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Ciclo da Borracha

Lista de 10 exercícios de História do Brasil com gabarito sobre o tema Ciclo da Borracha com questões de Vestibulares.

Confira as videoaulas, teoria e questões sobre: Brasil República.





01. (UFPA) Borracha e borracheiro, segundo o dicionário Houaiss, podem significar:

“Borracha: substância elástica e impermeável, resultante da coagulação do látex de vários vegetais, esp. de árvores dos gên. Hevea e Ficus, com propriedades diversas e inúmeros usos industriais, segundo os vários tipos de tratamento a que é submetida; caucho, goma-elástica”.

“Borracheiro:

1) aquele que produz, industrializa ou vende borracha ('substância')

2) Regionalismo: Brasil. Indivíduo que repara e/ou vende pneus;

3) Regionalismo: Norte do Brasil. m.q. seringueiro ('trabalhador').

Houaiss (Dicionário da Língua portuguesa. Verbetes Borracha e borracheiro. Versão digital, SP: Instituto Antônio Houaiss, Editora Objetivo, 2009).

Os verbetes acima esclarecem os significados do termo “borracha” no Brasil. Um desses significados põe em evidência o Norte do país, em que a palavra tem um emprego diferenciado historicamente porque

  1. o norte do Brasil teve um contato mais próximo com a produção do látex e, nesta região, a palavra borracheiro passou a significar mais do que a produção da borracha em si, definindo também o seu produtor (trabalhador), o seringueiro.
  2. o Brasil, como um todo, conheceu a borracha como um produto que se industrializa, pois esse produto era extraído da Amazônia e industrializado no Centro Sul. Assim, no Norte o significado da borracha ligou-se ao campo do trabalho e no Sul vinculou-se ao da produção.
  3. o Norte do Brasil percebe a goma elástica de maneira mais ampla e correta, pois, distinguindo-se do resto do Brasil, os nortistas conhecem o processo de produção e trabalho com o látex, diferentemente do que ocorre com os nordestinos e sulistas.
  4. o Centro-Sul do Brasil visualiza a borracha em seus produtos como os pneus; já o povo do Norte e Centro-Oeste percebem o produto em todo o seu processo produtivo, desde a extração do látex até a sua produção e comercialização.
  5. o Centro-Sul do Brasil é o reduto da produção e do trabalho com o látex, por isso o significado da palavra é mais amplo. Já no Norte e Nordeste apenas se sabe que a borracha tem utilidades como a fabricação do pneu, o que justifica o uso mais simplificado da palavra.

02. (UFAC) “O pai era bom seringueiro. Trabalhava três estradas da ‘colocação’, alternadamente, na época do fabrico. Iniciava o corte às duas horas da madrugada e o fechava cerca de meio-dia. Na embocadura do varadouro, comia a minguada refeição que trouxera da barraca, uma farofa de banha misturada com uma fita de balata. Já quase noite voltava à barraca e ia direto ao defumador, para não correr o risco de ver, com qualquer demora, o látex transformado em sernambi. A borracha colhida, entretanto, nunca dava para pagar o débito do Barracão, para comprar nada além da banha, do tabaco, do feijão, do arroz, do querosene, do sabão, do açúcar e do sal.”

FERRANTE, Miguel J. O seringal. São Paulo: Clube do Livro, 1973, p.24-5.

Ao ler e examinar o trecho da obra O seringal, de Miguel de Ferrante, pode-se assegurar que:

  1. Há apresentação do seringueiro e de seu modo de vida nos seringais acreanos, inseridos no sistema de aviamento.
  2. A distribuição de território para o trabalho dos seringueiros dentro dos seringais, no início do século XX, era marcada pelo espaço da colocação composta pelo Barracão.
  3. Trata-se de referência literária que narra eventos relativos aos conflitos decorrentes da “pecuarização” do Acre.
  4. Trata da exploração da borracha, de acordo com os termos dos Acordos de Washington, assinados entre o Bolivian Syndicate e o Estado Independente do Acre.
  5. Foram expostos os modos de vida dos seringalistas e seringueiros, segundo as proposições do Conselho Nacional do Seringueiro (CNS), para as relações de trabalho nos seringais amazônicos.

