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Brasil Colônia

Lista de 18 exercícios sobre História com gabarito sobre o tema Brasil Colônia com questões da Fuvest.



01. (Fuvest 2021) A base física do Brasil, ao principiar o século XVII, era profundamente diversa daquela que mesmo numa interpretação liberal do Tratado de Tordesilhas, fora assentada no diploma de 1494. A expansão ao longo do litoral levara ao Oiapoc, no norte, e ao Prata, no sul. O rush do ouro estava determinando a ampliação da área oeste do mesmo modo por que a “droga do sertão” explicava a façanha da incorporação do mundo amazônico. Toda uma geografia nova, política, social e econômica se estava escrevendo na América portuguesa [...].

Arthur F. Reis. “Os tratados de limites”. História geral da civilização brasileira, t.l, v.1, p.396.

A partir da leitura do trecho e de seus conhecimentos, é correto afirmar:

  1. O Tratado de Tordesilhas representou uma permanente barreira à exploração econômica dos sertões portugueses da América, e só foi ultrapassada no século XVIII por sertanistas que passaram a agir junto à coroa portuguesa.
  2. A ocupação da Amazônia foi determinante na formação do território português da América porque as drogas do sertão puderam ser exploradas por longos períodos, ao contrário do efêmero ouro de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
  3. Embora a mineração tenha interiorizado a presença portuguesa no continente, a definição das fronteiras territoriais do Brasil só se completaria definitivamente muito depois, no começo do século XX.
  4. Mesmo com o rush minerador, a economia colonial portuguesa continuou isolada em relação aos principais circuitos econômicos europeus de sua época, situação que só se alteraria na primeira década do século XIX.
  5. A realidade econômica de Portugal e Espanha nos séculos XVII e XVIII tornou o Tratado de Tordesilhas obsoleto, uma vez que, nesse período, importava menos o comércio extrativista e mais a produção industrial.

02. (Fuvest 2021) [No Brasil], a transição da predominância indígena para a africana na composição da força de trabalho escrava ocorreu aos poucos ao longo de aproximadamente meio século. Quando os senhores de engenho, individualmente, acumulavam recursos financeiros suficientes, compravam alguns cativos africanos, e iam acrescentando outros à medida que capital e crédito tornavam-se disponíveis. Em fins do século XVI, a mão de obra dos engenhos era mista do ponto de vista racial, e a proporção foi mudando crescentemente em favor dos africanos importados e sua prole.

Stuart Schwartz, Segredos internos. São Paulo: Companhia das Letras, 1988, p.68.

Com base na leitura do trecho e em seus conhecimentos, pode-se afirmar corretamente que, no Brasil,

  1. a implementação da escravidão de origem africana não fez desaparecer a escravidão indígena, pois o emprego de ambas podia variar segundo épocas e regiões específicas.
  2. do ponto de vista senhorial, valia a pena pagar mais caro por escravos africanos porque estes viviam mais do que os escravos indígenas, que eram mais baratos.
  3. o comércio de escravos africanos foi incompatível com o comércio de indígenas porque eram exercidos por diferentes traficantes, que concorriam entre si.
  4. havia créditos disponíveis para a compra de escravos africanos, mas não de escravos indígenas, pois a Igreja estava interessada na manutenção de boas relações com os nativos.
  5. a escravização dos indígenas pelos portugueses foi inviabilizada pelo fato de que os povos nativos americanos eram contrários ao aprisionamento de seres humanos.

03. (Fuvest 2020) As tentativas holandesas de conquista dos territórios portugueses na América tinham por objetivo central

  1. a apropriação do complexo açucareiro escravista do Atlântico Sul, então monopolizado pelos portugueses.
  2. a formação de núcleos de povoamento para absorverem a crescente população protestante dos Países Baixos.
  3. a exploração das minas de ouro recém‐descobertas no interior, somente acessíveis pelo controle de portos no Atlântico.
  4. a ocupação de áreas até então pouco exploradas pelos portugueses, como o Maranhão e o Vale Amazônico.
  5. a criação de uma base para a ocupação definitiva das áreas de mineração da América espanhola.

04. (Fuvest 2018) Na edição de julho de 1818 do Correio Braziliense, o jornalista Hipólito José da Costa, residente em Londres, publicou a seguinte avaliação sobre os dilemas então enfrentados pelo Império português na América:

A presença de S.M. [Sua Majestade Imperial] no Brasil lhe dará ocasião para ter mais ou menos influência naqueles acontecimentos; a independência em que el-rei ali se acha das intrigas europeias o deixa em liberdade para decidir-se nas ocorrências, segundo melhor convier a seus interesses. Se volta para Lisboa, antes daquela crise se decidir, não poderá tomar parte nos arranjamentos que a nova ordem de coisas deve ocasionar na América.

