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Unesp: Português - Prova 1

Primeira Fase - Cursos da área de biológicas

1. (Unesp 2021) De acordo com o narrador, o hipotrélico revela, em relação à prática do neologismo, uma postura

  1. indiferente.
  2. enigmática.
  3. conservadora.
  4. visionária.
  5. inovadora.

2. (Unesp 2021) Considerando que “sonejar” constitui um neologismo formado pelo radical “sono” e pelo sufixo “-ejar”, que exprime aspecto frequentativo, “a inércia que soneja em cada canto do espírito” (2° parágrafo) contribui, segundo o narrador, para

  1. a degradação da norma-padrão.
  2. a invenção de novos vocábulos.
  3. a valorização da linguagem coloquial.
  4. a renovação radical da língua.
  5. a sobrevivência do idioma.

3. (Unesp 2021) O efeito cômico do texto deriva, sobretudo, da ambiguidade da expressão

  1. “homem-de-bem”.
  2. “bom português”.
  3. “indesejável maçante”.
  4. “necessidades íntimas”.
  5. “indivíduo pedante”.

4. (Unesp 2021) “Aí, o bom português, ainda meio enfigadado, mas no tom já feliz de descoberta, e apontando para o outro, peremptório:

O senhor também é hiputrélico...” (11° e 12° parágrafos)

Considerando o contexto, o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:

  1. debochado.
  2. contrariado.
  3. distraído.
  4. atrapalhado.
  5. admirado.

5. (Unesp 2021) Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em:

  1. “Ao que, o indesejável maçante, não se contendo, emitiu o veto:” (6° parágrafo)
  2. “— O senhor também é hiputrélico...” (12° parágrafo)
  3. “Para a prática, tome-se hipotrélico querendo dizer:” (1° parágrafo)
  4. “— Como?!... Ora... Pois se eu a estou a dizer?” (9° parágrafo)
  5. “Parou o bom português, a olhá-lo, seu tanto perplexo:” (8° parágrafo)

6. (Unesp 2021) Futurismo. O Manifesto Futurista, de autoria do poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944), foi publicado em Paris em 1909. Nesse manifesto, Marinetti declara a raiz italiana da nova estética: “queremos libertar esse país (a Itália) de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários”. Falando da Itália para o mundo, o Futurismo coloca-se contra o “passadismo” burguês e o tradicionalismo cultural. A exaltação da máquina e da “beleza da velocidade”, associada ao elogio da técnica e da ciência, torna-se emblemática da nova atitude estética e política.

(https://enciclopedia.itaucultural.org.br. Adaptado.)

Verifica-se a influência dessa vanguarda artística nos seguintes versos do poeta português Fernando Pessoa:

  1. Mas, ah outra vez a raiva mecânica constante!
    Outra vez a obsessão movimentada dos ônibus.
    E outra vez a fúria de estar indo ao mesmo tempo
    [dentro de todos os comboios
    De todas as partes do mundo,
    De estar dizendo adeus de bordo de todos os navios,
    Que a estas horas estão levantando ferro ou
    [afastando-se das docas.
  2. O sonho é ver as formas invisíveis
    Da distância imprecisa, e, com sensíveis
    Movimentos da esprança e da vontade,
    Buscar na linha fria do horizonte
    A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte —
    Os beijos merecidos da Verdade.
  3. O teu silêncio é uma nau com todas as velas pandas...
    Brandas, as brisas brincam nas flâmulas, teu sorriso...
    E o teu sorriso no teu silêncio é as escadas e as andas
    Com que me finjo mais alto e ao pé de qualquer paraíso...
  4. Não me compreendo nem no que,
    compreendendo, faço.
    Não atinjo o fim ao que faço pensando num fim.
    É diferente do que é o prazer ou a dor que
    abraço.
    Passo, mas comigo não passa um eu que há em
    mim.
  5. Desenlacemos as mãos, porque não vale a
    pena
    [cansarmo-nos.
    Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como
    [o rio.
    Mais vale saber passar silenciosamente
    E sem desassossegos grandes.
    Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam [a voz,
    Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
    Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre [correria,
    E sempre iria ter ao mar

Texto para as próximas 4 questões (7 a 10)

Leia a narrativa “O leão, o burro e o rato”, de Millôr Fernandes, para responder às questões de 16 a 19.