03. (FGV-SP) Com a queda de 97% das áreas produtoras asiáticas nas mãos dos japoneses, os Estados Unidos, através de acordos com o governo brasileiro, desencadearam uma operação em larga escala na Amazônia: a Batalha da Borracha.

(Márcio Souza. História da Amazônia: do período pré-colombiano aos desafios do século XXI, 2019.)

A “Batalha da Borracha” contou com

  1. o controle do comércio exterior do produto pelas empresas norte-americanas e a estatização dos seringais às margens dos principais rios amazônicos.
  2. o planejamento do Estado e o deslocamento de mão de obra de regiões do semiárido para a Amazônia.
  3. a rede de produção local de gêneros alimentícios e a existência de capitais previamente acumulados na economia amazônica.
  4. a racionalização empresarial do cultivo de espécies nativas da floresta e a dispersão das cidades no amplo espaço amazônico.
  5. a extensão de leis trabalhistas aos seringueiros e a concessão de terras amazônicas aos trabalhadores imigrantes.

04. (UEA - SIS) Leia o excerto para responder à questão.

Se se comparam os dois grandes movimentos de população ocorridos no Brasil, a fins do século XIX e começos do XX, surgem alguns contrastes particularmente notórios. O imigrante europeu chegava à plantação de café com todos os gastos pagos, residência garantida, gastos de manutenção assegurados até a primeira colheita. Dispunha sempre de terra para plantar o essencial ao alimento de sua família. A situação do nordestino na Amazônia era bem diversa: começava sempre a trabalhar endividado, obrigavam-no a reembolsar os gastos com a totalidade ou parte da viagem, com os instrumentos de trabalho e outras despesas de instalação. Para alimentar-se dependia do suprimento que realizava o mesmo empresário com o qual estava endividado e lhe comprava o produto. Esgotava-se sua vida num isolamento que talvez nenhum outro sistema econômico haja imposto ao homem.

(Celso Furtado. Formação econômica do Brasil, 1989. Adaptado.)

O excerto compara as economias brasileiras de exportação do café e da borracha e as suas formas peculiares de organização econômica e de exploração da mão de obra. Essas formas peculiares tiveram consequências históricas distintas em cada uma daquelas regiões brasileiras, como

  1. o bloqueio do crescimento industrial na economia do café e a multiplicação de cidades na economia da borracha.
  2. o controle dos empresários nacionais sobre o conjunto da economia do café e o domínio estrangeiro na economia da borracha.
  3. a baixa aplicação de capitais na economia do café e o emprego de maquinários sofisticados na economia da borracha.
  4. a concentração de rendas na economia do café e a mais ampla distribuição de rendimentos por meio de salários na economia da borracha.
  5. a expansão do mercado consumidor na economia do café e a rápida decadência econômica na economia da borracha.

05. (UEA) Entre 1900 e 1905, o Brasil produzira 75,64% do café mundial, enquanto a borracha nativa produzida pelo Brasil correspondia, em 1910, a 88,20% do total mundial; mas já em 1920, dez anos depois, era a borracha cultivada que produzia 90,80% do total, contra os míseros 9,2% da nossa produção. O sonho da borracha se desvaneceria depressa, mas não o do café.

(Nelson Werneck Sodré. Literatura e história no Brasil contemporâneo, 1987.)