Nesse excerto, o autor referia-se

  1. aos desdobramentos da Revolução Pernambucana do ano anterior, que ameaçara o domínio português sobre o centro-sul do Brasil.
  2. às demandas da Revolução Constitucionalista do Porto, exigindo a volta imediata do monarca a Portugal.
  3. à posição de independência de D. João VI em relação às pressões da Santa Aliança para que interviesse nas guerras do rio da Prata.
  4. às implicações que os movimentos de independência na América espanhola traziam para a dominação portuguesa no Brasil.
  5. ao projeto de D. João VI para que seu filho D. Pedro se tornasse imperador do Brasil independente.

05. (Fuvest 2016) Examine o gráfico.

O gráfico fornece elementos para afirmar:

  1. A despeito de uma ligeira elevação, o tráfico negreiro em direção ao Brasil era pouco significativo nas primeiras décadas do século XIX, pois a mão de obra livre já estava em franca expansão no país.
  2. As grandes turbulências mundiais de finais do século XVIII e de começos do XIX prejudicaram a economia do Brasil, fortemente dependente do trabalho escravo, mas incapaz de obter fornecimento regular e estável dessa mão de obra.
  3. Não obstante pressões britânicas contra o tráfico negreiro em direção ao Brasil, ele se manteve alto, contribuindo para que a ordem nacional surgida com a Independência fosse escravista.
  4. Desde o final do século XVIII, criaram-se as condições para que a economia e a sociedade do Império do Brasil deixassem de ser escravistas, pois o tráfico negreiro estava estagnado.
  5. Rapidamente, o Brasil aderiu à agenda antiescravista britânica formulada no final do século XVIII, firmando tratados de diminuição e extinção do tráfico negreiro e acatando as imposições favoráveis ao trabalho livre.

06. (Fuvest 2016) Eu por vezes tenho dito a V. A. aquilo que me parecia acerca dos negócios da França, e isto por ver por conjecturas e aparências grandes aquilo que podia suceder dos pontos mais aparentes, que consigo traziam muito prejuízo ao estado e aumento dos senhorios de V. A. E tudo se encerrava em vós, Senhor, trabalhardes com modos honestos de fazer que esta gente não houvesse de entrar nem possuir coisa de vossas navegações, pelo grandíssimo dano que daí se podia seguir.

Serafim Leite. Cartas dos primeiros jesuítas do Brasil, 1954.

O trecho acima foi extraído de uma carta dirigida pelo padre jesuíta Diogo de Gouveia ao Rei de Portugal D. João III, escrita em Paris, em 17/02/1538. Seu conteúdo mostra

  1. a persistência dos ataques franceses contra a América, que Portugal vinha tentando colonizar de modo efetivo desde a adoção do sistema de capitanias hereditárias.
  2. os primórdios da aliança que logo se estabeleceria entre as Coroas de Portugal e da França e que visava a combater as pretensões expansionistas da Espanha na América.
  3. a preocupação dos jesuítas portugueses com a expansão de jesuítas franceses, que, no Brasil, vinham exercendo grande influência sobre as populações nativas.
  4. o projeto de expansão territorial português na Europa, o qual, na época da carta, visava à dominação de territórios franceses tanto na Europa quanto na América.
  5. a manifestação de um conflito entre a recém􀀀criada ordem jesuíta e a Coroa portuguesa em torno do combate à pirataria francesa.

07. (Fuvest 2015) Uma observação comparada dos regimes de trabalho adotados nas Américas de colonização ibérica permite afirmar corretamente que, entre os séculos XVI e XVIII,

  1. a servidão foi dominante em todo o mundo português, enquanto, no espanhol, a mão de obra principal foi assalariada.
  2. liberdade foi conseguida plenamente pelas populações indígenas da América espanhola e da América portuguesa, enquanto a dos escravos africanos jamais o foi.
  3. escravidão de origem africana, embora presente em várias regiões da América espanhola, esteve mais generalizada na América portuguesa.
  4. não houve escravidão africana nos territórios espanhóis, pois estes dispunham de farta oferta de mão de obra indígena.
  5. o Brasil forneceu escravos africanos aos territórios espanhóis, que, em contrapartida, traficavam escravos indígenas para o Brasil.

