenda. Saí ganhando. A agenda estava em branco. Meu último caso fora com a funcionária do Erótica, a primeira ótica da cidade com balconista topless. Acabara mal. Mort. Ed Mort. Está na plaqueta.

VERISSIMO, L. E Ed Mort: todas as histórias. Porto Alegre: L&PM, 1997 (adaptado).

Nessa crônica, o efeito de humor é basicamente construído por uma

  1. segmentação de enunciados baseada na descrição dos hábitos do personagem.
  2. ordenação dos constituintes oracionais na qual se destaca o núcleo verbal.
  3. estrutura composicional caracterizada pelo arranjo singular dos períodos.
  4. sequenciação narrativa na qual se articulam eventos absurdos.
  5. seleção lexical na qual predominam informações redundantes.

06. (UNICAMP) Entre todas as palavras do momento, a mais flamejante talvez seja desigualdade. E nem é uma boa palavra, incomoda. Começa com des. Des de desalento, des de desespero, des de desesperança. Des, definitivamente, não é um bom prefixo.

Desigualdade. A palavra do ano, talvez da década, não importa em que dicionário. Doravante ouviremos falar muito nela.

De-si-gual-da-de. Há quem não veja nem soletre, mas está escrita no destino de todos os busões da cidade, sentido centro/subúrbio, na linha reta de um trem. Solano Trindade, no sinal fechado, fez seu primeiro rap, “tem gente com fome, tem gente com fome, tem gente com fome”, somente com esses substantivos. Você ainda não conhece o Solano? Corra, dá tempo. Dá tempo para você entender que vivemos essa desigualdade. Pegue um busão da Avenida Paulista para a Cidade Tiradentes, passe o vale-transporte na catraca e simbora – mais de 30 quilômetros. O patrão jardinesco vive 23 anos a mais, em média, do que um humaníssimo habitante da Cidade Tiradentes, por todas as razões sociais que a gente bem conhece.

Evitei as estatísticas nessa crônica. Podia matar de desesperança os leitores, os números rendem manchete, mas carecem de rostos humanos. Pega a visão, imprensa, só há uma possibilidade de fazer a grande cobertura: mire-se na desigualdade, talvez não haja mais jeito de achar que os pontos da bolsa de valores signifiquem a ideia de fazer um país.

(Adaptado de Xico Sá, A vidinha sururu da desigualdade brasileira. Em El País, 28/10/2019. Disponível em https://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/28/opinion/1572287747_637859.html?fbclid=IwAR1VPA7qDYs1Q0Ilcdy6UGAJTwBO_snMDUAw4yZpZ3zyA1ExQx_XB9Kq2qU. Acessado em 25/05/2020.)

A crônica instiga o leitor a ficar atento à desigualdade na cidade de São Paulo.

Assinale a alternativa que identifica corretamente os recursos expressivos (estilísticos e literários) de que se vale o autor.

  1. A desigualdade está escrita nas linhas de trens e ressoa nos versos de Solano Trindade: onomatopeia.
  2. No destino dos transportes coletivos no sentido centro subúrbio é possível viver a desigualdade: eufemismo.
  3. A desigualdade se mostra na expectativa de vida dos moradores de bairros bem situados e periferias: alusão.
  4. Na cobertura da imprensa, números da desigualdade perdem para pontos da bolsa de valores: ambiguidade.

07. (UFU) Parado, com a colher suspensa sobre a bancada de aço inox, o sujeito atravancava minha passagem. Ia enfiá-la no pote de ervilhas, arremeteu, pousou-a na bandeja de beterrabas, levantou uma rodela, soltou-a, duas gotas vermelhas respingaram no talo de uma couve-flor. Fosse mais para trás, lá pela travessa do agrião, eu poderia ultrapassá-lo e chegar aos molhos a tempo de colocar azeite e vinagre antes que ele se aproximasse, mas da beterraba aos temperos é um passo e então seria eu a atrapalhar sua cadência. (Segundo a etiqueta não escrita dos restaurantes por quilo, a ultrapassagem só é permitida se não for reduzir a velocidade do ultrapassado – o que seria equivalente a furar a fila).

Tudo é movimento, dizia Heráclito; o mundo gira, a lusitana roda, anunciava a televisão: só eu não me mexia, preso diante da cumbuca de grãos de bico com atum. Fiquei irritado. Aquele homem hesitante estava travando o fluxo de minha vida, dali para frente todos os eventos estariam quinze segundos atrasados: da entrega desta crônica ao meu último suspiro.

PRATA, A. A zona do agrião. Estadão, 23 dez. 2008. Disponível em: . Acesso em: 30 mar. 2018.

Narrada na primeira pessoa do singular, a crônica parte de um evento corriqueiro na fila de um restaurante por quilo para elaborar uma reflexão sobre a passagem do tempo. No texto, a função metalinguística da linguagem é evidenciada no fragmento

  1. “Segundo a etiqueta não escrita dos restaurantes por quilo, a ultrapassagem só é permitida se não for reduzir a velocidade do ultrapassado [...].”
  2. “[...] dali para frente todos os eventos estariam quinze segundos atrasados: da entrega desta crônica ao meu último suspiro.”
  3. "Parado, com a colher suspensa sobre a bancada de aço inox, o sujeito atravancava minha passagem.”
  4. “Tudo é movimento, dizia Heráclito; o mundo gira, a lusitana roda, anunciava a televisão [...].”