O historiador faz uma comparação entre duas atividades econômicas brasileiras importantes durante a Primeira República. Pode-se depreender de sua argumentação que a sobrevivência da importância do café nos mercados internacionais, comparativamente à crise da economia da borracha, deveu-se ao fato

  1. do governo fazer propaganda de uma mercadoria de preço elevado na Europa.
  2. do crescimento do mercado consumidor, com a expansão da industrialização.
  3. da sua inadaptabilidade nas condições geográficas africanas ou asiáticas.
  4. da organização da sua exploração, como o plantio racional das mudas nas fazendas.
  5. da apropriação das terras férteis no oeste paulista, pelos capitalistas ingleses.

06. (PUCCamp) Os ciclos econômicos que ocorreram em nossa história (do ouro, do açúcar, do café, do cacau, da borracha e outros), em suas causas, fastígio e decadência, podem ser reconhecidos nos eventos centrais ou na periferia das tramas e imagens da nossa literatura. Há que se reconhecer nossa dívida para com escritores como José Lins do Rego e Jorge Amado, por exemplo, que tramaram belas narrativas imbricadas nos antigos engenhos de açúcar ou nos cacaueiros baianos. O valor artístico da linguagem literária não está, obviamente, em documentar fenômenos econômicos ou eventos históricos de qualquer natureza, mas na capacidade de potenciá-los inventivamente por meio de uma perspectiva autoral. Realização estética e realidade transfigurada encontram-se no caminho e instigam o leitor a avaliá-las nessa precisa convergência. (Bernardim Quintanilha, inédito)

A exploração da seringueira, para a fabricação da borracha, na região amazônica brasileira teve seu período mais produtivo no final do século XIX e início do século XX. O sucesso econômico que essa atividade obteve nessas décadas deveu-se

  1. à utilização clandestina de mão de obra escrava, a despeito da abolição já ter acontecido, uma vez que não havia fiscalização do trabalho dos seringueiros nos rincões da Amazônia.
  2. ao grande subsídio estatal concedido pelo governo republicano aos produtores, que resultou no enriquecimento da cidade de Manaus, visível nos vestígios de sua Belle Époque presentes em seu patrimônio arquitetônico.
  3. à fase de expansão da indústria automobilística, que gerou uma grande demanda pelo látex, matéria-prima essencial na fabricação de pneus e existente em abundância nos seringais, nativos da Amazônia.
  4. à instalação, pelo empresário Henry Ford, da Fordlândia, um enorme polo agroindustrial de exploração de látex no Pará, que transformou o Brasil no principal exportador de borracha em escala mundial.
  5. ao menor preço da borracha brasileira no mercado internacional, comparado ao da borracha produzida pelos ingleses na Ásia, dado que favoreceu a vitória sobre a concorrência e a expansão dessa cultura.

07. (ESPM) A exploração da borracha na grande região amazônica iniciou-se por volta de 1870, sendo que no fim do século sua produção atingiu vinte toneladas por dia. Aumentando sempre, em 1910, a extração do látex proveniente da seringueira e do caucho chegou a 40.800 toneladas, e rendeu quase tanto como o café. Esse ano marcou o apogeu da borracha, pois ela começou a ser aplicada em diversas atividades industriais. (Heródoto Barbeiro. Curso de História do Brasil.)

Apesar da importância que a borracha alcançou na economia brasileira, entre 1898 e 1910, quando ocupou o segundo lugar entre os produtos brasileiros de exportação, após 1910 sobreveio um declínio avassalador. Assinale a alternativa que explica tal declínio:

  1. com a Primeira Guerra Mundial o mercado internacional entrou em retração;
  2. o governo brasileiro daquele tempo decidiu priorizar a industrialização que deslanchava na região sudeste;
  3. a partir de então o governo brasileiro investiu na pecuária, visto que na república do café com leite havia uma preocupação com o aprimoramento do gado de raça;
  4. com a Primeira Guerra Mundial o mercado comprador de borracha se expandiu, mas as exportações brasileiras sofreram com a guerra submarina praticada pelos alemães;
  5. as plantações organizadas principalmente pelos ingleses em suas colônias na Ásia superaram nossa produção, pois a borracha produzida por eles era de boa qualidade e de baixo custo.