Um leão, um burro e um rato voltaram, afinal, da caçada que haviam empreendido juntos¹ e colocaram numa clareira tudo que tinham caçado: dois veados, algumas perdizes, três tatus, uma paca e muita caça menor. O leão sentou-se num tronco e, com voz tonitruante que procurava inutilmente suavizar, berrou:

— Bem, agora que terminamos um magnífico dia de trabalho, descansemos aqui, camaradas, para a justa partilha do nosso esforço conjunto. Compadre burro, por favor, você, que é o mais sábio de nós três, com licença do compadre rato, você, compadre burro, vai fazer a partilha desta caça em três partes absolutamente iguais. Vamos, compadre rato, até o rio, beber um pouco de água, deixando nosso grande amigo burro em paz para deliberar.

Os dois se afastaram, foram até o rio, beberam água² e ficaram um tempo. Voltaram e verificaram que o burro tinha feito um trabalho extremamente meticuloso, dividindo a caça em três partes absolutamente iguais. Assim que viu os dois voltando, o burro perguntou ao leão:

— Pronto, compadre leão, aí está: que acha da partilha?

O leão não disse uma palavra. Deu uma violenta patada na nuca do burro, prostrando-o no chão, morto.

Sorrindo, o leão voltou-se para o rato e disse:

— Compadre rato, lamento muito, mas tenho a impressão de que concorda em que não podíamos suportar a presença de tamanha inaptidão e burrice. Desculpe eu ter perdido a paciência, mas não havia outra coisa a fazer. Há muito que eunão suportava mais o compadre burro. Me faça um favor agora — divida você o bolo da caça, incluindo, por favor, o corpo do compadre burro. Vou até o rio, novamente, deixando-lhe calma para uma deliberação sensata.

Mal o leão se afastou, o rato não teve a menor dúvida. Dividiu o monte de caça em dois: de um lado, toda a caça, inclusive o corpo do burro. Do outro, apenas um ratinho cinza morto por acaso. O leão ainda não tinha chegado ao rio, quando o rato o chamou:

— Compadre leão, está pronta a partilha!

O leão, vendo a caça dividida de maneira tão justa, não pôde deixar de cumprimentar o rato:

— Maravilhoso, meu caro compadre, maravilhoso! Como você chegou tão depressa a uma partilha tão certa?

E o rato respondeu:

— Muito simples. Estabeleci uma relação matemática entre seu tamanho e o meu — é claro que você precisa comer muito mais. Tracei uma comparação entre a sua força e a minha — é claro que você precisa de muito maior volume de alimentação do que eu. Comparei, ponderadamente, sua posição na floresta com a minha — e, evidentemente, a partilha só podia ser esta. Além do que, sou um intelectual, sou todo espírito!

— Inacreditável, inacreditável! Que compreensão! Que argúcia! — exclamou o leão, realmente admirado. — Olha, juro que nunca tinha notado, em você, essa cultura. Como você escondeu isso o tempo todo, e quem lhe ensinou tanta sabedoria?

— Na verdade, leão, eu nunca soube nada. Se me perdoa um elogio fúnebre, se não se ofende, acabei de aprender tudo agora mesmo, com o burro morto.

Moral: Só um burro tenta ficar com a parte do leão.

¹A conjugação de esforços tão heterogêneos na destruição do meio ambiente é coisa muito comum.

²Enquanto estavam bebendo água, o leão reparou que o rato estava sujando a água que ele bebia. Mas isso já é outra fábula.

(100 fábulas fabulosas, 2012.)



Leia a narrativa “O leão, o burro e o rato”, de Millôr Fernandes, para responder às questões de 16 a 19.

Um leão, um burro e um rato voltaram, afinal, da caçada que haviam empreendido juntos¹ e colocaram numa clareira tudo que tinham caçado: dois veados, algumas perdizes, três tatus, uma paca e muita caça menor. O leão sentou-se num tronco e, com voz tonitruante que procurava inutilmente suavizar, berrou:

— Bem, agora que terminamos um magnífico dia de trabalho, descansemos aqui, camaradas, para a justa partilha do nosso esforço conjunto. Compadre burro, por favor, você, que é o mais sábio de nós três, com licença do compadre rato, você, compadre burro, vai fazer a partilha desta caça em três partes absolutamente iguais. Vamos, compadre rato, até o rio, beber um pouco de água, deixando nosso grande amigo burro em paz para deliberar.