08. (Fuvest 2015) Se o açúcar do Brasil o tem dado a conhecer a todos os reinos e províncias da Europa, o tabaco o tem feito muito afamado em todas as quatro partes do mundo, em as quais hoje tanto se deseja e com tantas diligências e por qualquer via se procura. Há pouco mais de cem anos que esta folha se começou a plantar e beneficiar na Bahia [...] e, desta sorte, uma folha antes desprezada e quase desconhecida tem dado e dá atualmente grandes cabedais aos moradores do Brasil e incríveis emolumentos aos Erários dos príncipes.

André João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas. São Paulo: EDUSP, 2007. Adaptado.

O texto acima, escrito por um padre italiano em 1711,revela que

  1. o ciclo econômico do tabaco, que foi anterior ao do ouro, sucedeu o da cana-de-açúcar.
  2. todo o rendimento do tabaco, a exemplo do que ocorria com outros produtos, era direcionado à metrópole.
  3. não se pode exagerar quanto à lucratividade propiciada pela cana-de-açúcar, já que a do tabaco, desde seu início, era maior.
  4. os europeus, naquele ano, já conheciam plenamente o potencial econômico de suas colônias americanas.
  5. economia colonial foi marcada pela simultaneidade de produtos, cuja lucratividade se relacionava com sua inserção em mercados internacionais.

09. (Fuvest 2014) O tráfico de escravos africanos para o Brasil

  1. teve início no final do século XVII, quando as primeiras jazidas de ouro foram descobertas nas Minas Gerais.
  2. foi pouco expressivo no século XVII, ao contrário do que ocorreu nos séculos XVI e XVIII, e foi extinto, de vez, no início do século XIX.
  3. teve início na metade do século XVI, e foi praticado, de forma regular, até a metade do século XIX.
  4. foi extinto, quando da independência do Brasil, a despeito da pressão contrária das regiões auríferas.
  5. dependeu, desde o seu início, diretamente do bom sucesso das capitanias hereditárias, e, por isso, esteve concentrado nas capitanias de Pernambuco e de São Vicente, até o século XVIII.

10. (Fuvest 2013) A economia das possessões coloniais portuguesas na América foi marcada por mercadorias que, uma vez exportadas para outras regiões do mundo, podiam alcançar alto valor e garantir, aos envolvidos em seu comércio, grandes lucros. Além do açúcar, explorado desde meados do século XVI, e do ouro, extraído regularmente desde fins do XVII, merecem destaque, como elementos de exportação presentes nessa economia:

  1. tabaco, algodão e derivados da pecuária.
  2. ferro, sal e tecidos.
  3. escravos indígenas, arroz e diamantes.
  4. animais exóticos, cacau e embarcações.
  5. drogas do sertão, frutos do mar e cordoaria.

11. (Fuvest 2012) Os indígenas foram também utilizados em determinados momentos, e sobretudo na fase inicial [da colonização do Brasil]; nem se podia colocar problema nenhum de maior ou melhor “aptidão” ao trabalho escravo (...). O que talvez tenha importado é a rarefação demográfica dos aborígines, e as dificuldades de seu apresamento, transporte, etc. Mas na “preferência” pelo africano revela-se, mais uma vez, a engrenagem do sistema mercantilista de colonização; esta se processa num sistema de relações tendentes a promover a acumulação primitiva de capitais na metrópole; ora, o tráfico negreiro, isto é, o abastecimento das colônias com escravos, abria um novo e importante setor do comércio colonial, enquanto o apresamento dos indígenas era um negócio interno da colônia. Assim, os ganhos comerciais resultantes da preação dos aborígines mantinham-se na colônia, com os colonos empenhados nesse “gênero de vida”; a acumulação gerada no comércio de africanos, entretanto, fluía para a metrópole; realizavam-na os mercadores metropolitanos, engajados no abastecimento dessa “mercadoria”. Esse talvez seja o segredo da melhor “adaptação” do negro à lavoura ... escravista. Paradoxalmente, é a partir do tráfico negreiro que se pode entender a escravidão africana colonial, e não o contrário.

Fernando A. Novais. Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial. São Paulo: Hucitec, 1979, p. 105. Adaptado.