08. (Mackenzie) A Amazônia viveu o sonho transitório de riqueza graças à borracha. A borracha ocupou folgadamente o segundo lugar dentre os produtos brasileiros de exportação, alcançando o ponto máximo entre 1898 e 1910. Boris Fausto

Dentre as consequências dessa atividade econômica para a região, podemos citar:

  1. Foram alteradas substancialmente as condições sociais, graças à melhor distribuição de renda e à qualidade de vida dos seringueiros.
  2. Provocou migrações da região sudeste, base da mão-de-obra utilizada nesse ciclo extrativista.
  3. Gerou o crescimento da população urbana, migrações da região nordeste, concentrou a renda, entrando em declínio devido a concorrência da produção inglesa e holandesa na Ásia.
  4. Não trouxe concentração de renda nem alterou o modo de vida das capitais Belém e Manaus.
  5. Constituiu-se no ponto de partida do desenvolvimento e na diversificação das atividades econômicas da região.

09. (UFAM PSC) A Segunda Guerra Mundial levou os governos de Getulio Vargas e de Franklin D. Roosevelt à celebração dos Acordos de Washington; formalidade que resultou na chamada Batalha da Borracha (1942-1945) durante a qual “os nordestinos recrutados para trabalhar nos seringais foram chamados de soldados da borracha, mas jamais receberam soldo nem medalhas

(NEVES, Marcos Vinícius. In: História Viva, n.o 8, 2004).

Assinale a alternativa correta:

  1. O governo brasileiro comprometia-se em fornecer aos Aliados (Estados Unidos, Inglaterra e França) um mínimo de 100.000 toneladas de borracha silvestre anuais, tal volume deveria substituir a produção do sudeste asiático, região que estava sob o domínio dos nazi-facistas japoneses.
  2. Com o advento dos Acordos de Washington a Amazônia voltou protagonizar no cenário mundial, era mais uma oportunidade para o desenvolvimento social e econômico da região, pois foi nesse período de esplendor cosmopolita que as cidades de Belém e Manaus viveram a chamada Belle Époque.
  3. Os soldados da borracha, também conhecidos por arigós, chegaram a Amazônia em três grandes levas migratórias administradas pelas seguintes órgãos governamentais: DNI (Departamento Nacional de Imigração); RDC (Rubber Development Corporation), SEMTA (Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia) e a CAETA (Comissão Administrativa de Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia).
  4. O número de imigrantes nordestinos que foram deslocados para a Amazônia durante a Batalha da Borracha é controverso, alguns contam 60.000 ou 100.000 trabalhadores, enquanto que Samuel Benchimol no seu livro Romanceiro da Batalha da Borracha estima que pelo menos 500.000 “soldados da borracha”, recrutados no Nordeste foram encaminhados para a Amazônia.
  5. O novo fluxo migratório aumentou o número de habitantes da Amazônia, assim como os resultados da Batalha da Borracha foram satisfatórios, pois o volume da produção de borracha em 1945, superando as exportações desse produto registrado no ano de 1912, algo em torno de 43.000 toneladas.

10. (IBMEC) Sobre o fracasso do chamado “ciclo da borracha”, na região amazônica, são feitas as seguintes afirmativas:

I. faltou mão-de-obra especializada, afinal a migração nordestina não foi capaz de atender a demanda;

II. a produção desenvolvida pelos ingleses em áreas como a Malásia e o Ceilão resultou em um produto com custo menor, dificultando a comercialização do nosso látex;

III. a ocorrência da Primeira Guerra Mundial paralisou o comércio internacional, dificultando as exportações brasileiras.

Assinale:

  1. se apenas a afirmativa I for correta.
  2. se apenas a afirmativa II for correta.
  3. se apenas a afirmativa III for correta.
  4. se as afirmativas I e II forem corretas.
  5. se as afirmativas II e III forem corretas.

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