08. (UEMG) Texto I

Enquanto isso, você, leitor, juiz supremo, aceita ou rejeita a crônica, exercício permanente de semear fantasia e leveza para que, talvez, venha a colher alguma realidade. (“Miolos do ofício”, p.9).

Texto II

Uma vez mais, apelarei para a fantasia ao narrar. A ficção é o spa da realidade, na qual o fato precisa perder o peso e o estresse da hora. Após alguma reflexão, sobra a humanidade nua e crua – e isso é o que interessa. (“Sobre cavalos e homens”, p.65).

Texto III

Continuamos humanos há um milhão de anos e assim permaneceremos por longo tempo ainda. Para a paixão, milênios são marcas desprovidas de significado, e os corações a ela se submetem encantados. De quebra, as histórias resultantes nos encantam com suas aventuras e, sobretudo, desventuras. Os escritores se esbaldam. Literatura é a realidade sem riscos. (“Um milhão de anos de paixão”, p.73).

GIFFONI, L: O acaso abre portas. Belo Horizonte: Abacate, 2014.

Levando em consideração o contexto do livro, os fragmentos expressam uma concepção de crônica que

  1. descreve a realidade com fidelidade aos fatos.
  2. interpreta a realidade e livra-a dos perigos.
  3. ameniza e metamorfoseia a realidade
  4. simula a realidade para falseá-la.

09. (PUC-RS) Leia o trecho da crônica A morte da Velhinha de Taubaté, de Luís Fernando Veríssimo, e analise as considerações que seguem, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).

“Morreu no último dia 19, aos 90 anos de idade, de causa ignorada, a paulista conhecida como “a Velhinha de Taubaté”, que se tornou uma celebridade nacional há alguns anos por ser a última pessoa no Brasil que ainda acreditava no governo.

(...)

As circunstâncias da morte da Velhinha de Taubaté ainda não estão esclarecidas. Sua sobrinha Suzette, que tem uma agência de acompanhantes de congressistas em Brasília embora a Velhinha acreditasse que ela fazia trabalho social com religiosas, informou que a Velhinha já tivera um pequeno acidente vascular ao saber da compra de votos para a reeleição do Fernando Henrique Cardoso, em quem ela acreditava muito, mas ficara satisfeita com as explicações e se recuperara.

Segundo Suzette, ela estava acompanhando as CPIs, comentara a sinceridade e o espírito público de todos os componentes das comissões, nenhum dos quais estava fazendo política, e de todos os depoentes, e acreditava que, como todos estavam dizendo a verdade, a crise acabaria logo, mas ultimamente começara a dar sinais de desânimo e, para grande surpresa da sobrinha, descrença.

A Velhinha acreditara em Lula desde o começo e até rebatizara o seu gato, que agora se chamava Zé. Acreditava principalmente no Palocci. Ela morreu na frente da televisão, talvez com o choque de alguma notícia. Mas a polícia mandou os restos do chá que a Velhinha estava tomando com bolinhos de polvilho para exame de laboratório. Pode ter sido suicídio.

( ) A crônica constrói-se por meio da crítica bemhumorada do autor à corrupção generalizada da classe política.

( ) O autor explora, nesse texto, a linguagem típica da notícia de jornal para apresentar a realidade brasileira de forma caricaturesca.

( ) A profissão de Suzette na crônica é apresentada de modo direto, sem eufemismos.

( ) FHC, Lula e Palocci são personagens reais a partir dos quais a fé da Velhinha na política se consolida.

( ) Luís Fernando Veríssimo é um autor que, em seus textos, explora outros gêneros textuais, como a notícia, o conto, o diálogo, a poesia.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

  1. V – V – F – F – V
  2. V – F – V – F – F
  3. V – V – V – V – F
  4. F – V – F – V – V
  5. F – F – V – F – V

10. (UNESP) Crônica

Texto jornalístico desenvolvido de forma livre e pessoal, a partir de fatos e acontecimentos da atualidade, com teor literário, político, esportivo, artístico, de amenidades etc. Segundo Muniz Sodré e Maria Helena Ferrari, a crônica é um meio-termo entre o jornalismo e a literatura: “do primeiro, aproveita o interesse pela atualidade informativa, da segunda imita o projeto de ultrapassar os simples fatos”. O ponto comum entre a crônica e a notícia ou a reportagem é que o cronista, assim como o repórter, não prescinde do acontecimento. Mas, ao contrário deste, ele “paira” sobre os fatos, “fazendo com que se destaque no texto o enfoque pessoal (onde entram juízos implícitos e explícitos) do autor”. Por outro lado, o editorial difere da crônica, pelo fato de que, nesta, o juízo de valor se confunde com os próprios fatos expostos, sem o dogmatismo do editorial, no qual a opinião do autor (representando a opinião da empresa jornalística) constitui o eixo do texto.

(Dicionário de comunicação, 1978.)

Segundo o verbete, uma característica comum à crônica e à reportagem é

  1. a relação direta com o acontecimento.
  2. a interpretação do acontecimento.
  3. a necessidade de noticiar de acordo com a filosofia do jornal.
  4. o desejo de informar realisticamente sobre o ocorrido.
  5. o objetivo de questionar as causas sociais dos fatos.

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