Os dois se afastaram, foram até o rio, beberam água² e ficaram um tempo. Voltaram e verificaram que o burro tinha feito um trabalho extremamente meticuloso, dividindo a caça em três partes absolutamente iguais. Assim que viu os dois voltando, o burro perguntou ao leão:

— Pronto, compadre leão, aí está: que acha da partilha?

O leão não disse uma palavra. Deu uma violenta patada na nuca do burro, prostrando-o no chão, morto.

Sorrindo, o leão voltou-se para o rato e disse:

— Compadre rato, lamento muito, mas tenho a impressão de que concorda em que não podíamos suportar a presença de tamanha inaptidão e burrice. Desculpe eu ter perdido a paciência, mas não havia outra coisa a fazer. Há muito que eunão suportava mais o compadre burro. Me faça um favor agora — divida você o bolo da caça, incluindo, por favor, o corpo do compadre burro. Vou até o rio, novamente, deixando-lhe calma para uma deliberação sensata.

Mal o leão se afastou, o rato não teve a menor dúvida. Dividiu o monte de caça em dois: de um lado, toda a caça, inclusive o corpo do burro. Do outro, apenas um ratinho cinza morto por acaso. O leão ainda não tinha chegado ao rio, quando o rato o chamou:

— Compadre leão, está pronta a partilha!

O leão, vendo a caça dividida de maneira tão justa, não pôde deixar de cumprimentar o rato:

— Maravilhoso, meu caro compadre, maravilhoso! Como você chegou tão depressa a uma partilha tão certa?

E o rato respondeu:

— Muito simples. Estabeleci uma relação matemática entre seu tamanho e o meu — é claro que você precisa comer muito mais. Tracei uma comparação entre a sua força e a minha — é claro que você precisa de muito maior volume de alimentação do que eu. Comparei, ponderadamente, sua posição na floresta com a minha — e, evidentemente, a partilha só podia ser esta. Além do que, sou um intelectual, sou todo espírito!

— Inacreditável, inacreditável! Que compreensão! Que argúcia! — exclamou o leão, realmente admirado. — Olha, juro que nunca tinha notado, em você, essa cultura. Como você escondeu isso o tempo todo, e quem lhe ensinou tanta sabedoria?

— Na verdade, leão, eu nunca soube nada. Se me perdoa um elogio fúnebre, se não se ofende, acabei de aprender tudo agora mesmo, com o burro morto.

Moral: Só um burro tenta ficar com a parte do leão.

¹A conjugação de esforços tão heterogêneos na destruição do meio ambiente é coisa muito comum.

²Enquanto estavam bebendo água, o leão reparou que o rato estava sujando a água que ele bebia. Mas isso já é outra fábula.

(100 fábulas fabulosas, 2012.)



7. (Unesp 2021) A narrativa de Millôr Fernandes afasta-se do modelo tradicional da fábula na medida em que emprega um tom

  1. moralizante.
  2. fantástico.
  3. acônico.
  4. ambíguo.
  5. paródico.

8. (Unesp 2021) Uma moral para a narrativa de Millôr Fernandes em conformidade com uma fábula tradicional seria:

  1. Para quem morrer está posto, é melhor a morte com reputação.
  2. Alguns seres humanos, por causa das próprias espertezas, sem perceber se lançam em direção às desgraças.
  3. Alguns homens fazem por mal o que por bem não querem aceitar.
  4. Para os homens, os infortúnios do próximo se tornam um apelo à ponderação.
  5. Os homens sensatos não desdenham nem mesmo as coisas modestas.

9. (Unesp 2021) “Mal o leão se afastou, o rato não teve a menor dúvida.” (8° parágrafo)

Em relação à oração que a sucede, a oração sublinhada expressa ideia de

  1. consequência.
  2. tempo.
  3. concessão.
  4. condição.
  5. causa.

10. (Unesp 2021) “E o rato respondeu:

— Muito simples. Estabeleci uma relação matemática entre seu tamanho e o meu — é claro que você precisa comer muito mais.” (12° e 13° parágrafos)

Ao se transpor esse trecho para o discurso indireto, o termo sublinhado assume a seguinte forma:

  1. teria estabelecido.
  2. estabeleceria.
  3. estabelecia.
  4. estabeleceu.
  5. tinha estabelecido.

11. (Unesp 2021)

A obra Paisagem italiana (1805), do pintor alemão Jakob Philipp Hackert (1737-1807), remete, sobretudo, ao ideário do

  1. Realismo.
  2. Romantismo.
  3. Arcadismo.
  4. Barroco.
  5. Naturalismo.

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