Nesse trecho, o autor afirma que, na América portuguesa,

  1. os escravos indígenas eram de mais fácil obtenção do que os de origem africana, e por isso a metrópole optou pelo uso dos primeiros, já que eram mais produtivos e mais rentáveis.
  2. os escravos africanos aceitavam melhor o trabalho duro dos canaviais do que os indígenas, o que justificava o empenho de comerciantes metropolitanos em gastar mais para a obtenção, na África, daqueles trabalhadores.
  3. o comércio negreiro só pôde prosperar porque alguns mercadores metropolitanos preocupavam-se com as condições de vida dos trabalhadores africanos, enquanto que outros os consideravam uma “mercadoria”.
  4. a rentabilidade propiciada pelo emprego da mão de obra indígena contribuiu decisivamente para que, a partir de certo momento, também escravos africanos fossem empregados na lavoura, o que resultou em um lucrativo comércio de pessoas.
  5. o principal motivo da adoção da mão de obra de origem africana era o fato de que esta precisava ser transportada de outro continente, o que implicava a abertura de um rentável comércio para a metrópole, que se articulava perfeitamente às estruturas do sistema de colonização.

12. (Fuvest 2012) Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora,

todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à

moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati “pra

cortar a friagem”.

[5] Uma transformação, lenta e profunda, operava-se

nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e

alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo

de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-

se contemplativo e amoroso. A vida americana e a

[10] natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos

imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se

dos seus primitivos sonhos de ambição, para idealizar

felicidades novas, picantes e violentas; tornava-se

liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que

[15] de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos

prazeres, e volvia-se preguiçoso, resignando-se,

vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de

fogo com que o espírito eternamente revoltado do último

tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores

[20] aventureiros.

E assim, pouco a pouco, se foram reformando todos

os seus hábitos singelos de aldeão português: e

Jerônimo abrasileirou-se. (...)

E o curioso é que, quanto mais ia ele caindo nos

[25] usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus

sentidos se apuravam, posto que em detrimento das

suas forças físicas. Tinha agora o ouvido menos

grosseiro para a música, compreendia até as intenções

poéticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus

[30] amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a

esperança de tornar à terra, agora, como os olhos de

um marujo, que se habituaram aos largos horizontes de

céu e mar, já se não revoltavam com a turbulenta luz,

selvagem e alegre, do Brasil, e abriam-se amplamente

[35] defronte dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e

das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço,

surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e

ricas pedrarias refulgentes e as nuvens toucam de alvos

turbantes de cambraia, num luxo oriental de arábicos

[40] príncipes voluptuosos.

Aluísio Azevedo, O cortiço.

Um traço cultural que decorre da presença da escravidão no Brasil e que está implícito nas considerações do narrador do excerto é a

  1. desvalorização da mestiçagem brasileira.
  2. promoção da música a emblema da nação.
  3. desconsideração do valor do trabalho.
  4. crença na existência de um caráter nacional brasileiro.
  5. tendência ao antilusitanismo.

13. (Fuvest 2011) Quando os Holandeses passaram à ofensiva na sua Guerra dos Oitenta Anos pela independência contra a Espanha, no fim do século XVI, foi contra as possessões coloniais portuguesas, mais do que contra as espanholas, que os seus ataques mais fortes e mais persistentes se dirigiram. Uma vez que as possessões ibéricas estavam espalhadas por todo o mundo, a luta subsequente foi travada em quatro continentes e em sete mares e esta luta seiscentista merece muito mais ser chamada a Primeira Guerra Mundial do que o holocausto de 1914-1918, a que geralmente se atribui essa honra duvidosa. Como é evidente, as baixas provocadas pelo conflito ibero-holandês foram em muito menor escala, mas a população mundial era muito menor nessa altura e a luta indubitavelmente mundial.

Charles Boxer, O império marítimo português, 1415-1825. Lisboa: Edições 70, s.d., p.115.

Podem-se citar, como episódios centrais dessa “luta seiscentista”, a

  1. conquista espanhola do México, a fundação de Salvador pelos portugueses e a colonização holandesa da Indonésia.
  2. invasão holandesa de Pernambuco, a fundação de Nova Amsterdã (futura Nova York) pelos holandeses e a perda das Molucas pelos portugueses.
  3. presença holandesa no litoral oriental da África, a fundação de Olinda pelos portugueses e a colonização espanhola do Japão.
  4. expulsão dos holandeses da Espanha, a fundação da Colônia do Sacramento pelos portugueses e a perda espanhola do controle do Cabo da Boa Esperança.
  5. conquista holandesa de Angola e Guiné, a fundação de Buenos Aires pelos espanhóis e a expulsão dos judeus de Portugal.

