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Estilo


Atualizada em 07 de Junho, 2020

UFRGS 2017 - Estilo

Leia a surpreendente e generosa confissão feita pelo moçambicano Mia Couto:

Muitas vezes nos queixamos de que os jovens de hoje vivem uma cultura de imitação. Mas os jovens de ontem também o fizeram. E isso sucede em todo o mundo, em todos os tempos. Eu também já imitei e creio que quase tudo começa por via da inspiração de modelos exteriores. (...). O melhor modo de criar um estilo próprio é receber influências, as mais diversas e variadas influências.

COUTO, M. Despir a voz. In:____. E se Obama fosse africano? Ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

Sim, Mia Couto, um dos maiores escritores da atualidade, diz que o seu estilo não nasceu do nada, que o outro, os modelos exteriores, serviram-lhe de inspiração. Na verdade, o que o autor destaca é a sutil diferença existente entre a mera repetição e a inspiração, que permite criar o novo. Ter um estilo é saber criar a partir do já estabelecido. Ter um estilo é singularizar-se em meio à pluralidade.

Não muito distante do que disse o escritor, está a declaração de Elis Regina, uma das grandes cantoras do Brasil, a um programa de televisão:

Eu realmente devo a Ângela Maria ter descoberto que podia ser cantora; comecei a minha carreira de cantora imitando descaradamente – é com extrema felicidade que eu confesso isso – Ângela Maria; até hoje, em certos momentos de minhas apresentações, eu saco na minha voz a voz de Ângela Maria, e tenho profundo orgulho disso. E Ângela Maria é, para mim, a maior cantora que o Brasil já teve até hoje...

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=D7Z0f7gqZvk. Acesso em: 02 dez. 2016.

A grande Elis Regina, cujo estilo é inconfundível, também soube criar seu jeito, seu estilo, imitando.

Como se pode ver, tanto o escritor quanto a cantora usam a ideia geral de imitação como algo positivo, como algo a partir do que conseguiram achar o seu estilo: de escrever, em um caso; de cantar, em outro. A imitação, nesses dois exemplos, é um ponto de partida; não um ponto de chegada.

A respeito do mesmo tema, e em uma direção bastante crítica, o filósofo francês Dany Robert Dufour (2008) afirma que o mundo atual dá pouco, ou nenhum, lugar àquele que se distingue dos demais. Parece que o estilo de hoje em dia, então, é exatamente não ter estilo, é permanecer no universo do mesmo, da imitação. Você já deve ter percebido: a imitação que produziu o novo, um novo estilo, em Mia Couto e em Elis Regina, também pode ser vista como causa da repetição sem estilo, conforme opinião de Dufour. Tudo depende de como cada um de nós se relaciona com o mesmo e com o diferente. Ora, para ter um estilo não é necessário produzir uma obra de arte, como os exemplos de Mia Couto ou de Elis Regina poderiam, em um primeiro momento, levar a crer; ter um estilo é, antes, poder dizer este sou eu, este é o meu jeito. É essa singularidade que faz, de cada um, um ser único.

E você o que pensa sobre essa questão? As pessoas, hoje em dia, apenas repetem, imitam ou conseguem produzir um estilo próprio?

Considerando as reflexões acima, elabore uma dissertação sobre o que é ter um estilo. Para tanto, você deve:

- apresentar o seu entendimento sobre o que é ter um estilo; - exemplificar ou com fatos, ou com acontecimentos ou com situações da vida cotidiana, sua ou de qualquer outra pessoa, o que é ter um estilo; - desenvolver argumentos que evidenciem que o exemplo dado permite identificar um estilo singular.

Instruções:

1. Crie um título para seu texto e escreva-o na linha destinada a este fim.

2. Redija uma redação com uma extensão mínima de 30 linhas, excluído o título - aquém disso, seu texto não será avaliado -, e máxima de 50 linhas, considerando-se letra de tamanho regular.

3. As redações que apresentarem segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas em branco terão esses espaços descontados no cômputo total de linhas.

4. Lápis poderá ser usado apenas no rascunho; ao passar sua redação para a folha definitiva, faça-o com letra legível e utilize caneta.

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