14. (Fuvest 2011) É assim extremamente simples a estrutura social da colônia no primeiro século e meio de colonização. Reduz-se em suma a duas classes: de um lado os proprietários rurais, a classe abastada dos senhores de engenho e fazenda; doutro, a massa da população espúria dos trabalhadores do campo, escravos e semilivres. Da simplicidade da infraestrutura econômica – a terra, única força produtiva, absorvida pela grande exploração agrícola – deriva a da estrutura social: a reduzida classe de proprietários e a grande massa, explorada e oprimida. Há naturalmente no seio desta massa gradações, que assinalamos. Mas, elas não são contudo bastante profundas para se caracterizarem em situações radicalmente distintas.

Caio Prado Jr., Evolução política do Brasil. 20ª ed. São Paulo: Brasiliense, p.28-29, 1993 [1942].

Neste trecho, o autor observa que, na sociedade colonial,

  1. só havia duas classes conhecidas, e que nada é sabido sobre indivíduos que porventura fizessem parte de outras.
  2. havia muitas classes diferentes, mas só duas estavam diretamente ligadas a critérios econômicos.
  3. todos os membros das classes existentes queriam se transformar em proprietários rurais, exceto os pequenos trabalhadores livres, semilivres ou escravos.
  4. diversas classes radicalmente distintas umas das outras compunham um cenário complexo, marcado por conflitos sociais.
  5. a população se organizava em duas classes, cujas gradações internas não alteravam a simplicidade da estrutura social.

15. (Fuvest 2010) “E o pior é que a maior parte do ouro que se tira das minas passa em pó e em moeda para os reinos estranhos e a menor quantidade é a que fica em Portugal e nas cidades do Brasil...”

João Antonil. Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas, 1711.

Esta frase indica que as riquezas minerais da colônia

  1. produziram ruptura nas relações entre Brasil e Portugal.
  2. foram utilizadas, em grande parte, para o cumprimento do Tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra.
  3. prestaram-se, exclusivamente, aos interesses mercantilistas da França, da Inglaterra e da Alemanha.
  4. foram desviadas, majoritariamente, para a Europa por meio do contrabando na região do rio da Prata.
  5. possibilitaram os acordos com a Holanda que asseguraram a importação de escravos africanos.

16. (Fuvest 2010) Os primeiros jesuítas chegaram à Bahia com o governador-geral Tomé de Sousa, em 1549, e em pouco tempo se espalharam por outras regiões da colônia, permanecendo até sua expulsão, pelo governo de Portugal, em 1759. Sobre as ações dos jesuítas nesse período, é correto afirmar que

  1. criaram escolas de arte que foram responsáveis pelo desenvolvimento do barroco mineiro.
  2. defenderam os princípios humanistas e lutaram pelo reconhecimento dos direitos civis dos nativos.
  3. foram responsáveis pela educação dos filhos dos colonos, por meio da criação de colégios secundários e escolas de “ler e escrever”.
  4. causaram constantes atritos com os colonos por defenderem, esses religiosos, a preservação das culturas indígenas.
  5. formularam acordos políticos e diplomáticos que garantiram a incorporação da região amazônica ao domínio português.

17. (Fuvest 2010) “Eis que uma revolução, proclamando um governo absolutamente independente da sujeição à corte do Rio de Janeiro, rebentou em Pernambuco, em março de 1817. É um assunto para o nosso ânimo tão pouco simpático que, se nos fora permitido [colocar] sobre ele um véu, o deixaríamos fora do quadro que nos propusemos tratar.”

F. A. Varnhagen. História geral do Brasil, 1854.

O texto trata da Revolução pernambucana de 1817. Com relação a esse acontecimento é possível afirmar que os insurgentes

  1. pretendiam a separação de Pernambuco do restante do reino, impondo a expulsão dos portugueses desse território.
  2. contaram com a ativa participação de homens negros, pondo em risco a manutenção da escravidão na região.
  3. dominaram Pernambuco e o norte da colônia, decretando o fim dos privilégios da Companhia do Grão-Pará e Maranhão.
  4. propuseram a independência e a república, congregando proprietários, comerciantes e pessoas das camadas populares.
  5. implantaram um governo de terror, ameaçando o direito dos pequenos proprietários à livre exploração da terra.

18. (Fuvest 2009) A criação, em território brasileiro, de gado e de muares (mulas e burros), na época da colonização portuguesa, caracterizou-se por

  1. ser independente das demais atividades econômicas voltadas para a exportação.
  2. ser responsável pelo surgimento de uma nova classe de proprietários que se opunham à escravidão.
  3. ter estimulado a exportação de carne para a metrópole e a importação de escravos africanos.
  4. ter-se desenvolvido, em função do mercado interno, em diferentes áreas no interior da colônia.
  5. ter realizado os projetos da Coroa portuguesa para intensificar o povoamento do interior da colônia.

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